OITAVA: O ACAMPAMENTO

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- Você perdeu, tem que ir. - Ele riu, malicioso.
Aline estava sem saída. Ele, provavelmente, pediria algo muito pior se ela se negasse, então ela simplesmente empurrou todas as cartas pro chão antes de dizer:
- Certo, então. - Ela deu de ombros. Cobriu-se com uma toalha enquanto ele colocava a blusa de volta. Sairam da cabana. Ela tremeu de frio. A toalha não aquecia e o fato de estar apenas de calcinha e sutiã por baixo também não ajudava.
Eles simplesmente se odiavam. Não tinham o porquê passar tempo juntos, mas, infelizmente, as constantes brigas no acampamento fizeram com que eles ficassem pra trás na excursão que o resto da cabana deles fizera para um show de qualquer uma banda perto dali. Excursão, aliás, que era ilegal, fora apenas uma bondade do instrutor visto o choramingo das meninas. Bondade, essa, que ele não distribuiu aos dois, que ficaram entediados o suficiente até cogitarem a hipótese de conversar um com o outro. Conversa que levou a uma briga e a uma disputa de strip-poker, a qual Aline acabara de perder. E era hora da prenda.
Andaram em silêncio em direção ao cais e pararam bem à beira.
- Sua deixa - ele sorriu, olhando pra ela, que por sua vez, mantinha-se sem expressão.
Deslizou a calcinha pernas à baixo e sentiu o olhar dele perseguir o movimento. Se enrolou um pouco mais para tirar o sutiã, mas logo estava sem ele também. Ainda enrolada à toalha, deu alguns passos à frente, virou o rosto para trás, em direção ao garoto, sorriu maliciosamente e se jogou no lago, rapidamente, tão rápido que ele só soube que ela havia pulado sem toalha quando a viu jogada onde antes a garota estava.
Aline submergiu, alguns segundos depois e se assustou. Não havia Velato, não haviam roupas.
- Merda, e agora?
Ela pôs-se a pensar. Haviam duas possibilidades. Uma, esperar até de manhã e encontrar uma alma bondosa. Mas aí teriam almas maldosas que a zoariam pelo resto do acampamento. Duas, sair do lago assim e torcer pra que ninguém a visse. Mas essa seria uma péssima idéia, pois, sem dúvidas, o garoto a estaria esperando, acordado, deitado em sua cama e rodando sua calcinha nos dedos. Estremeceu com a idéia. Não, ela não podia negar que ele era irresistível, por mais irritante que ele fosse.
Havia uma terceira possibilidade. Não custava nada tentar.
- Marcelo? - Ela chamou, alto suficiente para que ele a escutasse, se estivesse escondido atrás dos barcos, como ela acreditava que estaria. - Marcelo, por favor, não me deixe aqui. Eu faço qualquer coisa!
Foi quase como se ela estivesse o chamando para o jantar. Ele, instantaneamente, saiu de trás dos barcos com um olhar safado e um sorriso malicioso. Sua toalha estava jogada sobre os ombros dele. Ele caminhou até a beira do cais, onde ela se encontrava encolhida, mais pelo frio que pela vergonha. Encarou-a.
- Qualquer coisa? - ele perguntou em um tom que a fez tremer da cabeça aos pés.
- Qualquer coisa. - Ela sustentou o olhar.
O sorriso dele aumentou assustadoramente.
- Certo, saia daí. - Ele falou, mais ordenando do que qualquer coisa.
- Mas e...
- Você disse qualquer coisa!
Ela suspirou, levou as mãos à borda do cais e impulsionou o corpo pra cima. Rapidamente, Marcelo puxou o corpo dela de encontro ao dele, abraçando-a pela cintura. Ela tremeu, levemente.
- Frio? - ele perguntou, mantendo os rostos o mais próximo que ele conseguia, sem beijá-la.
- Também - ela respondeu, não conseguindo piscar. Os olhos verdes do garoto haviam fisgado-a e ela não conseguia mais desviar o olhar deles.
Mas foi ele quem quebrou o contato, virando-se para a toalha e jogando-a contra as costas nuas da garota. Ele se afastou, levemente, para que ela pudesse se enrolar - e para que ele conseguisse ver alguma coisa antes que ela o fizesse.
- Acabou? - Ela perguntou, temerosa. Fora pouco demais.
