LUNA

Mesmo não querendo, lembro exatamente onde Noah mora. Vim aqui nas últimas duas vezes em que ficamos e o caminho, por alguma razão, ficou gravado em minha memória. O que estou fazendo aqui parada em frente ao prédio dele? Também não sei bem. A única coisa que sei, é que preciso me desculpar. Não sou estúpida como fui com ele, mas Noah desperta coisas em mim. Não sei dizer se coisas boas ou ruins, mas coisas.

-Você não é amiga do senhor Noah? -me assusto quando o porteiro direciona a palavra a mim.
-Hmm, sim... -"amiga" não é o termo correto. Ainda mais depois de ontem...
-Vai subir ou não? -me olha engraçado e mexe em seu bigode.
-Você teria que avisá-lo primeiro, não teria?
-Ora, você já esteve aqui duas vezes, moça. Está claro que vocês se conhecem -escuto um barulho alto e o portão se abre. -Pode subir.

-Obrigada, senhor...-não sei o nome dele.
-Francisco -diz gentil.
-Obrigada, Francisco -passo pelo hall, ainda meio hesitante. Entro no elevador. Chegar no apartamento de Noah é fácil, ele mora na cobertura. Merda, será que fiz bem em vir aqui? Ainda dá tempo de voltar, Luna. Isso, eu vou dar meia volta e fingir que isso nunca aconteceu. Não, você não pode fazer isso!

Sabe quando você tá vendo um filme e aparece um diabinho e um anjinho no ombro de alguém? Pois é, é isso que tá acontecendo comigo agora. "Foge daí, sua louca. Ficou bem claro que ele não quer te ver mais. Você não entendeu isso ainda?" -diz o diabinho. "Não dê ouvidos a eles, garota. Você errou e precisar se redimir. Deixa esse orgulho de lado e faça o certo. Pense no que seus pais te ensinaram a vida inteira: sinceridade e honestidade sempre"- fala o anjinho.

Meu Deus, agora eu enlouqueci de vez

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Meu Deus, agora eu enlouqueci de vez. Não deveria estar aqui, e sim num manicômio...
-LUNA! -me assusto com o berro de Noah. Mas o que...
-O que aconteceu? -pergunto sem entender nada.
-Não sei -ele dá de ombros, meio nervoso. -Você tocou minha campainha, eu abri a porta e desde então você tá aí, parecendo uma estátua- sinto meu rosto ferver de vergonha.

-Desculpa, é que...-me atrapalho.
-Você bebeu, por acaso? -isso não tá saindo como eu planejei, inferno.
-Posso entrar? -quase me bato quando minha voz falha. Noah ainda me olha sem muita paciência, mas abre espaço para eu passar.
-E então, vai me dizer o que veio fazer aqui? -por que ele tem que ser tão direto? Só agora percebo que o filho da mãe está só com uma bermuda preta. Se já tava complicado falar, agora é praticamente impossível com esse tanquinho de fora...

-Você não deveria estar trabalhando? -pergunto qualquer porcaria. Tudo para tirar o foco de mim...
-Pra que? Sou um riquinho filhinho de papai, mesmo...-alfineta e sinto minha garganta fechar. Ele nota meu olhar envergonhado. -Tirei umas férias. Ainda tenho uns dias em casa.
-Bom -sorrio sem graça. -Noah, quero me desculpar pelo o que fiz ontem -passam-se alguns segundos e levanto a cabeça. Ele me olha indecifrável.

-Tenta de novo -filho da p...
-Me desculpe por ter sido tão idiota e ter te julgado. Você não merecia ouvir aquilo tudo. Talvez só um pouquinho...-ele solta uma risada seca.
-Você é inacreditável, garota!
-No bom ou no mal sentido? -seu olhar é duro. -Tá bom, parei.

A Paixão Acontece - Trilogia SchneiderLeia esta história GRATUITAMENTE!