Um brinde aos quase inteligentes

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      Os três estavam parados em frente a construção duvidosa. Algo me dizia que aquilo não era exatamente uma churrascaria.

- Amiga, querida... - virei para Lola e sabia que minha expressão não era parecida com a de um domingo ensolarado em um churrasco com a família. - Você tem certeza que esse lugar é realmente o que você diz ser? 

    Não me considerem chata julgando o lugar antes mesmo de entrar e tirar minhas próprias conclusões, mas cara, a fachada já me dava arrepios e lembrava dos conselhos de minha mãe para me afastar da Lola porque, de acordo com ela, minha amiga parecia minha doidinha. O alerta já tem anos, depois de um tempo a mulher que me colocou no mundo resolveu aceitar nossa amizade. Não posso discordar que uma parcela de arrependimento por não ter dado tanta importância pelas suas palavras. 

- Acho que reconheço esse lugar. - sério mesmo? Porque eu não dou a minima e estou indo embora agora mesmo. É claro que não respondi isso, Yuri já tinha feito o mais que suficiente pela gente e não merecia meu mal humor repentino. - O pessoal daí é gente boa. 

- Viu, Lia? Agora trate de mudar essa cara de quem chupou limão azedo. - cogitei a possibilidade de esperar um carro passar e jogar Lola na frente dele, mas ai me lembrei de que estávamos a poucos dias de nossa formatura e certamente os pais dela ficariam desolados. E eu sentiria um pouquinho de culpa. 

- Melhor entrarmos logo, não? Ou estamos esperando alguma coisa, talvez um alienígena, cair do céu e nos dar um prejuízo grande? - resolvi apressar as coisas, a rua escura e vazia me dava arrepios. 

- Vamos chatinha. - voltamos a posição de como estávamos até chegar ali. 

   Com cada uma de seu lado, com seus braços envolta, aposto que Yuri se sentiu um rei. Alguns caras nos encaravam quando passamos pela porta de madeira velha e posso dizer, talvez tenha subestimado um pouco a escolha deles. O lado de dentro com toda certeza dava de dez à zero a fachada. A música estrangeira e dançante animava o lugar, e não haviam só homens de 40 para cima cobertos de tatuagens e com estilo de gangster. Ok, admito que subestimei muito o lugar.

- O pessoal está lá, vamos. -  e mais uma vez fui guiada para a mesa do fundo, a mais cheia do lugar, se posso dizer.

   Lola não brincou quando disse que praticamente todo o terceirão estaria lá. O mais famosinhos da escola estavam lá, sentados com uma roupa engomada e brindando com os companheiros. Como estavam ingerindo álcool se são menores de idade? A pergunta vai ficar no ar. 

- Demoraram hein, o pessoal já tava pensando que iriam dar bolo na gente. - uma voz meio irritante falou no meio de toda muvuca. Logo reconheci a peça.

    Eu, como uma boa pessoa, evitava ficar ao máximo perto dessa pessoa. Não sei, mas toda as vezes que ela abre a boca sinto uma enorme vontade de me dar um tiro. Lia, uma pessoa completamente da paz, não tinha problemas com muitas pessoas. Mas as vezes ela pedia. E o ser que eu estou me referindo agora, estava vindo na nossa direção com um sorriso desagradável. 

- Olá, Yuri. - ouvir sua voz completamente melosa me deu uma imensa vontade de vomitar. 

   Acredito que todos nós, na transição da adolescência para a fase adulta tivemos algum problema com alguém, não? E ainda mais se ela for uma pessoal horrível, que se joga em todos os garotos, principalmente no seu melhor amigo. Ah, sem falar que é uma maldita fangirl e se diz muito apaixonada por uma cara que faz vídeos no YouTube. Nossa, e olha a coincidência, esse cara era meu namorado!

- Vem, Lia. Vamos buscar alguma coisa pra beber. - Lola me puxou em direção a bancada onde se podia ver um diversidade de bebidas sobre as prateleiras no fundo. Ela pediu duas cervejas, fiz uma careta, aquilo era simplesmente horrível! - Até que não está sendo tão ruim assim, né?

Clouds → Rafael Lange | CellbitOnde as histórias ganham vida. Descobre agora