Capítulo 1

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Depois de sentir o meu coração gelando, eles me arrastaram. Era muita dor, não por estar morrendo, mas por não ter me despedido do Mateus, que esse horário deveria estar no puxadinho. O coitadinho quer ser mestre de obras. Ele adora aqueles caminhões que ganhou do pai.

Eu estava suada no momento em que morri. Não apenas suada, estava vazia. De não poder me entregar totalmente. Eu sabia que poderia acontecer, mesmo assim não consegui me afastar, passar pelo menos um dia longe das mulheres. Estava vazia por não ter conseguido fazer tudo do que eu mais queria. Os segundos antes do meu estrangulamento foram decisivos para eu ter certeza que precisava mesmo morrer.

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Ele vinha toda semana. Eu sei o que ele preferia. Eu sei que ele gostava que eu o chupasse, que desse pequenas mordidas em suas bolas. Mas aquele dia ele chegou falando de minha mãe, a avó do Mateus. De como ele a salvou. E como ela agora fazia tudo para ele. De como ela o servia. Ele falava enquanto tirava a roupa e exibia um corpo sofrido e tatuado, mas musculoso. O cheiro ruim infestava o ambiente rosa, apertado e com muitos ornamentos. A casa das mulheres se encontrava na desembocadura de um riacho, no local onde os esgoto era despejado. Pelo amor de Deus, aquilo cheirava muito mal. Mas era preciso se concentrar no que ele estava falando. Tudo se misturava em minha cabeça.

Ele continuava falando da minha mãe. Mesmo nu.

– A sua mãe... aquela vadia sabe chupar...

Nada nesse mundo me desconcertava mais do que isso. Estava frio, ou um ar gelado que entrou pelas frestas do barraco de madeira das mulheres e subiu pelas minhas costas que me comoveu.

Eu disse que não queria mais aquilo. Ele rebateu com "temos um contrato". "Vou pagar tudo". "Você não tem dinheiro". "Vou dar um jeito", mesmo se fosse para contar tudo para a PM. Ele me apertou com força.

Ele era o meu pai e me deixou jogada no chão. Depois de ter gozado nas minhas pernas.

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