— Lá vai você de novo. — Evellyn falou com um olhar de raiva. — Não consegue se segurar não?

          Aleksandr sorriu e estendeu a mão para Evellyn.

          — Isso está no meu DNA! Não se pode parar a genética!

          — Eu realmente sinto arrepios quando você fala isso. — Evellyn falou com uma expressão de desgosto. Logo após isso, ela virou seu olhar para mim, com uma expressão ainda mais enojada. — Como você sabe que ela vai ficar na minha casa? Já virou um stalker?

          Levantei e pus minhas mãos entre eu e Evellyn, balançando-as para mostrar o mal-entendido.

          — N-não! Eu só... Só vi em algum lugar. Foi um professor que falou... É! O professor- — Parei de falar momentaneamente.

          Aleksandr sentou na cadeira em silêncio. Ele parecia estar ouvindo uma conversa dos alunos ao lado.

          — O que vocês acham do caso do Brandenburger Tor? — Ele falou com um tom de seriedade, quebrando o clima despreocupado. Era de se esperar.

          — Minha mãe falou pra eu tomar cuidado no caminho pra escola. — Evellyn falou. — Dessa vez a coisa está ficando preocupante.

          Olhei para os dois com certa preocupação.

          — Agentes do Destino, hã? — falei com desdém. Eu sabia quem fez aquilo. Conhecia não só quem o fez, como conhecia os motivos.

          Toda minha conversa com Hauser voltou a minha mente por um momento.

Você sempre pensou que seu tédio se iniciou com a morte do papai.

Mas é sempre importante lembrar...

O início de algo nem sempre é onde nós acreditamos ser.

— Essa maldade não vai acabar impune. Quem quer que eles sejam, com certeza vão acabar sendo pegos. Não vale a pena nem se preocupar. — Amós falou, vindo do fundo da classe, com um sorriso irônico.

          No mesmo momento, Aleksandr fechou a cara.

          — Mas você não acha que já está demorando muito? — falei, tentando amenizar a tensão que apareceu quando Amós surgiu. Mesmo que ele acreditasse nisso, os Agentes não podiam ser pegos. Eles estavam muito mais infiltrados na sociedade do que qualquer um de nós poderia imaginar. Foi essa ingenuidade que tornou Amós em outra vítima.

          — A justiça sempre prevalece, cedo ou tarde. — Amós falou, seguido de uma gargalhada. — O professor já está chegando, vamos sentar logo.

          Amós andou na direção da sua carteira, à esquerda da sala, com uma mão levantada, como se ele estivesse se despedindo. Toda a classe começou a se preparar para a aula. Os alunos foram se sentando, preparando-se para a aula.

          O professor de História entrou animado com uma prancheta na mão. Depois de falar sobre como seriam as aulas ao longo do semestre, ele finalmente a chamou.

          — Pode entrar.

Bem... Acho melhor eu ir embora agora. Chegou minha hora, sabe?

Imagino que essa seja uma boa despedida:

Existem momentos em nossa vida que nosso cérebro parece necessitar de algum instante a mais para raciocinar. Quase como se ele pedisse um favor desesperado para o universo ser um pouco mais generoso com a relatividade. O tempo parecia congelar ao meu redor. Cronostase. Quase tudo pareceu desaparecer para dar favor àquela que entrava naquele momento.

          Seus olhos eram vastos como o céu, mas também eram profundos como o oceano.

          Seus cabelos eram brilhantes como fios de ouro, mas também eram pálidos como enxofre.

          Sua expressão era de um sorriso alegre, mas seu interior era de um sofrer inestimável.

          Ela entrou. Lá estava ela.

          Aleksandr me cutucou insistentemente enquanto olhava para ela com olhos dignos de pena.

          Reconhecer a antiga máscara que ela usava me fez soltar um pequeno riso. Um tipo de nostalgia parecia me preencher. A saudade de um momento que eu nunca vivi.

          — Pode se apresentar. — O professor falou.

          A garota parecia olhar para todos os alunos com curiosidade. Ela colocou suas mãos na cintura e então gritou:

          — Meu nome é Julia Brontë. Vim da Inglaterra a intercâmbio e...

Cuide bem dela.

          No mesmo momento, eu bati as mãos na minha carteira interrompendo a apresentação e me levantei.

          — Julia Brontë! — Todos olharam para mim com olhares curiosos. Alguns alunos começaram a cochichar. Aleksandr e Evellyn pareciam completamente atordoados. Sim, nem mesmo eu sabia exatamente o que estava fazendo. Eu só sabia que eu o faria. Era o meu dever. — Meu nome é Isamu Fatou... E eu estou aqui... Para mudar o seu futuro!

          Uma confusão se iniciou na classe. Alunos gritavam e riam sem entender o que eu havia acabado de falar. Todos pareciam confusos e alguns estavam, consequentemente, me zombando. O professor parecia tentar botar ordem na classe, mas nada disso me distraía. Eu olhava nos olhos dela e ela olhava nos meus.

          Não havia mais máscara.

          Não havia mais mentiras.

          Uma lágrima rolou pelo rosto dela.

          De repente, um sorriso apareceu em seu rosto. Um sorriso real, não um de simples falta de desespero. Não um sorriso mascarado.

          Um sorriso de esperança nasceu no rosto de Julia Brontë.

          — Obrigada. — Ela falou ao fechar os olhos.

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