A SÉTIMA: IMUNIDADE DIPLOMÁTICA

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'Atenção senhores passageiros do vôo 1794 com destino a Londres, devido à problemas técnicos, o mesmo sofrerá um atraso indeterminado.'
Eu suspirei, cansada, enquanto a voz repetia o aviso. Abandonei meu carrinho de malas ali, bem aos olhos de um dos seguranças do aeroporto e arrastei-me até o balcão de informações,agarrada à minha bolsa. Eu não vivia sem a minha bolsa, ela sempre era a resolução dos meus problemas.
Muito prazer, sou Lorena Salles, filha do embaixados dos Estados Unidos da América no Reino Unido, pessoa com total e completa imunidade diplomática, cujo todo e qualquer problema, atividades ilícitas e etc é rapidamente resolvido com poucas palavras e caso abafado, como eu pretendia fazer exatamente nesse momento.
Eram 16:34 da tarde. Meu vôo iria sair em vinte e seis minutos, antes de ser praticamente cancelado. Eu tinha um grande evento para comparecer em Londres, no dia seguinte e meu pai mataria alguem se eu não aparecesse. Só esperava que 'alguém' não fosse eu.
O balcão de informações havia começado a encher assim que o anúncio do atraso fora feito. Felizmente, além de tudo, eu ainda tinha uma sorte tremenda e era a segunda da fila nesse momento. À minha frente tinha um belo rapaz (embora eu só pudesse vê-lo por trás) vestido com calças largas e blusa xadrez que me chamou a atenção não só por estar gritando loucamente com a atendente, mas também por sua beleza. Inglês, é claro. Seus braços eram fortes e as mãos eram tão grandes que me fizeram imaginar no que seriam capazes de fazer entre quatro paredes. Sacudi a cabeça (apenas porque estava começando a babar), tentando evitar esses pensamentos e meus olhos foram totalmente tomados pela visão da bunda dele. Pequena, empinada e ligeiramente escondida pela calça larga. Foi mais ou menos aí que eu comecei a cogitar a ideia de ser a pessoa a ser morta porque se eu pedisse um cara ao Papai do Céu, ele não seria tão perfeito. Minha imaginação não era tão boa assim.
Ele estava bastante revoltado com o atraso do vôo. Ele mantinha a voz elevada, quase voando pra arrancar o pescoço da pobre atendente. Por um segundo, eu imaginei uma coisa totalmente selvagem e desejei estar do outro lado daquele balcão.
- Eu tenho que chegar à Londres PELA MANHÃ! - Ele gritou. Eu podia sentir que ele começaria a arrancar os cabelos em breve.
- Sinto muito, senhor. Os aviões não estão indo para Londres porque há uma previsão de nevasca na região. Só teremos aviões pela manhã, isso se a nevasca cessar - A atendente informou, tentando parecer tranquila e passar isso para o garoto. Não conseguiu, é claro.
Que merda. Eu ia oferecer carona ao garoto desesperado, mas do jeito que ela estava falando, parecia grave. Talvez eu pudesse esperar mais algumas horas antes de me arriscar. Ou não. Ser morta ou morrer, eis a questão.
- ARG! - Ele bateu no balcão com raiva e virou-se para fila na intenção de ir embora. Eu estava com os meus documentos na mão, pronta pra usar tudo aquilo pra me arrumar um avião particular (ainda pensando em convidá-lo para se juntar à mim nessa jornada), mas desisti no momento em que eu olhei pra ele. O rosto mais perfeito com os olhos Castanhos mais bonitos que eu já havia visto. Era quase surreal que ele estivesse na minha frente, mesmo que carrancudo.
Meus documentos voltaram rapidamente para dentro da bolsa. Eu podia ficar mais algumas horas em Miami, não me importava realmente. Pra falar a verdade, eu já estava quase acreditando em amor à primeira vista. Ou talvez fosse apenas fogo no meu rabo.
Quer dizer, eu devia me importar com o meu atraso (ou que eu acabasse não comparecendo ao tal evento importante do meu pai). Eu podia causar um incidente internacional (sim, eu sou exagerada e dramática) por uma paixonite de aeroporto, mas parecia realmente valer a pena.
Eu caminhei até uma pequena lanchonete que tinha ali perto e comprei dois chás de camomila. Esse era o meu plano, eu precisava de uma desculpa pra falar com ele, certo? Apoiei os copos em cima do meu carrinho de malas e arrastei aquilo tudo pra perto da fileira de cadeiras onde ele estava sentado, puxando os cabelos com força com aquelas mãos maravilhosas, provavelmente tentando afogar a raiva.
Sem babar, Lorena.
Sentei-me na cadeira ao seu lado, cautelosa.
- Olá - Eu disse - Desculpe me intrometer, mas eu notei o seu estresse e lhe trouxe um chá.
Ele me olhou como se eu fosse um E.T. Nesse momento, achei meu plano falho e tentei evitar não babar em seus olhos Castanhos. Eu quase pude escutar a músiquinha de Missão Impossível tocando ao fundo.
- Uhm... Não sei - Ele disse, com a voz rouca.
Vozes roucas me fazem tremer. E era só o que faltava para que eu lhe fizesse um altar e o adorasse. Ok, mentira, ainda faltava ele falar que era músico. Aí sim eu lhe faria um altar (é, eu já estava adorando-o).
- Com'On, eu nem envenenei, olha - Eu bebi um gole do meu chá. - Eu beberia do seu copo se isso não parecesse mal-educado.
Ele pegou o chá, contrariado.
- Obrigado. - Ele disse. Bebeu um gole e pareceu aprovar - Tão estranho alguém ser gentil com quem não se conhece. - Eu sorri, como se aquele fosse o melhor elogio que eu já havia recebido.
- Sou Lorena Salles - Lhe estendi a mão para que ele apertasse. Eu queria que aquelas mãos apertassem muitas coisas além da minha mão, mas, no momento, eu apenas fiquei com medo que ele fosse um antenado em política e reconhecesse o meu nome, mas ele apenas sorriu.
- Evandro Cardoso.
- Quer desabafar comigo? - Eu sorri - Sem querer ser indiscreta e tudo mais, mas as vezes colocar a raiva pra fora é bom.le concordou com a cabeça. Me senti altamente esperta.
- É que eu tenho uma banda e nós temos uma reunião muito importante amanhã que vai definir o futuro da banda e EU NÃO VOU ESTAR LÁ!
Momento de reflexão: altar de madeira ou de vidro?
Depois de uma série de pensamentos obscuros e proibidos para esse horário, eu mordi o lábio. Um estalar de dedos e eu podia fazer ele chegar na hora. E aí eu nunca mais ia vê-lo?
- Uhm... - Eu pensei - Que tal você ligar pros caras da tua banda e pedir pra remarcar pra mais tarde? Você pega o vôo pela manhã e no inicio da noite está lá.
Ele rolou os olhos e pegou o celular.
- Como eu não pensei nisso?
- Nervoso, a gente não pensa quando está nervoso.
Ele sorriu pra mim. QUE SORRISO LINDO. Vou tentar não morrer, por favor, pare de sorrir. Eu vou ter um troço, vou ter que ir ao hospital.
- Faltam garotas como você em Londres. - Ele disse, antes de começar a conversar com um cara chamado Fletch sobre a reunião.
Eu só conseguia pensar que aquilo fora um elogio.
Assim que eu me acalmei, resolvi ligar para o meu pai e torcer que ele entendesse o que estava acontecendo. Tá, eu não ia contar tudo, não ia.
'Você já chegou em Londres?' E esse foi o extremamente educado "alô" do meu pai.
Suspirei fundo, hora de encarar de frente. Ou de fio, tanto faz.
- Não, pai - Eu murmurei - Estou presa do aeroporto de Miami.
Ouvi-o proferir uma série de palavrões. Aposto que ele tentou tampar para que eu não escutasse, mas eu escutei mesmo assim. Aliás, foi assim que eu aprendi todo o meu leque rebuscado de palavrões que eu sei hoje. Obrigada, papai.
'Pede uma porcaria de avião! É pra isso que você é minha filha!' Ele resmungou assim que conseguiu parar de xingar.
- Pai, eles estão falando que está perigoso - Eu murmurei, tentando parecer assustada - Eu não quero arriscar a minha vida, vou esperar um pouco pra ver se acalma, se eu não conseguir nada até de noite, acredito que o senhor terá que pedir desculpas por mim, mas eu não comando a natureza. Nem o senhor.
Ele deveria xingar aqui, mas não o fez. Eu o ouvi suspirar.
'Tudo bem, filha.' Ele murmurou, para o meu choque. 'Converse com um piloto e veja o que é melhor, quando você vai poder vir e me avise. Tudo bem?'
- Tu...Tudo - Gaguejei pela surpresa. Ele apenas me desejou sorte e cuidado antes de desligar e eu fiquei encarando as minhas malas, até que Evandro voltou caminhando até o meu lado, ainda com o celular na orelha.
Aparentemente, minha idéia tinha dado certo.
- Bom? - Eu perguntei, assim que ele desligou. Ganhei um Ok. Isso era bom.
Nós ficamos em silêncio um segundo e eu estava começando a cogitar a hipotese de chutar as minhas malas e fazer uma grande bagunça só pra que ele me ajudasse e voltassemos a conversar, mas ele cortou o silêncio antes que eu pudesse me arriscar nesse último caso.
- Posso retribuir o chá e a paciência com um lanche? - Ele me perguntou. Eu sorri. Clarro que podia, eu lhe disse, que idéia!
Nós fomos à uma lanchonete dentro do aeroporto mesmo. Pedimos uma pizza de quatro queijos e calabreza. Evandro comeu quase a pizza toda sozinho alegando que estava em fase de crescimento. Tive que salvar um pedaço de quatro queijos pra mim ou eu acabaria ficando sem. Fazer o quê, né? Só queria ver se ele tinha esse apetite enorme pra outras coisas também...
E quer saber? Fase de crescimento uma ova! Ele tinha vinte e dois anos. Uma idade ótima, visto os meus vinte recem-feitos.
Nossas malas haviam sido enviadas à um hotel bem perto dali, onde passaríamos a noite, coisa que eu só pedi pra fazerem quando o piloto com quem eu conversei disse que não poderia levantar voo até a manhã do dia seguinte, quando a nevasca, provavelmente, já teria acentado.
A preguiça de sair do aeroporto e pegar um táxi para o hotel nos fez ficar livremente pelo aeroporto sem nossas malas, enquanto conversavamos sobre os assuntos mais variados. Eu descobri que ele vivia em Londres com os três amigos e que eles tinham uma banda famosa chamada McFLY, que eu não conhecia por ser um ser alienado que morava do outro lado do oceano, onde eles não tinham tanto sucesso assim. E a reunião do dia seguinte ia decidir a data do lançamento do novo CD e coisas desse tipo. Evandro falava alegremente (e sem parar) da banda e de como era legal ter uma banda e de como era legal viver com três caras e as merdas que eles faziam.
Naquele momento, eu pensei ou eu tinha acertado na loteria ou eu estava muito ferrada. Porque ele era famoso e tinha milhões de garotinhas aos pés dele. Se ele quisesse ficar comigo, eu seria a sortuda, mas se não... Eu ficaria triste e deprimida, conversando com o filho do embaixador da Malásia... E ele não era nada bonito.
Então eu fiquei sorrindo docemente pra ele enquanto minha mente viajava pelas mais diversas maneiras de seduzir que eu conhecia. Ok, não eram tantas assim, mas eu queria que isso funcionasse. Eu tinha que fazer alguma coisa.
Sentamos em um dos bancos espalhados pelo 'shopping' do aeroporto. Quero dizer, ele reclamou que o sapato estava apertado e sentou, então eu me sentei o mais próximo possível dele que eu consegui.
O sono estava começando a me vencer e eu tinha que fazer alguma coisa antes que meus bocejos (como agora) o fizessem despertar seu lado inglês cavalheiro e eu acabasse no meu quarto de hotel dormindo e sem um telefone pra ligar, mas, felizmente, eu não era a única a querer isso essa noite.
Eu senti alog tocando meu ombro esquerdo. Lerda e ligeiramente sonolenta (pensei seriamente que isso fosse efeito colateral do perfume dele), virei-me para ver o que era e vi sues dedos encostando-se de leve em meu ombro. Eu sorri e joguei meu corpo pra trás, encostando minha cabeça em seu braço. Eu quase suspirei de alegria.
Eu olhei-o e ele me encarava com um sorriso fofo. Eu sorri e mordi o lábio, reparando nos dele (não pela primeira vez) mais de perto. Eu poderia beijá-lo, mas eu preferi me conter já que ele estava tomando as redeas (melhor dizendo, mostrando interesse).
- Definitivamente, faltam garotas como você em Londres. - Ele disse.
Meu coração deu uma guinada e acelerou, enquanto eu corava. Ele disse aquilo de uma forma diferente, me pareceu soprado e tão de perto que eu senti seu hálito. Eu iria morrer. Concentrei-me o suficiente para tentar pensar em uma resposta, mas tudo que eu conseguia ver eram seus olhos Castanhos. Parei por um segundo, abrindo e fechando a boca sem soltar nenhum som, antes de conseguir falar:
- Meu pai mora em Londres - Soltei, mais rápido que o normal, tentando não gaguejar.
Ele mexeu-se levemente no banquinho e, com isso, minha cabeça escorregou, parando encostada em seu pescoço. Eu não fazia ideia de como ele havia feito isso, mas eu começaria a delirar em breve, sentindo o peito dele subindo e descendo de acordo com sua respiração.
- Hm - Ele murmurou, quase como se analisasse - Bom, se você fosse morar com ele, nós poderíamos nos ver... E de brinde, você ia ganhar um sotaque legal.
Eu ri por causa do "sotaque legal", mas eu havia ficado mais interessada no resto da frase. Mesmo assim, resolvi entrar na brincadeira.
- Adoro sotaque britânico - Eu disse. Ele sorriu.
Não sorria, não sorria, não sorria. Era só isso que se passava na minha mente.
- Mesmo? - Perguntou-me, ainda sorrindo. Seu rosto se aproximou do meu e eu quase joguei meus braços em torno do pescoço dele - Você gosta do meu sotaque? - Ele questionou, encostando o nariz no meu.
Eu quase fechei meus olhos. Pra falar a verdade, eles só ficaram entreabertos para que eu pudesse ver os lábios dele. Minha cabeça não estava trabalhando direito, devia ser outro efeito colateral do perfume dele.
- É lindo - Foi a única coisa que eu consegui murmurar, desistindo e fechando os olhos logo em seguida.
Eu o ouvi rir e aí o meu apoio desapareceu. Eu cheguei a cambalear para onde o nariz dele havia sumido, mas não encontrei nada beijável e abri os olhos pra encontrar um sorriso quase safado nos olhos dele. Desgraçado, ele só estava brincando comigo. Não devia se fazer isso com uma mulher. Ou será que... Ele havia desistido?
Discretamente, eu olhei para o lado inverso e coloquei minha mão na frente da boca para ver se eu estava com hálito de pizza, mesmo me lembrando claramente de chupar Halls pra não ficar. E eu não estava. Devia ter algo no meu cabelo, algo no meu dente, no meu nariz. Tinha que ter algo errado!
Eu estava prestes a caçar meu espelho na minha bolsa e checar todas essas coisas quando Evandro espreguiçou-se e levantou-se em um pulo, oferecendo-me a mão para que eu me levantasse também.
Primeiro, eu continuei encarando a minha bolsa, claramente tentada em ignorar a mão dele e continuar a minha procura, mas quando eu levantei meus olhos e encarei-o, seus olhos Castanhos e o seu sorriso ainda demostravam o interesse em mim com demasiada transparência. Minha única reação foi levar minha mão à dele.
Então, ele só estava brincando comigo? Desgraçado.
Ele apertou minha mão com força assim que eu me levantei, provavelmente querendo demonstrar que ele ainda me beijaria. Eu estava entre o 'mal posso esperar' e o 'ele merece vingança'. Mas eu desisti por notar que eu não conseguiria me vingar dele porque eu não conseguiria me afastar dele se ele tentasse me beijar. Impossível.
Ele me guiou até a saída do aeroporto enquanto eu estava meio aerea, ainda sob os efeitos do quase beijo. Não sei se Evandro notou isso, mas ele não falou nada. Imediatamente, ele fez com que um táxi parasse e abriu a porta do mesmo pra mim. Eu quase corei com o cavalheirismo quase exagerado dele, enquanto eu deslizava para que ele sentasse ao meu lado.
Em menos de dez minutos, estávamos em frente ao hotel. Eu sai do táxi e fui saber o número do meu quarto enquanto Evandro pagava a corrida. Terceiro andar, quarto 367. Aguardei ao lado do balcão enquanto ele se dirigia até lá.
- Então, o que você pegou? - Ele perguntou.
Era a primeira vez que ele se dirigia diretamente a mim depois do quase-beijo. Eu tentei não ficar muito vermelha, mas posso apostar que ganhei alguns rosas. Sacudi o cartão-chave do meu quarto.
- Terceiro andar - Eu disse.
Ele concordou com a cabeça e apoiou os dois braços na bancada, esperando a atendente largar o telefone e falar com ele.
- Por que você não vai esperando o elevador enquanto isso? - Ele perguntou, apontando pra atendente com a cabeça.
Eu murchei na hora. Ele estava praticamente me dando o fora, mas eu ia sair dessa com diginidade.
Dei de ombros.
- Tudo bem - Murmurei.
Com um suspiro cansado, virei as costas pra ele e caminhei até o elevador. O pobre do botão de subir sofreu comigo porque eu realmente soquei-o, mas tentei parecer calma porque Evandro ainda podia estar me olhando, eu teria muito tempo pra descontar minha frustração em objetos quando estivesse em meu quarto sozinha, então eu apenas me perguntei porque tinha botão de 'pra baixo' se estávamos no térreo.
Eu quase pulei de susto quando eu senti algo envolvendo minha cintura e arregalei os olhos pra Evandro, que apenas sorriu pra mim. Ele havia passado o braço pela minha cintura quando eu achava que ele havia me dado o fora?
Não pude deixar de sentir um arrepio na espinha.
- Ele ainda não chegou? - Perguntou.
Eu quase soltei um 'Ahn?' antes de perceber que ele estava falando do elevador. Então eu apenas neguei com a cabeça.
O elevador chegou no segundo seguinte, como se tivesse sido chamado. Evandro empurrou-me levemente, arrastando-me pra dentro do elevador junto com ele.
Lá dentro tocava uma música animada, nada combinando com o que se passava dentro de mim. Eu estava totalmente fora desde que ele quase me beijara e toda a confusão 'ele-está-me-dando-o-fora-ou-não' já estava me deixando mais lenta que o normal. Minha reação? Nenhuma. Eu fiquei quieta e deixei-o apertar o botão do terceiro andar, esperar o elevador subir e se abrir e deixei-o me arrastar até a porta do meu quarto.
Fiquei de costas pra ela, mas não pude encará-lo.
- Então... - Olhei para os meus pés e fingi chutar o carpete para não ter que olhar naqueles olhos Castanhos tão transparentes e ver que ele não tinha interesse algum em mim. Logo quando eu achava que tinha tirado a sorte grande - Boa...
Eu não cheguei a terminar a frase porque os lábios dele capturaram os meus de baixo pra cima. Foi um pouco dificil processar essa informação com tanta coisa revirando no meu estomago, subindo pelas minhas pernar e formigando na ponta dos dedos. A chave do meu quarto caiu no chão quando eu finalmente entendi o que estava acontecendo.
Eu entreabri meus lábios, prendendo o lábio inferior dele entre os meus e puxando-o levemente. Eu logo entendi que ele não fazia o tipo calminho quando nossos lábios encontraram-se novamente, as línguas, dessa vez, em contato e meu corpo bateu com força contra a porta do meu quarto. Eu passei meus braços pelo pescoço dele enquanto suas mãos, em minha cintura, começavam a ficar indecisas entre levantar a minha blusa ou descer mais um pouquinho. No momento que uma passou por debaixo da minha blusa e a outra pareceu descer alguns centimetros em direção a minha bunda, eu comecei a escorregar minhas mãos para baixo, dedilhando seu peitoral.
Evandro apertou minha cintura com mais força e o contato da sua mão (GRANDE, MARAVILHOSA) ligeiramente gelada com minha pele quente me fez estremecer. Paramos por dois segundos para respirar e o beijo retornou mais calmo, assim que eu alcancei sua cintura. Parecia mais uma sere de pequenos beijinhos que um beijo propriamente dito, mas nossos lábios não se desencostaram em um só momento.
Ele apertou minha bunda levemente e eu, para evitar soltar um gemido nessa altura, acrescentei velocidade e voracidade ao beijo. Meu corpo foi imprensado com mais força contra a porta quando ele resolveu me acompanhar. Resolvi subir minhas mãos de novo, eu não sabia exatamente onde colocá-las e achei que o cabelo dele poderia ser uma boa.
Então nós ouvimos um barulho totalmente inconveniente. A campainha do elevador.
A senhora que saiu dele olhou pra nós dois, agora eu encostada na porta do quarto e Evandro do outro lado do corredor, com desconfiança. É claro, nós dois estávamos ofegantes e assustados. Ela passou por nós em silêncio e foi até o final do corredor, entrando em seu quarto e falando algo como 'esses jovens de hoje só pensam em sexo' que me fez corar.
Evandro riu e trocou a feição assustada por uma mais contente assim que ela sumiu atras da porta.
- Então... Acho que te vejo no voo amanhã. - Ele disse.
Eu me engasguei com a minha propria saliva e falei sem pensar.
- Você não quer entrar?
Imediatamente, eu me arrependi de ter sido tão oferecida. O dia inteiro tentando ser sutil e eu havia estragado tudo com essa frase estúpida.
Evandro caminhou até mim lentamente. Sua mão alcançou minha cintura assim que eu fechei os olhos, sentindo seu nariz encostar-se ao meu. O beijo, dessa vez, foi totalmente calmo. Ele não cedeu aos meus pedidos de intesificação e apenas continuou me beijando calmamente, abraçando-me pela cintura. Eu estava quase apelando quando seus lábios desencostaram dos meus em um estalo. Automaticamente, eu fiquei nas pontas dos pés, tentando capturá-los por mais um pouco.
- Eu acho... - Evandro sussurruou, segurando o meu queixo. Beijou-me por um segundo, antes de continuar - Melhor - E outro beijo - Deixar - Mais outro - Essa parte - E outro - Pra Londres.
Eu suspirei aliviada por saber que isso iria continuar depois, mas desesperei-me no segundo que ele deu um passo pra trás, com um sorriso no rosto. Eu agarrei-o pelo braço.
Eu parecia desesperada? É, eu sei.
- Nós podemos ir pra Londres agora! - Eu disse.
Evandro sorriu docemente e voltou a se aproximar, segurando o meu queixo.
- Não tem aviões, linda - Ele soprou pra mim. Eu poderia cair com aqueles olhos me encarando daquela maneira.
Ele podia simplesmente entrar, não ia facilitar tudo?
- Eu... Posso - Murmurei - Eu sou filha do embaixador dos Estados Unidos no Reino Unido, eu posso querer um jatinho na hora que eu quiser, com ou seu nevasca.
Evandro pareceu cogitar a hipotese com alguns segundos. E então sorriu.
- Bom - Ele murmurou. Seus lábios encontraram-se com os meus mais uma vez antes que ele continuasse - Espaço aereo pode valer como Londres.
Eu pisquei, absorvendo a informação. Ele sorriu e me deu uma piscadela, entrando no quarto ao lado.
Tentando me controlar, eu abaixei-me e peguei o cartão-chave do quarto e entrei correndo, me jogando na cama. Peguei o telefone no segundo seguinte e disquei o número da central.
- Vocês podem me ligar com o quarto 368, por favor? - Eu pedi.
E então o telefone começou a chamar. Bom, eu ao menos tinha um número.

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