O sorriso malicioso voltara aos lábios dele com essa pergunta.
- Nem começou ainda.
Ela piscou, repetidas vezes, tentando absorver a informação, enquanto ele a puxava pela mão em direção à uma das trilhas que começava ali perto.
Nem sentiu quando foi jogada contra uma das árvores, já fora da trilha, de tão leve e gentil que foi. Tão gentil que ela nem imaginava que ele pudesse ser. Ela apenas soube o que estava acontecendo quando sentiu os lábios e a lingua do garoto brincarem livremente em seu pescoço. Suspirou pesadamente, sentindo ele pressionar seu corpo contra a árvore com mais força, se concentrando em dar chupões em seu pescoço. Provavelmente para deixar marcas. Pensou.
- Isso é quase um estupro - Ela disse, fracamente.
Ele riu, deixando o pescoço dela, fazendo com que ela soltasse um muxoxo de desaprovação. Mas, logo em seguida, ela sentiu ele dando pequenas mordidinhas no lóbulo da sua orelha.
- Eu só vou chegar tão longe... - Ele sussurrou, entre uma mordida e outra - Se você não souber quando me parar.
Ela sentiu as pernas fraquejarem e envolveu os braços em torno do pescoço dele e isso fez com que a toalha escorregasse em direção ao chão.
- Opa. - Ele sorriu, se afastando um pouco dela para acompanhar o trajeto que a toalha havia feito. Encarou o chão por alguns milésimos de segundos e voltou a encará-la, sorrindo mais ainda. Pigarreou, voltando para perto, puxando uma das pernas dela na altura da cintura dele com uma das mãos, mantendo a outra apoiada na árvore e a beijou.
Ela correu as mãos pelo peitoral dele, desabotoando a blusa que logo foi fazer companhia à toalha, no chão. Ele voltou a pressioná-la contra a árvore e ela sentiu que ele estava tão excitado quanto ela parecia estar.
Gemeu baixinho quando ele encerrou o beijo e encostou a testa na dela.
- Você não... acha que... eu estou.... muito... vestido? - Ele perguntou, ofegante.
Ela mordeu o lábio inferior, descendo as mãos lentamente pelo peitoral e pela barriga do garoto e vendo a maneira com que o corpo dele reagia ao toque dela. Levou as duas mãos ao botão da calça jeans e abriu-o, correndo o ziper. Instantamente, ela caiu no chão. Uhm, calças largas, mais prático pra tirar.
Levantou o olhar de volta pros olhos dele e ele sorriu mais maliciosamente que nunca. Encostou a boca no ouvido dela e sussurrou.
- Essa era sua deixa pra fugir, sabe?
Ela sorriu e pôs se a beijar o pescoço dele, jogando-o contra a árvore à frente da que eles estavam e fazendo com que ele soltasse a perna dela. Desceu os beijos pelo peito do garoto, ouvindo-o respirar mais pesadamente. Passou pela barriga, sentindo-o contraí-la inconscientemente. Descer até a barra da boxer que ele usava, mordendo e lambendo por debaixo da barra. Ouviu-o grunhir.
Ela sorriu, maliciosamente e se levantou, dando-lhe um selinho.
- Boa noite, Marcelo! - Virou-se, correndo, pegou as roupas dele, enrolou-se na toalha e correu de volta ao dormitório o mais rápido que pôde, deixando o garoto mais que frustrado para trás.
Chegou ao dormitório vazio e a primeira coisa que fez foi encher a escada que ligava a cama dela a dele do melado que havia estocado embaixo da sua cama para fins provocativos. Só então foi se vestir. Teve tempo suficiente para pegar a roupa que ela havia deixado jogada na cama mais cedo e se deitar antes da porta abrir novamente.
Ele caminhou o mais silenciosamente possível até a beirada da cama dela. Sentou-se no colchão. Aline prendeu a respiração quando sentiu a mão dele em seus cabelos e deslizando em direção ao rosto, acarinhando-a. Segurou-se para não suspirar, parar de respirar, abrir os olhos ou fechá-los com demasiada força.
- Por que você tem que ser tão teimosa? - Ele perguntou, baixinho, suspirando.
Ela se segurou para não abrir os olhos, não abraçá-lo ou algo do genero. Apenas o ouviu bufar mais alto e se levantar. E então o barulho estrondoso dele caindo ecoou no dormitório ainda vazio. Aí sim ela abriu os olhos e se sentou na cama, deixando o lençol cair.
- Divertido - Ela riu, tentando provocar a ira do garoto.
Ele saculejou a cabeça, levantou e subiu para a sua cama sem o auxilio das escadas. Aline franziu as sobrancelhas. O que havia acontecido?
Ela deitou a cabeça no travesseiro e suspirou pesadamente. Por que ele estava agindo assim? E por que diabos ela tinha vontade de estar na cama de cima?
Fechou os olhos e tentou dormir, virando-se de lado. Ouviu uma pacanda leve ao lado da cama, mas não se mexeu. Até que sentiu algo úmido em sua orelha e se viu sendo forçada a deitar de costas na cama.
- O que...? - Ela perguntou, abrindo os olhos.
- Fica quietinha - Ele mandou, descendo os beijos até o pescoço.
- MARCELO! - Ela urrou - ME SOLTA!
- Não, eu não 'tô satisfeito - Ele largou o pescoço e pôs-se a mordiscar a boca da garota.
- Velato... - Ela sussurrou.
- Já disse pra você ficar quietinha. - Ele disse, parando de mordiscá-la para beijá-la.
Ela começou a socá-lo nos ombros, enquanto ele a beijava.
- Não seja dificil, vai? - Ele perguntou, entre beijos, mas ela continuou a socá-lo. Então ele pegou os braços dela e socou-os na cama. - Eu sei que você também quer, só se renda. - Ele findou o beijo e esfregou o nariz no dela - Vamos parar com essas briguinhas, nós sabemos que nos gostamos.
- Sa...bemos? - Ela gaguejou. Ele riu.
- Tolinha. - Mordiscou o lábio e voltou a beijá-la com força. Ele juntou os braços dela em uma só mão e correu a mão livre até a coxa, fazendo ela dobrar a perna, acompanhando o corpo dele. Mordiscou os lábios dela enquanto forçava um pouco o corpo nela pra provocar, o que conseguiu, porque ela gemeu baixinho. - Posso soltar você sem que você me bata? - Ela murmurou algo em resposta, que ele imaginou ser algo afirmativo. Então soltou-a. Ela levou uma mão ao cabelo dele, puxando, e a outra foi pra debaixo da blusa dele, arranhando. - Agora isso está bom. - Ele riu, apertando a cintura dela com a mão que havia ficado livre.
- Eu acho que a gente devia parar - Ela sussurou, quinze minutos depois, enquanto ele tentava deixar marcas no pescoço dela.
- Uhm? - Ele se assustou, levantando a cabeça - por que?
- Não estou confiante - Ela disse, convicta.
- Confiante? - Ele riu, anasalado, quase em desespero - Você precisa estar confiante pra fazer isso?
- Não ria - Ela implorou - Eu só... tive algumas... poucas... experiências ruins.
Ele suspirou e jogou o corpo pro lado, puxando-a pra deitar em seu ombro.
- Com aquele idiota do time de futebol, certo? - Ela arregalou os olhos pra ele, mas confirmou - Ele costumava se gabar disso, um idiota. - Ela torceu o nariz. - O que ele fez, afinal, além de nascer?
Ela revirou os olhos pro 'além de nascer'.
- Bom, ele me machucava. Muito. - Ela deu de ombros - Eu fugia dele na maior parte do tempo, mas, as vezes, ele... Uhm... Me obrigava.
Marcelo arregalou os olhos, mas nada disse. Se aproximou dela e beijou-lhe o nariz.
- Eu não vou machucar você, seja lá quando for que você se sentir confiante - Ele sorriu - Tudo ao seu tempo... A gente acabou de parar de brigar.
Ela olhou pra algum ponto muito interessante na parede. Não podia negar que seu coração estava batendo meio descompassado desde o momento que ele a abraçara, lançando-a um olhar desejoso. Ela não podia negar que queria aquilo, não podia negar que os olhos dele deixavam um rastro de fogo por qualquer parte do corpo dela que ele olhasse. Era isso.
Ela voltou a encará-lo. Seus dedos, ainda ligeiramente gelados, ecorregaram pelo ombro e braço nu do garoto. Ele mantinha os olhos grudados nos dela, hipnotizado, encantado. Ela levantou a cabeça levemente, encostando os lábios nos dele. Ele demorou alguns segundos, ainda meio tonto sobre os efeitos dela, pra corresponder e assim que ela sentiu a intensidade que só ele conseguiria colocar no beijo, levou a mão livre à nuca dele, acariciando-a e puxando seus cabelos levemente.
Assim, ela distraiu-o suficientemente para girar com ele na cama e ficar por cima, com uma perna em cada lado do seu corpo e sentada exatamente em cima da sua ereção. Ligeiramente entorpecida, ela ficou ereta e tirou a camisola lentamente, para então olhá-lo.
Os olhos dele quase a deixaram com vontade de chorar. Eles brilhavam de uma especie de paixão reprimida de muito tempo. Parecia que, pra ele, o sentimento era muito menos inconsciente que para ela. Era quase real.
Então ele se sentou, tocando nos seios dela levemente e ela jogou todo o seu corpo para trás e apenas não caiu porque ele a envolveu com seus braços e a puxou mais pra perto, enquanto grudava os lábios em seus seios.
A garota, ensandecida, gemeu, quase arrancando os cabelos dele. Ele apenas continuou a beijar-lhe os seios, subindo pelo colo, ombros e pescoço até alcançar sua orelha e mordiscá-la.
- Vou ter que te pedir pra me despir de novo? - Ele arfou, em seu ouvido.
Foi totalmente visível a altura em que o peito dela se levantou com o montante de ar que ela respirou pra tentar controlar as tremedeiras que a voz dele provacara. Então ela apenas deslizou as mãos pelo peitoral dele, vendo-o se contorcer com o contato e ouvindo-o gemer baixinho no ouvido dela.
Sua mão chegou ao elástico da boxer que ele usava. Ele girou com ela de volta à posição inicial com um sorriso. Isso facilitou e muito na retirada da última peça que havia ficado entre os dois.
Ela mordeu o queixo dele, ligeiramente apreensiva. Ele analisou a expressão dele e lhe beijou no canto dos lábios, tentando tranquilizá-la.
- Você tem certeza? - Perguntou, carinhosamente, passando os dedos pelo cabelo dela.
Ela deu um sorriso meio inseguro, mas concordou com a cabeça.
- Vou me arrepender se eu disser que não - Ela sussurrou.
Ele esfregou o nariz no dela.
- Eu posso esperar um pouco mais, se você quiser - Ele disse.
Ela sorriu, encantada que ele fosse tão carinhoso. A maior parte do tempo que ela passara com ele era entre discussões, brigas e pequenas peças. E agora, lé estavam eles, abraçados e sussurrando palavras bonitinhas. Ela quase tinha vergonha disso.
- Eu tenho certeza - Ela disse, com a voz um pouco mais firme.
Ele não pode evitar o sorriso. Sentou-se e esticou-se até conseguir levantar ligeiramente o colchão da cama de cima e tateou até encontrar o que queria: a camisinha. Proteção tomada, ele posicionou-se, uma mão em cada lado do corpo dela e a penetrou.
Quase como instinto de proteção, ela se encolheu esperando a dor que não veio, o que a deixou com uma cara que, se ele não estivesse tão concentrado em suas próprias reações corpóreas, ele a zoaria até a morte.
Incrivelmente, ele a viu e não foi essa a reação que ele teve.
- Está tudo bem? - Perguntou - Você quer que eu pare?
Ela não precisou responder a pergunta com palavras. Grudou os lábios nos dele e movimentou seu corpo, demonstrando que não queria que ele parasse. Antes que ele pudesse pensar em uma reação, seu corpo respondeu por ele, movimentando-se com toda força e agilidade que ele tinha.
Eles eram um só, naquele momento. Não havia briga ou discussão que apagasse aquilo.
E quando eles se deitaram lado a lado na cama de solteiro, se cobriram, sem se importar no quê os colegas iriam achar quando chegassem do show, eles finalmente estavam, depois de anos, em paz.
Marcelo curvou o corpo, olhando a cabeceira.
- O que foi? - Ela perguntou, quase sentando-se para que o edredom não a deixasse descoberta.
Ele sorriu e apontou com a cabeça para o relógio, que marcava uma hora e trinta e quatro da manhã.
- Feliz dia dos namorados - Ele disse, com um sorriso sincero, antes de grudar os lábios nos dela, com uma gargalhada, e a puxar para deitar-se em seu peito nu.

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