Rafael Lange se encontra desmaiado

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Seu peito se comprimia, apertado, suado e como se tivesse corrido uma maratona. Bem, essas não eram as características de Lia, ao contrário, eram de Rafael. O garoto qual teve um longo momento de reflexão e percebeu que quase ferrou com tudo, se já não ferrou. Sua mãe nesse momento estaria descabelada enquanto ele entrava em um avião destinado a São Paulo, o lugar que para muitos era enlouquecedor mas que para Rafael era simplesmente era seu segundo lar.

Resolveu enviar uma mensagem simples explicando tudo para a sua mãe afinal, mesmo estando nessa nuvem negra de ansiedade acumulada e uma pitada de arrependimento, Lange realmente não queria que sua mãe viesse a passar mal mais tarde, principalmente estando sozinha em casa.

Quando teve uma pequena ideia e estava louco para botar em prática ainda com o celular em mãos, afinal, teria uma ajudinha dele para botar o plano em prática, a aeromoça o mandou desligar imediatamente o aparelho. A mulher parecia que não estava para brincadeiras, do mesmo jeito, Lange digitou rapidamente uma mensagem endereçada a Maethe, tinha toda certeza do mundo que ele iria lhe ajudar nessa.

Encostado na poltrona confortável, suas mãos e pés estavam inquietos tentando não guardar todo essa energia dentro de si, por um momento, Rafael se perguntou se toda essa loucura valia a pena. "Céus, é claro que vale! Tudo isso se trata sobre a Lia!", pensou.

Lilian, a garota que Rafael fez a maior burrada. Sinceramente, uns dias atrás ele se perguntou para onde a vida dele estava caminhando. Sua namorada morava em outro estado! E bem, ai vinha a insegurança. E com essa insegurança, Yuri veio a tona.

Caramba, mesmo que Lia não tivesse dado muitos motivos para ele pensar coisas do tipo, a insegurança junto a uma pequena dose de ciúmes o fez se afastar. Porque Rafael era estranho, ainda não tinha testado todos os seus limites no relacionamento e sinceramente, não tinha nem vontade de fazer tal coisa. Nunca teve uma relação assim com ninguém, era como se estivesse pisando em um campo minado e isso o assustava. Muitas pessoas julgam vendo de fora, mas cara, Lange era uma pessoa como qualquer outra.

O desconhecido o assustava.

As poltronas do avião o traziam uma sensação familiar. A pressa constante de querer ir logo conhecer seus inscritos em cada canto do Brasil, de encontrar seus amigos e terem uma noite de pizza junto a vários outros tipos de besteira. Só que nesse momento, o quase loiro não estava indo fazer nenhuma dessas coisas. Ao contrário, estava tentando salvar o que restava de seu namoro.

Rafael nunca se sentiu tão idiota como estava se sentindo agora, era como se nuvens escuras formassem uma grande mancha e deixassem sua cabeça completamente nublada. Foram semanas pensando sobre as coisas, foram semanas ignorando uma das pessoas mais especiais que entrou em sua vida, foram semanas sendo um Rafael diferente do qual estavam tão acostumado.

Seu joelho batia impacientemente no encosto da cadeira à frente, usava um fone de ouvido tentando inutilmente distrair sua mente, embora não prestasse atenção na música tocando. Sua mãos suavam, a garganta estava seca. Rafael sabia que estava no meio de um ataque de ansiedade. Coisa que estava acontecendo com muita frequência ultimamente. A ansiedade que estava sentindo tinha vários motivos, mas o principal deles era o sentimento de que poderia haver uma possível rejeição de Lia.

Porque Lange era uma pessoa comum, ainda tinha medo de ser rejeitado pela garota que é apaixonado ao mesmo tempo sentia a leve dúvida se um dos dois sairia machucado nisso tudo.

Rafael preferia que fosse ele.

Levantando de sua poltrona, ele percebeu o olhar de ódio enviado em sua direção pelo homem de meia-idade que estava sentando em sua frente. Lhe enviou um olhar de desculpas afinal, o cara não tinha culpa se ele estava no meio de uma crise ansiedade tentando consertar a burrada que fez.

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