›» Capítulo 7 «‹

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Sentado na arquibancada da quadra, só observo o treino de dança da turma da Bailey. Elas não dançam mal, pelo contrário, dançam bem até demais, o que foi uma surpresa quando vi o primeiro passo que elas fizeram. Tudo bem, vou confessar que eu não entendo muito bem dessas coisas até porque dança não é comigo, então para mim aquilo estava ótimo até demais. Agora, sendo realista, apenas conheço uma garota que, entre elas, me chama mais atenção. E ela não está ali.

Andrea tem passos únicos e me pergunto onde aprendeu a dançar daquela maneira. Quando eu a veria dançar novamente? Espero que seja breve. Não que eu esteja babando ou alguma coisa assim, mas... Tirem suas próprias conclusões.

Não me surpreendo quando vejo uma sombra atrás de mim. Pensando que era o David, ignoro, pois sei que ele irá puxar assunto. É sempre assim na verdade, ele chega e começa a falar sem parar e eu, como amigo e como o conheço bem, apenas ouço e solto no máximo três palavras como resposta. As vezes eu acho que sou frio com ele, mas não posso controlar, mas eu tenho preguiça mesmo. Não é da minha natureza ficar falando e falando.

Mas agora, ao contrário do que pensei, o silêncio tomou conta do calor que fazia em Boston, e algo me avisou que não era o David, e eu acerto quando olho para trás e vejo a Andrea.

— Caramba... — ela diz com uma voz rouca, com certeza era o sintoma da chuva que pegou ontem.

— O que?

— Nada.

— Está tudo bem? — pergunto olhando para seus olhos verdes.

— Claro — ela diz e faz uma bola com o chiclete que masca. Morango. — Uma pena eu não estar ali.

— Uma idiotice não te aceitarem, Andrea. Você dança tão bem.

— Nem estou ligando mais. Fiquei chateada e cheguei a me perguntar o que tinha de errado comigo. Depois eu lembrei que comparado a respeito de tudo o que eu passei e ainda vou passar, isso não é nada.

— Você é mais que isso — digo relaxando meu corpo na arquibancada.

Ela me deixa tão confuso. Por mais que eu tenha falado pouco com ela, admito que a presença dela é boa. Nunca tive uma presença feminina a não ser as meninas que tinham outras intenções, e conhecê-la só traz um ar diferente. Isso só dá vontade de descobrir cada vez mais sobre ela. Até agora só sei que ela nasceu no Havaí e gosta de dança.

— O que você acha de tudo isso? — pergunto.

— Tudo isso o que? — ela diz virando seu corpo, agora sentado, em minha direção.

— De tudo. De Boston, das pessoas...

— Não sei ainda — Andrea responde e olha para o céu azul cheio de nuvens. — Isso é um pouco estranho para mim. Mesmo eu vindo de um lugar turístico, não tinha contato com muitas pessoas como aqui. Lá eu não tinha tempo nem para respirar.

— Por que? — pergunto intrigado. Percebo que ela mudou a sua expressão de tranquila para preocupada. Não sei se deveria ter tocado nisso, mas tenho certeza de que isso é uma coisa muito pessoal. Tenho a consciência que ela não irá dizer para mim nada a respeito. Andrea me deixou curioso desde o momento em que pisou nessa escola. — Desculpe.

— Deixe para lá.

Pode ser que eu tenha tocado em algo que ela não gosta de lembrar só pelo silêncio que me deu em troca. Odeio essa sensação de ter feito algo errado. Por mais que muitas vezes eu não seja a pessoa que mais se comunica, agora fico com vontade de conversar, por mais que não saiba muito bem por onde começar.

Além do MarWhere stories live. Discover now