›» Capítulo 5 «‹

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Corro apressadamente pelos corredores da biblioteca tentando achar a garota dos olhos verdes. Nada. Nem o cabelo enrolado eu via por aqui. Bem, vamos olhar pelo lado positivo... Eu não estou atrasado, coisa que achei que estaria. Perdi meu fôlego inteiro vindo para cá achando que ia levar aquela olhada mortal que sempre recebo — e que tenho medo.

— Acho que sempre iremos nos encontrar aqui — uma voz doce fala atrás de mim. Ouço um espirro vindo logo em seguida, percebendo que é a Andrea dona daquela voz.

— Você e seus espirros — digo e ela dá de ombros. — Vamos sentar lá. Longe desses livros você espirra menos.

Sentamos e começamos a estudar. Quer dizer, ficamos uns 5 minutos estudando, o resto nós só falamos sobre a mulher mal humorada que toma conta da biblioteca. Ela teve que chamar a nossa atenção em alguns momentos por conta da risada (considerando que a da Andrea não era nem um pouco discreta). No final, nós (a Andrea) resolvemos algumas coisas do trabalho, o que foi um grande desafio para mim já que ela teve que me explicar praticamente tudo.

— Vai ser bem difícil terminar esse negócio se continuarmos assim — ela diz. Eu concordo com a cabeça e viro meu corpo, ficando de frente a ela.

— Pelo menos você parou de espirrar. Dá próxima vez a gente vai fazer trabalho em outro lugar.

— Onde? — ela pergunta.

— Na sua casa, que tal? — digo de maneira sugestiva.

— Ah, melhor não — ela fala e respira fundo, olhando para o lado para disfarçar uma tristeza. — Não acho que seja uma boa ideia.

— Por que? — pergunto curioso. Essa menina me intriga.

— Porque não — ela diz cruzando os braços e olhando para um ponto fixo. — Na sua não dá?

— Dá, mas...

Infelizmente eu travei a minha fala. Conheço meus pais, eles são racistas com certas coisas e não filtram as coisas que dizem. Se eu não levá-la, pouparei muitas coisas. Pelo pouco que falei com a Andrea, ela é boa demais para palavras de ódio.

— Por que? — ela pergunta me imitando. Sorrio nervoso, tentando fugir de sua pergunta.

— Meus pais são... Difíceis.

— Ah, já entendi. Os meus também, mas meu problema não é esse. Relaxa, eu aguento.

— Não sei se você realmente aguenta pessoas daquele tipo, e você sabe de que tipo eu estou falando — digo levantando uma sobrancelha. Ela sorri demonstrando confiança e balança sua cabeça concordando. — Beleza, qual seu número?

— Estou sem celular, Ben.

— Como?

— Não faz falta para mim. Vivo bem sem.

— Você não é normal, Andrea — digo me aproximando dela e finalizando o assunto. É estranho alguém não ter celular hoje em dia, mas acho que dá para viver sem um. Eu ficaria no máximo duas semanas sem, mas chega uma hora que é necessário. Mesmo assim, prefiro ficar um mês sem celular do que uma semana sem violão.

Guardamos nossas coisas e nos levantamos da cadeira, saindo da biblioteca logo em seguida. Vejo uma cabeleira completamente lisa parada na porta da mesma, e me surpreendo com a Bailey apertando meu braço.

— Amorzinho, o que você está fazendo aqui com ela? — ela diz apontando para a Andrea com nojo.

— Não interessa, Bailey — digo me soltando de seu aperto. Andrea me olha com uma cara de interrogação, não entendendo. Para ela, nós ainda namoramos, e sei que perguntas do porquê de eu estar tratando-a assim passa pela sua mente. Tanto faz.

Além do MarWhere stories live. Discover now