Cristaleira

160 13 0
                                    

Pov .Leo

Andamos até a mansão, os portões deviam ser pratas e belos antigamente mas hoje tinham cor de ferrugem e era coberto por algum tipo de lodo que impossibilitava a escalada, os tornando imprevisíveis e imponentes para mortais, peguei ferramentas no meu cinto e analisei a fechadura em alguns minutos a abri e segui para a porta prevendo armadilhas, atrás de mim Nico segurava sua espada alerta e Piper sua adaga analisando - a para prever armadilhas. Dos portões até a porta de entrada há uma trilha de pedras cercadas pelo jardim de plantas mortas que é estranhamente parecido com o fundo do orfanato da Srta. Peregrine, o que me deu calafrios.

Em um movimento repentino pelo canto do olho senti uma chibatada no rosto, olhei na direção do agressor e senti uma rasteira que me levou ao chão olhei novamente e fiquei paralisado. Srta. Peregrine sorria para mim carinhosamente segurando sua famosa régua de aço, perdi totalmente meus movimentos e reflexos vendo sem assimilar ela levantando a arma que agora vinha ao meu encontro.

A cena parou em minha mente como um flech me causando dejaví da minha infância, a senhora aparentava uns 40 anos, ela trabalhava no primeiro orfanato que eu fui, o primeiro a fugir e o que eu fiquei menos tempo ( já da para imaginar o porquê).

-- Leo, vc está bem? -- perguntou Piper suavemente. Olhei para a frente Nico estava no lugar onde antes estava a mulher suado com sua arma em punho me olhando curioso.

-- Claro que estou baby não é tão fácil abalar o bad boy supremo aqui -- declarei e ela riu nervosa, me levantei em um salto e seguimos o Nico até a área, mais alguns minutos para abrir a porta revelando um belo hall de madeira polida, podia ficar o dia inteiro apreciando aquele lugar, mas no instante em que eu pisei no lugar tive um mal pressentimento, olhei para o lado. Piper me olhava de forma desaprovado a e confusa e então pousou os olhos em Nico e seu rosto se contorceu em uma máscara de raiva e nojo, o olhou de cima a baixo com um ar superior e brandou com uma voz mesquinha que não pertencia a ela.

-- Un uomo giace con un uomo come si hanno con una donna, sia praticato un atto disgustoso. Dovrà essere eseguito, come meritano la morte. Leviticus 20 : 13 -- olhei para o Nico e pude ver nele medo e surpresas por um momento, até que uma rajada de sombras negras saiu do garoto e atravessou Pips que foi jogada contra uma parede e escorregando até o chão gemendo.

O garoto caiu no chão e começou a se contorcer e se debater dei um passo em direção a minha amiga e ví uma onda de escuridão me paralisar, cenas vieram a minha cabeça, o meu pesadelo só que na perspectiva do menino moreno e mais detalhado, logo que terminei corri até Nico e o trouxe mais para perto sabia que ele iria me bater quando acordasse mais Santa Zeuza quem faria isso com uma criança? Passei dois minutos com o garoto agarrado em meu pescoço até que ele abriu os olhos confuso.

-- O que aconteceu? -- disse uma voz impassível.

-- Você não lembra? -- perguntei curioso, pude ver em seus olhos que o filho do submundo tinha visto o mesmo que eu, preferi fingir não saber -- nós estávamos na sacada, atravessamos a porta e assim que pisamos na casa Piper começou a falar em outra língua, eu entendi um pouco pelo meu espanhol ela parecia falar uma parte da Bíblia.

-- E...? -- perguntou de um jeito nervoso.

-- Bom suas sombras ficaram descontroladas, empurraram ela contra a parede e você desmaiou suando e esperneando - falei e notei que seu rosto estava muito perto e senti meu rosto esquentar, o menino parecia também ter notado e seu rosto ficou levemente rosa enquando se desvelhenciou de mim

-- B-bem obrigado - falou envergonhado e olhou para os lados- mas onde está Piper?

-- Alí -- apontei para minha amiga que agora chorava como um animal ferido ainda cercada por sombras, esperava que o D ' Angelo pudesse tira- la dali.

Com um movimento de mão, a escuridão desapareceu e ele caminhou até a filha de Afrodite que havia parado de chorar e nos via se aproximar com um sorriso triste com uma mescla de alívio. O italiano parou em sua frente e colocou sua mão rente ao rosto da índia, agora se viam vários fios negros saindo do rosto dela e indo até a mão do semideus, passou um curto espaço de tempo, os fios diminuíram e desapareceram.

-- Obrigada -- disse Pips com um sorriso aliviado e se voltou para minha cara confusa -- Como filha de Afrodite eu sinto todos os sentimentos em dobro, e ele tirou uma parcela da angústia e dor da cena que vocês viram -- explicou se levantando, Nico olhou para mim, ele percebeu que eu não havia dito tudo o que ocorrera e parecia querer agradecer sem saber como, eu apenas sorri de lado pra ele e o garoto assentiu com a cabeça.

-- E agora? -- perguntei quebrando o silêncio -- Você disse salão principal não? Onde é?

-- Sim, na verdade é como os Liparoti chamavam a sala de estar, é logo alí -- ele apontou para uma porta a direita de uma grande escada.

Andamos até lá, um grande e confortável cômodo muitos diriam se não soubessem que era mal assombrado , nos aproximamos de uma bela cristaleira antiga de madeira polida que Piper ameaçou de abrir mas seguramos seu braço a tempo, olhei para Nico ele olhava através das portas de vidro quando arregalou levemente os olhos e sorriu triunfante ( isso mesmo ele sorriu ?!) e nos olhou.

-- Vou abrir fiquem preparados para qualquer coisa -- abana mos a cabeça em afirmação.

Ele abriu a cristaleira, porém quando foi pegar o cálice desapareceu, assim como o chão.

Sentia a presença de meus amigos por perto no escuro e um vento gelado de queda.

Sorriso PassadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora