Capítulo 8 - Minha busca

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A porta do quarto se abriu e revelou uma pessoa desconhecida. Ela tinha os cabelos negros, lisos e a pele escurecida. Brincos de penas enfeitavam suas orelhas. Uma faixa de tinta vermelha cobria os seus olhos amarelos. A boca carnuda sorria, o corpo moreno e forte estava preenchido no busto e no quadril por palha trançada. Nas canelas enfeites de palha, os pés descalços e desenhos estranhos percorriam seus ombros e braços.

— Eu sou uma médica e índia — ela estendeu o braço para cumprimentar Estela que já se encontrava de pé, admirada.

— Então foi assim que recebi Tempo? Foi de lá que ele veio? Índia?

— Não há muitas — a visitante se limitou a dizer estas palavras.

— Onde está Tempo que também é médico? — apesar de não ter respostas, Estela insistia nas perguntas.

— O Tempo, como já lhe foi dito, está passando, criança. Eu estou aqui para levá-la de volta.

— Mais uma vez? Eu sempre vou e acabo voltando!

Estela não soltou a mão da simpática índia, embora não compreendesse o que o nome ou título significasse. Suplicava silenciosamente a ela que lhe ajudasse. Tudo era tão confuso.

Como se a índia pudesse ler seus pensamentos uma sensação de paz preencheu o ambiente. A claridade se fez ofuscante. Quando os olhos se acostumaram com ela, o mundo havia mudado. Mata fechada era vista até o horizonte, o ar fresco e os pássaros cantantes. Os pés de Estela, descalços, tocavam as folhas e gravetos estendidos pelo chão. O pulmão rejuvenescido respirava profundamente. O cabelo dourado, solto e o vestido branco dançavam com a brisa que se fazia. Seus olhos fitavam o céu azulado, manchado de verde pelas folhas das árvores.

— Bem-vinda! — a voz suave da índia a tirou dos devaneios.

Ainda estavam de mãos dadas.

— Como você pôde perceber no encontro com Aurora, o mundo está morrendo, Estela.

— É uma pena.

A índia sorriu e lágrimas brotavam dos seus olhos amarelos.

— É o tal Fogo? — Estela indagou.

A índia assentiu. Sua imagem foi se tornando transparente até desaparecer por completo.

— Espere! Preciso saber que rumo tomar e quando tudo vai mudar novamente!

— Siga e encontrará suas respostas. Você já está fazendo isso — a voz da índia vinha de lugar incerto.

Estela obedeceu, não tinha alternativa. Seguiu pela floresta, sem norte, esperando uma nova loucura, uma nova mudança, uma pista, algo que se encaixasse com o que havia presenciado. O novo coração funcionava bem, a mantinha jovem sempre que se sentia assim. Os passos iam leves, as pernas eram fortes. Que dádiva era a juventude! Era igualmente maravilhoso estar longe do Hospital.

EstelaLeia esta história GRATUITAMENTE!