Portas

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Pov. Nico

Abri a porta de David, mergulhei em uma profunda e feliz nostalgia que quase me levou quando a voz melodiosa do Valdez me trouxe de volta a lucidez.

-- Nico você disse que "TALVEZ" seja aqui onde tudo aconteceu não é? - olhei para o rapaz ao meu lado, seus olhos transpareciam curiosidade e um certo cuidado, assenti temeroso e o vi desviar os olhos para aquela dannazione de alçapão. -- Não foi aqui onde David morreu não é?

Olhei fundo em seus olhos castanhos e ele pareceu perceber pois fez o mesmo. Mandei meu olhar mais frio porém logo me arrependi quando vi ele revirar os olhos com um sorriso (ele estava magoado).

Desisti cansado.

-- Não Leo, não foi aqui-ele pareceu entender que era assunto encerrado e se virou para o quarto bagunçado.

Assim que pisamos no lugar uma forma se materializou em nossa frente, um menino loiro de olhos verde esmeralda sorria para mim, sorri de canto e o garoto pulou sobre mim como se tivesse forma física mas me atravessou gargalhando, me virei para ele que se encontrava estendido no chão me olhando enquanto levantava.

-- Desde quando você virou emo mio Angelo? - sorri abertamente, ele sempre fez as perguntas mais inusitadas antes de começar o interrogató..- o que está fazendo aqui? Você está bem? Como está vivo? Quantos anos você tem? Quem são esses? Você tem a cara mais morta que a minha!

Ouvi uma risada calorosa de Leo que se calou ainda com um sorriso tremulo assim que olhou para mim.

-- Desculpa - ele murmurou tão criança quanto meu antigo amigo em minha frente, forcei - me a não sorrir.

-- É uma longa história Davi - sentando em sua cama e fazendo sinal para os outros me acompanharem enquanto o espírito sentava de pernas cruzadas em minha frente.

-- Tudo bem, não é como se eu tivesse algo importante para fazer - revirei os olhos para o pequeno.

Expliquei com ajuda de Piper brevemente o fato de sermos semideuses e a profecia, por incrível que pareça foi fácil para ele acreditar, então Leo começou a narrar nossa aventura pela casa sem perder a chance de fazer algumas piadinhas sobre mim que prefiro não comentar mas meu amigo riu de todas (só o que me faltava agora era um mini- Valdez) ao terminar Liparoti nos olhava com o rosto sério.

-- Então vocês acham que O cálice é o mesmo que vocês precisam ... e que está no quarto do meu pai?

-- Na verdade temos certeza-Piper mostrou o desenho do cálice e no momento que ele passou os olhos nas rachaduras das bordas, passou a mão na testa com uma careta de desgosto.

Ele olhou para mim por um momento e disse com a mesma cumplicidade dos velhos tempos.

-- A essa altura Enrico já deve saber que você está aqui e o porquê - assenti --vocês já devem ter notado que cada cômodo provoca uma reação inesperada em cada um não é?
Os fantasmas da casa conseguem mexer com o emocional dos vivos e usam isso para prejudica - los, por isso o Nic fica desmaiando e vocês ouvem e veem coisas de seus passados na mansão.
Por estarem perto do seu objetivo final provavelmente o quarto de meu pai provocará reações indeterminadas em vocês e mais fortes ou ele os espera com um grupo de fantasmas incorporados em algo ou alguém..

-- Como assim incorporados? -- interrompeu Leo -- tipo aquele fantasma que me obrigou a bombardear Nova Roma?

-- Você fez o que? -- perguntei de olhos arregalados.

-- Isso não importa, sim meu pai pode ter chamado vários fantasmas e entrado no corpo de alguém que passava na rua (o que eu duvido) ou por exemplo as estátuas de guerreiros de pedra do quintal..

-- Quem em sã consciência tem guerreiros de pedra no quintal? -- perguntou Leo um tanto descrente. Não me aguentei e soltei uma risada baixa que fez o mesmo olhar para mim sorrindo um pouco como se estivesse mais calmo, estávamos muito perto, me afastei um pouco olhando para David que tinha um sorrisinho malicioso no rosto.

-- Meu querido pai tem momentos não muito sãos -- o menino deu de ombros. -- infelizmente não poderei entrar com vocês sinto muito, tecnicamente estou meio que "de castigo neste quarto" a anos. - ele bufou fazendo aspas com os dedos- mas o que eu posso dizer é que mesmo estando mortos os Liparotis têm princípios, então se apunhalarem eles no coração ou os decapitarem os fantasmas irão voltar aos seus devidos cômodos. Só o que me preocupa é como vocês vão sair da casa.

-- Ainda tem trepadeiras no parapeito da janela? - perguntei com um sorriso maroto que a muito tempo não dava, meu amigo deu o mesmo sorriso e confirmou com a cabeça.

-- Ótimo iremos descer por lá mas e se o d' Angelo resolver dar uma de Jason? -- meu amigo olhou confuso para Leo que levou uma cotovelada de Piper e agora massageava o lugar agredido.

-- Muito obrigada pela ajuda David, agora acho melhor irmos indo - falou Piper levantando com um sorriso agradecido no rosto, a seguimos até a porta.

Pov. Leo

Seguimos Pips até a porta quando ouvi a voz do garoto atrás de mim.

-- Seja cuidadoso com meu amigo Valdez ou eu volto dos mortos para puxar seu pé a noite - ele falou com um risinho malicioso demais para uma criança, cuidadoso com meu amigo Valdez, corei levemente.

-- Sei me cuidar sozinho Davi-falou Nico revirando os olhos.

-- Não foi isso que eu quis dizer-Ele falou em um tom que fez Nico desviar o olhar do espírito com o rosto incrivelmente vermelho enquanto se ouvia o risinho de Piper atrás de mim - mas de qualquer jeito foi um prazer conhecer vocês *e cura il mio angelo.

*-- Addio Ray del sole-disse Nico ainda corado fechando a porta

-- Certo, faremos assim eu e o Nico lutamos enquanto a Piper procura o cálice, quando achar você grita e nós pulamos pela janela? - perguntei e os outros concordaram.

-- Quando chegar a hora de sairmos eu vou na frente e vocês imitam os meus movimentos, okay?! - Nico afirmou mais do que perguntou mas mesmo assim assenti.

Nós nos direcionamos para a porta que estava escrito Enrico e virei a maçaneta fria de metal.

Sorriso PassadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora