NONA: USE SOMEBODY

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Ela era a criatura mais linda em que eu já pusera meus olhos.
Ela era minha melhor amiga desde que eu me lembrava, mas isso não me impedia de ter sonhos - se é que vocês me entendem - com ela desde o primeiro momento que eu a vi. Desde a oitava série, pra falar a verdade.
Eu aproximei-me dela na tentativa de tentar conquistar-lhe um beijo. Ela já era maravilhosamente linda, seu corpo ainda estava em formação, mas ela simplesmente me fazia delirar em pensamentos que só adolescentes de 14 anos podem achar sexy. Enfim, aproximei-me dela com piadinhas e ela me achou divertido. Desde então eu venho vivendo o dilema do "entrou na area da amizade, não sairá mais".
Ela sempre me apresenta suas amigas. É fácil, eu só preciso pensar que elas são a minha garota. Só que, depois de algumas amigas apresentadas, eu descobri que ela só fazia isso quando estava com um cara novo e isso começou a me deixar chateado. Ela é desse tipo de garota que gosta de encontros quadruplos pra quebrar o gelo e quem melhor pra quebrar o gelo que seu melhor amigo?
Seis anos depois, eu já me conformava com isso, mas não impedia-me de sonhar com seu rosto próximo ao meu...
Neste dia, porém, eu abri a porta do meu apartamento depois de vários segundos de um "ding-dong" impaciente para ver seu rosto transformado em um carranca de raiva. E ela ainda conseguia ficar bonita.
Como um furacão, ela entrou no meu apartamento sem que eu a convidasse - não que ela precisasse disso, como ela mesmo demonstrara.
- Você não sabe o que aquele idiota... ARG! - Ela urrava e bufava de raiva.
Ah, esqueci de comentar. Eu também era o cara que tinha que ouvir todas as brigas ou juras de amor que ela tinha com os namorados. É, minha gente, minha vida é difícil.
- Ok, Katrina, calma e respira. - Eu disse, fechando a porta. - O que aconteceu?
Quando olhei-a, novamente, ela andava de um lado para o outro em frente à bancada da minha cozinha, passando as mãos no cabelo, claramente transtornada.
- Aquele I-D-I-O-T-A do Daniel estava com uma menina na festa!
Ok, vamos voltar. Katrina morava no campus da faculdade, onde tinha um milhão de festas. Eu morava em um apê próximo e minha preguiça de hoje não tinha me permitido andar até a faculdade para pegar garotas que eu levaria pra minha casa e bagunçariam minha cama para que eu arrumasse. É, eu estava mesmo com preguiça. E o Daniel, pelo o que eu me lembrava, era o atual ex-namorado.
- Vocês não tinham terminado? - Eu perguntei.
Ela nem ao menos parou ou se abalou.
- Mas só tem TRÊS DIAS! E ele ficou com ela na MINHA FRENTE.
Eu tentei não rir, sério. Mas que mal havia nisso? Ele era um cara, tinha terminado com a namorada... Era claro que ele ia comer a primeira que passasse na frente dele, não importava que tipo de garota era.
- E qual o problema nisso? - Eu perguntei, segurando o riso porque ela estava começando a transferir a raiva pra mim. Eu vi no olhar dela.
Ela parou, sacudindo uma mão com raiva enquanto a outra jogava seus cabelos negros para trás. Ela estava segurando o choro, eu podia ver. E, mesmo assim, ela era a mais linda de todas as garotas que eu já havia colocado meus olhos sobre. Eu queria abraçá-la, dizer que tudo estava bem, mas eu não consegui me mexer.
- Ele devia estar numa especie de resguardo, ok? - Ela murmurou, parecendo estar se acalmando. - Veja só eu, eu nem estou pensando em nada de garotos e essas coisas, ele devia estar assim também.
Mordi o lábio para não rir. Ela, claramente, não havia aprendido nada sobre garotos na vida dela.
- Se você está de "resguardo" - Fiz aspas no ar só para entoar melhor - Por que foi à tal da festa?
Quando ela respondeu, eu quase não ouvi:
- Eu-sabia-que-ele-ia-ficar-com-alguém - Ela disse, embolando as palavras.
Não foi possível não rir.
- Certo, recapitulemos - Eu disse. - Você sabia que ele ia ficar com alguém, foi na festa pra confirmar e ainda está com raiva?
- DÁ PRA PARAR DE ME FAZER PERGUNTA DIFICIL E ME APOIAR? OU EU VOU EMBORA E...
- OK! - Eu cortei-a, berrando por cima da voz dela e levantando minhas mãos pra que ela se acalmasse - Tenho algo que você vai gostar.
Ela franziu a testa pra mim, mas eu apenas sorri, andando lerdamente para minha geladeira. Eu estava guardando aquela garrafa pra levar pra casa da minha mãe no aniversário dela, mas eu podia comprar outra depois.
Com uma mão, juntei umas cinco latinhas de cerveja debaixo do meu braço - estoque especial de macho - e com a outra, peguei a garrafa de vinho.
- Oh, que ótimo! - Ela exclamou, avançando em mim e arrancando uma latinha de cerveja.
Quase deixei cair todas as outras.
Ela, com um sorriso e abrindo a latinha, sentou-se na bancada ao mesmo tempo que eu consegui me equilibrar e abandonar as bebidas todas no mesmo lugar. Eu só vi que ela bebera toda a latinha em um gole só quando ela deixou que a mesma, vazia, caísse distraidamente da bancada. Fingi não me chocar com aquilo enquanto eu tentava abrir a garrafa do vinho.
Ela olhou pra mim, arqueando a sobrancelha, quase como se quisesse perguntar "vai reclamar?", mas eu apenas sorri, então ela não me atravessou nem um olho, abrindo a segunda latinha.
- Deixe algo pra mim - Eu disse.
- Sei que você tem mais - Ela me deu língua. - Não tem música nessa casa?
Revirei os olhos, rindo. Terminei de abrir o vinho e atravessei a bancada, indo até a sala e ligando o som na estação de rádio que eu mais gostava. Quando voltei-me para ela, ela já estava atracada à garrafa de vinho.
- Me dá um pouco desse vinho, vai? - Eu pedi à ela, colocando minha mão inocentemente em sua coxa enquanto me aproximava dela.
Ela fez careta e apontou com o queixo para as latinhas de cerveja restantes. Tinham três.
- Deixei cerveja pra você.
- Só um pouquinho?
Ela revirou os olhos ao meu sorriso.
- Abre a boca - Mandou.
Aproveitei-me pra chegar ainda mais perto dela e abri minha boca enquanto ela segurava meu queixo e despejava uma quantidade miserável de vinho na minha boca.
Ok, eu sei que ela é minha amiga, mas eu nunca disse que não tirava uma casquinha dela de vez em quando, disse? Eu sou homem, porra, e ela é muito, mas muito gostosa mesmo.
Eu não sei bem como aconteceu, mas meia hora depois, eu estava sentado na bancada e ela estava agarrada à garrafa de vinho - Que, agora, ela já dividia comigo sem charme, andando pelos banquinhos. Eu estava um pouco menos bêbado que ela e preocupado que ela se desequilibrasse e caísse, então lhe dei a mão. Ela parou no banquinho à minha frente, meio que entre as minhas pernas e isso foi o suficiente pra me fazer arregalar os olhos. Ela não precisava fazer mais nada, mas, bom, era da Letícia que estávamos falando, certo?
Ela debruçou-se sobre mim e eu quase tive que jogar meu corpo para trás pra poder me controlar. Mas que merda! Ela não podia estar menos bêbada e mais ciente de si mesma?
- Vamos dançar! - Ela disse, apenas.
Ela largou a garrafa de vinho ao meu lado e saltou do banquinho pra chão com uma alegria muito estranha. Sorrindo meio abobalhado com ela, eu a segui. Quero dizer, eu não precisava estar bêbado para segui-la e fazer tudo que ela queria, eu normalmente fazia todas as suas vontades mesmo.
Então, ficamos dançando em risadas por um tempo. Nós estávamos bêbados mesmo. Totalmente. Tropeçávamos em nossos próprios pés, riamos de coisas idiotas e continuávamos dançando. Era divertido e, ao mesmo tempo, torturante. Eu não sei, ela estava bêbada, mas, de alguma maneira, parecia mais insinuante. Talvez fosse coisa da minha cabeça ou do meu estado de bêbado. Ou talvez fosse mesmo ela, bêbada e querendo se provar que era querida pelo que passara com o ex-namorado agora a pouco. Eu não saberia dizer.
Mas quando ela tropeçou com mais força, me desequilibrando e me fazendo cair com ela por cima de mim com cada perna em um lado do meu corpo, eu vi estrelas. Ela era uma Deusa na Terra, com seus olhos brilhantes sobre mim e a cascata negra de cabelos caindo pelos lados do seu rosto. Eu esperava que ela risse; o normal seria que ela o fizesse, mas sua boca apenas se moveu em um confuso "o" de quem não sabe exatamente o que fazer. Muito parecido com o meu. E, então, quando eu estava começando a cogitar a hipótese de colocá-la em um táxi e mandá-la pra casa antes que nós dois fizéssemos besteira, ela olhou para os meus lábios.
Eu sabia exatamente o que aquilo significava, eu já havia passado o suficiente com mulheres pra saber. E em um momento de total loucura, desejando-a e sentindo que ela também me desejava, eu empurrei meu corpo para frente, apoiando um de meus braços em triângulo no chão, eu encostei nossos lábios.
Eu esperava, de verdade, que ela recobrasse a razão, me empurrasse e dissesse que estava indo pra casa e que nós conversaríamos depois. Mas, de alguma maneira, ela apenas soltou um grunhido estranho e mordeu meu lábio inferior, praticamente implorando que eu aprofundasse o beijo. Se eu fosse um cachorro, eu uivaria, de verdade. Mas como eu era um cara, eu grunhi um gemido contido e me sentei, agarrando sua coxa com uma das mãos e seus cabelos com a outra, beijando-a fervorosamente.
Senti suas mãos em meu peito, deslizando pelo meu ombro, enquanto ela correspondia ao meu beijo com o mesmo fervor. Senti seus dedos em minha nuca, as unhas lanhando-a de leve e escorreguei minhas mãos para sua cintura, tentando puxá-la ainda mais pra perto de mim.
Ela gemeu lindamente e eu cheguei a parar de beijá-la, embasbacado demais com o som. Pelo pouco que eu via através de minhas pálpebras semi-fechadas, ela sorria pra mim, como se estivesse contente de ver minha cara abobalhada.
Ela está bêbada! Eu ralhei comigo mesmo. Ela vai te odiar pela manhã, pare com isso agora!
Eu simplesmente não conseguia desgrudar os lábios dela, mas eu vacilei, tentando encerrar o beijo. Como se ela percebesse minha hesitação, ela escorregou as mãos pelo meu peito, parando-as na barra da minha blusa e enfiou-as por debaixo. Ela pulou em meu colo, esfregando seu sexo no meu.
- Juliano - Ela sussurrou, levando os lábios para minha orelha.
Porra. Porra. Porra. Como eu poderia sequer pensar em parar? Merda. O que eu podia fazer?
Ela não sabe o que está fazendo! Você sabe que ela não te quer! Ela nunca mais vai te perdoar! Minha cabeça gritava comigo.
Eu queria parar antes que fosse tarde demais, mas ao mandar a ordem ao meu corpo, ele apenas respondeu se pondo a beijar o pescoço maravilhosamente exposto dela.
- Ah, Juliano - Ela gemeu aos meus beijos.
Os beijos viraram chupões nesse exato momento, meu corpo se arrepiando todo à menção de meu nome na voz dela, tão deliciosamente envolvido aos seus caprichos. Suas mãos correram de meu pescoço à minha nuca, arranhando toda a extensão, levando minha camisa junto, e se puseram a puxar meus cabelos com força. Com mais um gemido rouco de ambos, ela começou a se movimentar para frente e para trás em meu colo, esfregando-se contra meu pênis já totalmente excitado.
Foda-se. Eu disse a mim mesmo. Eu também estou bêbado!
- Você não pode ser real - Eu murmurei, tentando me conter.
Ela apenas sorriu antes de jogar a cabeça pra trás, entorpecida com os próprios movimentos em meu colo. Eu estava completamente sem razão alguma, cada segundo mais louco por aquela mulher que eu desejara há tanto e que agora estava em meus braços. Eu me sentia quase virgem, sem saber o que fazer com ela e ela nem parecia se importar com a minha indecisão, tomando suas próprias iniciativas.
Foi em uma dessas que ela fez minha mão escorregar para debaixo da sua blusa. E isso foi o suficiente para que eu arrancasse-a pela cabeça, agarrando seus seios por cima do sutiã, com as duas mãos. Ela arfou, segurando um gemido e agarrou meus ombros nus com força, como se estivesse tomando cuidado para não se desequilibrar. Então, com um sorriso bobo meu, eu tirei-lhe o sutiã, contente de estar fazendo-a sentir prazer, e levei minha boca aos seus seios.
Ela gemeu bem alto em minha orelha quando minha língua passou levemente pelo bico do seu seio, parando de se movimentar contra mim para me agarrar e continuar gemendo. Mordi-lhe o seio, meio descontrolado demais, ouvindo-a arfar e quase gritar às minhas caricias.
Respirei pesadamente, voltando a beijá-la. Levei minhas mãos ao cós do short dela, desabotoando-o e correndo o zíper para quando fosse conveniente arrancá-lo sem que ela percebesse e agarrei sua bunda, tentando me levantar com ela no colo.
Ok, certo. Eu podia estar esperando isso há seis anos e eu, obviamente, não ia deixar aquilo acontecer no chão, por mais confortável que eu estivesse.
Katrina riu ao sentir que eu estava tentando me levantar - sem sucesso - e pulou de meu colo. Ela saiu rebolando até minha cama que, de onde estávamos dava pra ver pela porta aberta do quarto. Durante o caminho, seu short caiu, mas ela não pareceu se importar, apenas pulando por cima dele.
Ela se sentou na cama e sorriu pra mim, chamando-me com o dedo. Só então que eu percebi que eu devia parecer um retardado, jogado ao chão com cara de idiota e um volume muito suspeito na calça.
Tentando me controlar, levantei-me e andei até ela. Parei em sua frente, curvando-me para empurrá-la e deitar sobre ela (e eu estava muito ansioso pra fazer isso), mas ela me empurrou, levando uma das mãos à abotoação da calça e a outra à minha ereção. Eu joguei minha cabeça pra trás, sem conseguir conter gemido algum enquanto ela acariciava meu pênis por cima da calça e, ao mesmo tempo, a abria. Não demorou muito pra calça cair ao chão e ela se distrair com o elástico da minha cueca.
O sorriso malicioso dela me dizia exatamente o que ela queria, mas eu fechei a cara para aquilo. Não, não mesmo, por mais que ela me provocasse, eu não deixaria ela fazer boquete algum em mim. Quero dizer, não bêbada. Se algum dia ela estiver sóbria e quiser... Bom, outro caso.
Então, após ela descer minha cueca e antes que ela se curvasse sobre mim, eu a empurrei e deitei em cima dela. Contrariada, ela socou-me os ombros, mas eu insinuei minha ereção contra sua vagina e os socos, instantaneamente, se transformaram em unhadas enquanto ela gemia.
Céus, eu não me acostumaria com isso. Meus pelos da nuca estavam eriçados demais e eu podia sentir meu corpo implorando que eu parasse de enrolar e andasse logo com aquilo. E por mais que eu quisesse estender à eternidade, eu sabia que eu não agüentaria por muito tempo. Alias, nem ela.
Com esse pensamento, deixei que ela beijasse meu pescoço, ensandecida, enquanto eu me esticava para pegar uma camisinha na minha cabeceira. Como diriam meus amigos: Louco, mas não maluco.
Quando eu me afastai para colocar a camisinha no meu pênis, ela tentou, novamente, se curvar sobre ele e eu tive que segurá-la pelos ombros e colocar a camisinha ao mesmo tempo, então decidi que beijar seus seios poderia distraí-la o suficiente, e deu certo.
- Eu quero - Ela sussurrou, meio choramingando e eu tentei não sentir meu corpo todo se arrepiar com a idéia de senti-la sugando-me.
Eu sacudi a cabeça com força e puxei sua calcinha para baixo e vi que ela prendera a respiração. Sorri, entre beijos, e a penetrei.
Era tão bom que chegava a ser incomodo, quase irreal. Eu não esbocei reação alguma, sentindo a se contorcer e gemer embaixo de mim enquanto eu me movimentava instintivamente sobre ela. Não podia ser possível sentir todas aquelas coisas ao mesmo tempo e ainda ser um bêbado.
Senti-a agarrar meus ombros e, então, ela cravou os dentes em meu pescoço, acordando-me do meu torpor. Gemi o mais alto que achei que eu já me ouvira gemer e ela gemeu em reflexo, mordendo minha orelha.
Céus, como aquilo era bom.
E como tudo que era bom pouco durava, eu não agüentei muito antes de gozar. Quero dizer, não que eu fosse um fraco, mas eu nunca tinha sentido tanto prazer e, bom, não foi fácil segurar e esperar que ela estremecesse em meus braços pra poder acabar com aquilo. Não que eu quisesse acabar com aquilo, né? Mas, bom, eu ao menos consegui vê-la totalmente descontrolada com o prazer que eu havia lhe proporcionado antes de me jogar para o lado e passar minha mãos pelos meus cabelos, totalmente cheio de culpa.
Eu havia me aproveitado da bebedeira dela e eu tinha gostado demais. Eu podia dizer que ela também, mas eu nem sabia se ela conseguiria se lembrar daquilo na manhã seguinte.
Ela pareceu incomodada com o meu afastamento e rolou para perto de mim, encostando a cabeça em meu peito e suspirando suavemente. Ela logo adormeceu, enquanto eu acariciava suas costas.
Eu também dormi logo, embalado pelo torpor da bebida e o prazer ardente recente.

- Merda! - Eu ouvi a voz dela dizer e eu acordei em um pulo.
Quero dizer, eu não acordei no pulo. Eu não pulei, mas eu acordei e fiquei olhando pra ela, quase com medo da reação que seguiria aquela.
- Juliano... - Ela sussurrou, virando se pra mim.
Eu fechei os olhos com força. Eu conhecia aquele tom. Ela estava pedindo desculpas. Desculpas pela melhor noite da minha vida. Por um momento, desejei que ela tivesse ficado com raiva. Achei que seria melhor.
Ela encostou a mão em minha barriga, me sacudindo levemente, como se achasse que eu ainda estava dormindo. Ao me ver abrir os olhos, ela mordeu o lábio e voltou a se deitar sobre o meu peito.
- Me desculpa?
Tão implorativa, tão arrependida. Eu não conseguia nem pensar em me arrepender.
- Não tem nada pra pedir desculpas. - Eu sussurrei. Minha voz saiu grossa demais.
Senti-a encolher em meu peito, mas não tive coragem de abraçá-la. Ela suspirou pesadamente e escondeu seu rosto em mim. Eu achava que ela estava prestes a chorar e ela partiria meu coração em mil pedaços se ela o fizesse, mesmo sem fazer.
- Nós fizemos merda, não foi? - Ela me perguntou, depois de um tempo.
Respirei fundo.
- Não acho que tenha sido merda - Surpreendi-me dizendo. - Foi muito bom pra ser merda, se você quer saber.
Eu esperava que ela ficasse com raiva ou chocada, então quando eu ouvi a risada baixa dela, o nariz dela fazendo-me cócegas ao roçar em minha pele, eu surpreendi-me.
- Foi bom mesmo - Ela sussurrou. - Você tem pegada.
Aquilo me fez quase sentar na cama pra olhar pra ela. Ela simplesmente sorria pra mim, docemente.
- O-o-obrigado - Eu disse. - Você... Bom, você foi realmente ótima.
Ela deu de ombros, como se fizesse pouco caso. Eu queria curvar-me e voltar a beijá-la, agora que eu sabia que ela tinha gostado. Eu não estava pensando direito.
Katrina suspirou e o divertimento sumiu de seus olhos. Ficaram quase sem brilho quando ela me encarou.
- Não quero perder sua amizade por causa disso - Ela sussurrou, olhando pra baixo.
- Não vai - Eu prometi.
Não ia mesmo. Porque, depois daquela noite, eu ficaria muito mais obcecado em ficar ao lado dela que antes, mesmo que sem poder tocá-la como eu queria.
- Isso não vai acontecer de novo. - Ela disse.
- Imagino que não - Mas esperava que sim.
Ela pareceu satisfeita com as minhas respostas e relaxou, abraçando-me. Ela não pareceu se incomodar de ainda estarmos nus e adormeceu enquanto eu acariciava as pontas de seus cabelos, meus dedos roçando levemente em suas costas.
Eu não dormi. Não podia perder nenhum segundo daquilo. Eu não sabia quanto tempo eu ficaria sem sentí-la em meus braços de novo...

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