Capítulo 7

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— Não estou falando por mal, mas.. da pra colocar uma calça pelo menos?!

— Para de encher o saco, vai dormir garota - sua voz me enfureceu, eu taquei um travesseiro nele, o mesmo se desviou.

— Você é mais criança que sua irmã!

— Pelo menos minha irmã não saiu de casa por causa de mim - deixo escapar, mas logo tampo minha boca com as mãos.

— Não fale de Gabe, nunca mais - seu tom de voz me deixou assustada, minha mãe com certeza tinha ouvido la do quarto.

— Fala mais baixo por favor - peço sem graça.

— Quantos anos tem sua irmã? - ele deita na sua cama, logo depois que apagou a luz.

— Ela tem seis anos.

  Não gostava de pensar muito sobre minha irmã, eu a amava tanto mas lembrar da doença dela me fazia sentir-se mal.

— Ela é uma garotinha incrível - me surpreendo com suas palavras, acabo deixando algumas lágrimas cair. Eu sabia que precisava ajudar minha família, eu prometi que iria ajudar, abandonei os estudos, meu antigo trabalho. Tudo para esse tratamento do câncer.

— Ela gostou de você - começo a soluçar com o choro. — Eu queria que ela estivesse melhor, para você ver o quanto ela é hiperativa.

— O que houve com seu pai? - essa pergunta inesperada, faz com que eu chore mais ainda, quando penso que não consigo mais aguentar sinto Matt se aconchegar de joelhos ao lado da minha cama. Ficando com seu rosto perto do meu.

— Meu pai nos abandonou quando soube da doença de Savannah, ele dizia que não iria gastar dinheiro com ela... foi embora sem deixar nada, tivemos que recomeçar. As vezes eu minto que meu pai morreu, só para não lembrar de como eu o odeio tanto por não ter coragem o suficiente de ter ficado. Estamos a uns meses juntando o máximo de dinheiro possível para o tratamento de Savannah, mas não é nada barato. Ele nem se quer ligou para perguntar se ela estava viva ainda... — eu estava prestes a terminar de contar quando sua mão vai até minha bochecha para limpar as lágrimas.

— Minha irmã foi embora, pois eu estava maluco. Eu sei que as vezes ainda não sou cem por cento, mas fico triste dela ter se mudado. Minha mãe tinha ficado aborrecida com ela, mas meu pai deixou ela ir. Elizabeth a filha do meu padrinho sempre esteve comigo nos momentos mais difíceis da minha vida.. quando eu namorava Sofhia, eu estava com planos de noivar.. ela era tudo para mim.. mas um dia recebi um telefonema dizendo para ir no parque da reserva, então eu fui no horário em que me disseram e encontrei Sofhia com um outro cara. Ela estava me usando por causa do meu dinheiro, eu tinha uma empresa que com ajuda do meu pai eu fundei. Tudo estava indo tão bem, mas vê-la se esfregando com outro cara me fez perder a cabeça. Briguei com os dois e fui para um bar beber, acabei arranjando confusão e me expulsaram. Quando eu estava no carro voltando embora eu resolvo jogar meu carro de uma ponte. Eu achava que podia acabar com o meu sofrimento, mas no fim.. foi ai que tudo começou - confessa.

Nós éramos duas pessoas complicadas, isso já dava para se perceber. Ninguém mais fala nada, enquanto o silêncio reinava por alguns minutos, sinto sua respiração pesada no meu ombro. Será que ele ia fazer o que eu estava pensando?

Querida BabáOnde as histórias ganham vida. Descobre agora