Só relaxe

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     Lia não se sentia pronta para o que estava por vir, na verdade, nos últimos dias a "loira" se sentia como se estivesse em queda livre dentro de um poço, um grande e profundo poço recheado de inseguranças e afins. 

   Como se não bastasse essa sensação persistente que a seguia nos últimos dias, hoje era sua formatura.

   Dentro de sua cabeça haviam inúmeros pontos de interrogação, tentando entender a ordem cronológica dos últimos momentos em sua vida. Acordar, fazer a mesma rotina todo santo dia e lidar com pensamentos conflitos o dia inteiro deixavam sua mente exausta, e consequentemente, seu corpo também.

   Lia reflete sobre o enorme ponto de interrogação que era seu relacionamento. E nos últimos dias parece que o ponto de interrogação acabou se triplicando. O que era injusto, injusto pra caramba, e então Lia se sentia de mãos atadas deixando se levar pela maré.

   Ela não conseguia entender como isso pode a cansar tanto, tendo muito resultados em sua aparência. Não era pra menos, havia acabado de terminar um namoro (ou só estavam dando um tempo? Bem, Lia não poderia saber já que seu supostamente namorado teimoso não retornava nenhuma de suas tentativas de se comunicar com ele.)
   

    Agora, encarando o teto branco de seu quarto e se preparando para mais um dia, Lilian se perguntava para que rumo as coisas estariam tomando. Ao seu redor, o quarto naturalmente bagunçado onde habitava, dessa vez, tudo estava um pouco mais fora do lugar por ter ficado acordada depois da hora. Tentando desesperadamente terminar a merda do discurso, Lia finalmente tinha conseguido alcançar essa glória. O prazer de sentir o gostinho de trabalho cumprido e especialmente bem-feito foi uma das coisas que tiveram efeito em faze-la levantar da cama.

    Já a outra, bem, foi o desejo de o dia acabar tão rápido como começou. As vezes, a recente loira tinha o desejo de ter a sorte e ser acertada por um raio e quem sabe acabo me transformando em uma versão feminina de Barry Allen, da série The Flash.

   Encarando os dois vestidos pendurados em frente ao guarda-roupa, ela lembrou do que a esperava pela frente. Na real, Lia não sabia exatamente o que a esperava. Mas tinha uma leve intuição sobre algumas coisas. E se essa intuição estivesse certa, tomara que esteja certa, as coisas até que não ocorreriam tão mal assim.

   O plástico os cobria impedindo de Lia ter o impulso de passar mais uma vez a mão por eles, era tão estranho, a ansiedade guardada para esse dia dentro de si parecia ser tão velha. Velha mas conseguia funcionar normalmente.

   A folha branca com o bendito discurso estava pregada em seu mural, ainda que tivesse algumas horas até estar em pé, em frente a pais, alunos e amigos, Lia se sentia nervosa desde já. Meu Deus, ela esperava tanto que saísse bonita nas fotos.

  Alguns anos atrás, achou um antigo álbum de sua mãe escondido no fundo do guarda-roupa. Estando todos no clima de mudança, logo na época em que seus pais se divorciaram, Lilian se via empacotando que imaginava que já estivessem extintas à muitos anos. O álbum era da formatura de sua mãe, e cara, tinha umas fotos que não se sentia orgulhosa. Mesmo não sendo a SUA formatura, Lia realmente não queria que uma coisa dessas acontecessem consigo.

   Que horror, e se resolvessem postar no Facebook?

   Saindo de seu torpor, a jovem caminhou até o banheiro no intuito de tomar um banho refrescante. Seus ouvidos atentos captavam uma música abafada tocando pela casa toda, tinha certeza de que se abrisse a porta ouviria sua mãe gastando seu pulmão e cantando altamente uma música qualquer dos Los Hermanos. Na verdade, uma música qualquer não. Lia tinha certeza de que a mulher que lhe colocou no mundo estava escutando Morena.

Clouds → Rafael Lange | CellbitOnde as histórias ganham vida. Descobre agora