SEXTA: IF U CKATE

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A primeira vez que eu a vi, meu coração parecia que sairia pela boca. Eu estava em uma fila imensa para um show e Kate estava sentada um pouco mais à minha frente, distraida com um livro de signos. Ela ria e comentava coisas divertidas com a amiga, que concordava e olhava pra mim, franzindo a testa.
Kate era linda demais. O sol batia em seus cabelos e parecia refletir como se fosse um cristal. E eu não era o único cara a olhá-la, mas eu não estava disfarçando nem um pouco.
Eu queria falar com ela. Eu queria conversar com ela e poder rir do seu riso, ouvir sua voz excitada com sua leitura mais perto e ouví-la falar meu nome...
A amiga dela sussurrou-lhe algo em seu ouvido e ela olhou pra mim. Eu perdi meu chão ao ver os olhos dela, verdes e brilhantes por causa do Sol. Ela sorriu pra mim, mordeu os lábios e olhou para o chão, parecendo sem jeito. Deus, eu quase morri.
Eu vi quando ela começou a meio que se aproximar de mim e eu tentei não ficar tenso, mas ela ajoelhou ao meu lado e seus cabelos brilhantes cairam ligeiramente sobre meus ombros e seus olhos se fixaram em mim quando ela abriu um sorriso meio sem jeito.
- Oi, sou a Kate - Ela me ofereceu sua mão e eu a beijei, deixando-a corada.
Sua pele era deliciosa, eu queria beijar mais daquilo. Seu cheiro era quase sufocante - não de cheirar, mas de ficar sem ele depois de.
- Sou Hugo - Murmurei - É um prazer te conhecer.
Ela sorriu e olhou pra baixo. Eu percebi que ela estava anotando algo em um papel e fiquei pensando no que eu falaria pra chamar sua atenção de novo, mas ela surpreendeu-me.
- Não me fale de prazer por enquanto - Ela piscou pra mim. - Meu telefone. Me liga.
Eu olhei chocado para ela, que sorria voltando pra amiga. Então eu olhei para o papel. Seu nome e número estavam anotados em uma caligrafia impecável e um pequeno "me liga, acho que podemos nos divertir bastante" embaixo.
Eu guardei o seu número no bolso da minha calça, mas quando cheguei em casa e pensei em ligá-la, eu não consegui encontrá-lo. Eu quis me matar, eu não conseguia tirá-la da minha cabeça! Ela era... Tão legal e linda e doce e... sensual!
Vocês não tem ideia. Eu rasguei minha calça procurando o papel e nada.
Perdi a Kate e não conseguia tirá-la da minha cabeça. E os dias se passaram e nada.
Até o dia que eu me senti o cara mais cagado da face da Terra. Eu estava saindo da loja de CDs porque eu precisava comprar um presente pra um amigo e eu queria ensinar pra ele o que era boa música e encontrei a amiga de Kate entrando na loja. Eu parei, chocado e voltei.
- Ei! Ei! - Eu chamei-a. Ela olhou pra mim, franzindo a testa e depois compreendeu. - Oi!
- Olá! - Ela sorriu - Você é o garoto da fila do Bruce, né?
Concordei com a cabeça, contente.
- Ainda bem que eu achei você! - Eu ri - Eu perdi o telefone da Kate e eu preciso vê-la, falar com ela. Será que se você a vir pode falar que eu estou procurando por ela? Ou melhor... Será que você pode me passar o telefone dela?
Ela me olhou espertamente e saiu, olhando os CDs. Eu fui atrás dela.
- Você devia, de verdade, esquecer - Ela olhou pra mim e sorriu tristemente - Ela é minha amiga, eu sei. Mas caras com ela não se dão muito bem. E você parece ser mesmo legal.
Do que ela estava falando? Ela era louca? Quem ligava pra isso?
- Obrigado, mas eu queria realmente o telefone dela.
Ela deu um sorriso de lado e abriu a a bolsa, tirando papel e caneta. Ela escreveu o telefone de Kate e eu estava quase pulando de felicidade quando ela estedeu-me o papel. Tentei pegar, mas ela não o soltou.
- Tem alguns montes de caras com esse mesmo telefone nesse mesmo momento. Ela sempre atrai muita atenção e ela realmente não tem nenhum problema em passar o telefone pra quem parece estar interessado.
Isso me decepcionou um pouco. Quero dizer, achei que ela tivesse dado o telefone pra mim porque tinha gostado de mim ou algo assim, mas eu estava tão empolgado com ela que eu não me importava.
- Eu não me importo - Eu lhe disse.
Porque eu não conseguia parar de pensar nela.
Eu peguei o papel da mão dela e eu só conseguia encarará-lo. Eu vi a amiga de Kate sorrir pra mim e ela virou-se para ver seus CDs, mas quando eu estava indo embora, ela chamou-me.
- Ei! - Eu virei-me para ela e ela deu de ombros - Ela está na sorveteria aqui do lado agora, sabe?
Eu encarei-a, chocado. Por que ela não me contara isso antes?
- O-o-obrigado!
E sai correndo para a sorveteria.
Não foi dificil achar Kate. Foi só seguir o olhar do cara mais próximo. Kate estava ligeiramente distraída, mexendo no seu sorvete com a colher. Eu me aproximei sem me alarmar e sentei-me ao lado dela.
Ela se assustou e olhou pra mim, arregalando os olhos. E, então, sorriu.
- Oi, Hugo - Ela disse. - Achei que nunca mais ia ver você.
Ela lembrava o meu nome. Ela tinha pensado em mim.
- Eu perdi seu número no show - Eu confessei.
Ela gargalhou, jogou os longos e lindos cabelos para trás. Então ela se aproximou, os lábios quase encontraram-se à minha orelha e eles estavam ligeiramente gelados, me fazendo estremecer.
- Acho que é bom eu pegar seu telefone agora.
Ela se afastou e pegou o celular de dentro da bolsa. Eu lhe passei meu telefone com a voz falha e ela anotou, sorrindo. E nós ficamos sem assunto, ela olhou pra longe, parecendo encabulada.
- Eu gosto de sorvete de morango - Eu disse, tentando quebrar o clima.
Ela olhou-me, sorrindo. Olhos lindos, era tudo que eu conseguia pensar.
- Gosta? - Perguntou-me. - Quer um pouco?
Eu concordei com a cabeça e ela abriu um sorriso maior ainda. Pegou um pouco de sorvete com a colher... E colocou em sua boca.
Bom, devo dizer que sorvete de morango nunca havia sido tão gostoso.








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