Vinte e Um

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Já tinham se passado 3 longos dias, e Rafael ainda não tinha desistido de falar com Lívia. Estava sentindo falta da companhia dela, tinha que admitir. Quando voltou para a casa, sentiu-se sozinho. Quando percebeu que ela tinha lhe bloqueado, sentiu-se realmente muito mal. Não queria que tudo acabasse assim.

❄❄❄

— Lívia, você tem que comer! Você vai ficar doente de verdade se ficar esse tempo todo sem colocar nada na boca!

— Eu comi mais cedo - ela disse se virando para o outro lado, ignorando totalmente a bandeja com uma tigela de sopa do seu lado.

— Comeu dois biscoitos!

— Mas comi.

— Eu vou deixar a bandeja aqui, se a senhorita não tiver comido quando eu voltar, eu juro que te obrigo a comer, nem se for amarrada!

Lívia grunhiu. Sabia que era preciso comer, mas não estava com um pingo de fome. Sabia também que tinha perdido uns quilinhos nesses dias que esteve de cama. Não tinha disposição pra nada. Não se levantava da cama. E quando levantava, não dava mais que quatro passos, só para ir até o banheiro.

❄❄❄

Logo chegou sexta-feira. E Lívia ainda evitava pegar no celular. Era horrível ter que ver varias ligações perdidas do Rafael. E era mais horrível ainda ter que admitir que ela queria atender, mas que seu orgulho era bem maior que isso.

Naquele dia ela acordou mais cedo. Acordou com batidas em sua porta. Olhou no relógio, ainda tentando processar o que estava acontecendo. Era cedo demais, não passava das sete da manhã.

— Entre - ela tentou falar mais alto, mas sua voz saiu como um sussuro.

Sussuro alto o bastante para a pessoa que estava do outro lado da porta, ouvir e abri-la.

Seus olhos se arregalaram e sua respiração acelerou quando Lívia viu ele na porta. 

— Lívia, meu Deus, que porra você tem?

— O que você tá fazendo aqui, Rafael? - Ela engoliu em seco.

— Muito bom te ver também. - Ele disse, andando até a cama e se sentando lá.

Não podia negar: Lívia estava diferente. Tinha olheiras profundas, sua pele estava muito pálida e descamava. Fora os quilos que ela tinha perdido.

— Respondendo sua pergunta... Você me bloqueou no Whatsapp, Twitter, Instagram e não atendeu nenhuma das minhas milhares de ligações. Como eu ia falar com você senão pessoalmente?

— Você nem me avisou que iria embora!

— É, tem razão. Sabe por que? Eu tentei te acordar, pelo menos umas 5 vezes, mas você nem se mexeu na cama! E doente desse jeito, seria um pecado eu te fazer levantar da cama pra ir me levar no aeroporto! Lívia, você se preocupou demais com esse seu orgulho, e não fez questão de ouvir ninguém, nem deixou eu me explicar. Eu viajei horas pra vir aqui me explicar! Tem noção do que é isso?

Lívia não podia acreditar que tinha sido tão ridícula. Se sentiu envergonhada, queria se enfiar num buraco e não sair nunca mais. Sua consciência pesava mais que um saco de areia. Enquanto ela permanecia com os olhos fechados, por causa da vergonha, sentiu uma mão no seu queixo.

Abriu os olhos.

— Desculpe. - Ela sussurou.  Eu sou uma idiota. Eu não mereço nem sua companhia. Eu não devia ter sido tão estúpida, é que eu fiquei tão brava na hora e... Talvez eu tenha ficado assim porquê... Eu não queria que você fosse. Eu queria que você ficasse, que você me fizesse rir mais, que você cuidasse de mim! Tá bom assim pra você?

Ele assentiu sorrindo.

— Viu só, nem doeu nada.

HATER | Cellbit - Rafael LangeOnde as histórias ganham vida. Descobre agora