Uma viagem "tensa"

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Ok, você pode até dizer que eu exagerei e que não deveria ter feito isso mas, pense comigo, você tem um melhor amigo, esse amigo você conta tudo para ele, e você descobre depois de muito tempo de amizade que ele tirou seus pais de você, poxa, bom mas vamos ao que interessa, onde estava mesmo... A sim, eu tinha tudo para acabar com Hett, os anciões estavam imobilizados, Kaliri estava debatendo-se em uma de minhas vinhas, e o ancião do fogo tentava inutilmente queimar algumas delas, eu ainda estava desolada, Hett tentou falar comigo mas eu não conseguia acreditar em nada que ele dissesse, eu não  iria acatar nada.

-Tel, me escuta, seus pais eram uma ameaça, eu não tinha muitas escolhas, me perdoa - Ele falava com uma lagrima escorrendo em seu rosto - Eu sabia que esse dia iria chegar mais cedo ou mais tarde, eu queria evita-lo, mas não pude.

-Como você pôde - Eu me ergui, estava me sentido poderosa, um poder que eu nunca havia provado - Eu vou acabar com você!

Eu ergui ele com uma das vinhas, e comecei a sufoca-lo, mas não conseguia mata-lo, não sei o motivo, ele estava rodeado por uma barreira, era algo que nunca vi, achei até que era Kaliri querendo protege-lo, mas ela estava desmaiada próximo ao pilar central. Uma voz, calma e serena entrou em minha cabeça...

-Telaran, não ouse machuca-lo - Eu achava a voz familiar, porem, não sabia dizer de quem era soava como uma brisa - Ele protegeu você por todos esses anos, o que pensa em fazer depois?

- Ele tirou tudo de mim - Sim, eu conversava sozinha no salão - Meus pais, estão exilados, ou pior, mortos.

- Eu não diria mortos - Isso foi o bastante para eu sentir um leve alívio momentâneo - Mas "desaparecidos" - Senti leve escárnio na última palavra.

Depois da ultima frase dita eu soltei Hett, ele ofegou por alguns instantes e foi ao encontro de Kaliri, eu desabei no chão, a voz disse para eu acalmar-me, mas eu sentia algo diferente, minha designação nova era encontrar meus pais. Levantei-me e minhas mãos arderam em poder, me senti renovada com as simples palavras da voz que ouvi, o ancião do fogo tentou me parar com uma incineração, mas uma parede que ergueu-se me protegeu, eu ergui minhas mãos e um pilar de madeira como uma cabine telefônica coberto de musgo levantou-se até a porta estar a meu alcance, eu entrei e dei um comando, "suba". Foi o bastante para embaraçar meus cabelos e destruir o resto da construção subterrânea, no momento em que sai vi que minha magia tinha afetado toda a vila, todas as árvores estavam cobertas de vinhas. Não tive tempo de ver o que aconteceu com o resto dos elfos, apenas corri para a clareira que estava ao oeste da ilha, não fui muitas vezes lá mas conhecia o caminho entre o labirinto de árvores, no caminho olhei para trás e vi vários elfos correndo para a árvore central, "Ash'thaken" ouvi um uníssono, pelo o que eu tinha lido no livro de runas isso era um contra encantamento, mas acho que não funcionou do jeito que eles esperavam, as vinhas ficaram ainda maiores e espessas. A clareira era um descampado muito lindo, o único lugar de toda a ilha que dava para ver o sol nitidamente,  era como se uma luz avermelhada estivesse apontando para um campo com uma grama roxa e escura, não tinha um plano de fuga, apenas sabia que era o único lugar que não iriam me procurar, eu pensei em tudo o que aconteceu nesse pequeno intervalo de tempo, Hett tentando me consolar, minhas vinhas agarrando os anciões e a voz...

- Escute-me, não posso te ajudar tanto - O tom parecia ter mudado, estava ríspida e com leve eco - Use seus poderes, crie um barco e vá para o norte, mas vá rápido os anciões já estão conscientes e virão atras de você, apresse-se.

Não tive tempo para questionar a existência dela mas obedeci, me concentrei, usei toda a minha força e uma árvore ao lado caiu na água e um barco de madeira-celeste apareceu, era todo detalhado com runas, uma marca na borda e a parte frontal uma lança feita de folhas e madeira esculpida, parecia ter sido feita por um exímio escultor. Entrei e corri para o timão, mas eu não sabia como pilotar um navio, foi ai que lembrei-me "Eu posso controla-lo", fui à frente do navio e levantei as mãos, um único pensamento me guiou, "Siga para o norte".

Eu bem que queria descrever o passeio mas não vi nada além de uma baleia e golfinhos, meu estômago não tinha recebido nada além do bolo que comi com Hett, eu estava faminta quando atraquei numa praia, tinha uma areia fina e quentinha, como nunca havia visto e sentido, à frente tinha uma floresta, com vária árvores, dava para perceber as macieiras e os arbustos com frutinhas, corri para as árvores e subi em uma delas, fiquei alguns minutos saboreando as maças verdes quando vi uma  menina passando, ela tinha longos cabelos brancos ondulados, uma pele clara e pálida, estava usando um capuz uma blusa desbotada e uma calça azul, ela segurava vários livros em uma mão e na outra carregava um orbe azul, parecia estar chateada com alguma coisa pois incessantemente xingava na língua comum.

- Maldito seja, ahaaa - Uma bola roxa saiu de sua mão destruindo uma árvore próxima - Não consigo nem controlar o arcano.

Arcano, eu já ouvira muito a respeito desse tipo de magia, considerada por muitos magia para loucos, ele possui grande poder destrutivo. Mas a garota parecia não saber controla-lo, ela jogou seu orbe para longe e sentou-se próximo de um arbusto e começou a comer algumas frutas, e sujando sua boca de azul escuro, eu a observei durante um tempo e vi quatro homens ao longe, eles seguravam adagas e o maior um saco, acho que de pilhagem, eu mexi um galho para chamar a atenção da garota e nada, ela parecia muito concentrada comendo frutas enquanto tentava limpar a boca com a gola do manto preto, os sorrateiros olharam para ela e começaram a sussurrar algo, pretendiam rouba-la e mata-la, eles se aproximaram dela e a renderam ela tentou se soltar e alcançar o orbe ao longe mas um dos bandidos a segurou, o maior se aproximou dela.

- Ora, ora, o que temos aqui - Sua voz era desgastada, um tanto quanto rouca - Uma menininha de cabelos brancos - Ele tinha um sorriso que não causava inveja a ninguém, era como se tivessem jogado um balde de tinta amarela e marrom, a rosto possuía uma barba desgrenhada e castanho claro,  cabelo era um coque amarrado para trás. Eles estavam a procura de ouro, mas ela não carregava nenhum em seus bolsos.

- Garotinha inútil - Ele estava bravo por não ter saque - Não tem ouro para mim, não terá para ninguém!

Eu pulei da árvore com um galho em punho batendo com toda minha forca contra a alfange dele o galho partiu-se ao meio eu mergulhei para o lado ergui minhas mão e uma sombra-viva apareceu atrás dele, a sombra golpeou e ele caiu, isso deu tempo para eu amarrar os outros em vinhas, a garota ficou de joelhos o tempo inteiro, quando levantou-se o que ouvi foi.

- PELOS DEUSES, COMO VOCÊ FEZ ISSO!

- Hãã... Magia? - Não tinha resposta para essa pergunta.

- Mas, a sombra, as vinhas você tem tanto controle, bem que queria saber fazer isso.

- Pare de se lastimar, eu vi seu orbe, se estivesse com ele teria acabado com os saqueadores.

- Aquilo, foi só minha raiva, a real é que não consigo canalizar magias por muito tempo, eu fico bastante cansada.

- Bom, espero que fique melhor, preciso seguir meu caminho, adeus.

- Espera ai, posso te acompanhar? - Eu não poderia expor alguém tão inexperiente a algo que nem eu sabia o que era - Por favor, te imploro...

- Eu não posso, eu estou indo ao encontro de meus pais, nem eu sei onde estão - A partir dai contei o que ocorreu - Entende? Não posso deixar você exposta a esse perigo.

Ela correu para longe e apanhou o orbe.

Eu tenho isso - Ela parecia designada.

- Mas e sua família? Não irá sentir sua falta?

- Eu sou órfã,  moro na casa de um mago, ele nem liga para mim, só aceitou pois meu pai era seu amigo.

Eu não tinha motivos para não deixa-la vir comigo, acabei cedendo mas impus uma regra, ela não iria me atrapalhar em nada do que eu decidisse, ela aceitou e fomos em frente, sem o menor senso de direção ou um mapa, apenas suas garotas, sendo uma delas uma elfa com poderes sombrios e a outra aspirante a arcanista, tinha tudo para dar certo...

Um poder escondidoWhere stories live. Discover now