Caixinha de jóias

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Pov. Nico

" Ecco David Liparoti
Traditore del suo lignaggio e disertore dei desida ri divide secondo la Bibbia. Sinner."

[Aqui se encontra David Liparoti
Traidor de sua linhagem e desertor dos desejos divinos segundo a Bíblia. Pecador.] -- não precisava de data para saber que foi no meu aniversário de 10 anos e dia da morte de Maria d ' Angelo.

Atrás da sepultura de David mais duas vandalisadas de Andrea e Giovani.

Nunca me atrai por cemitérios, não há mais nada lá a não ser corpos sem alma e espíritos conturbados, mas aquela imagem me fez estremecer de tristeza e raiva.

Um menino, meu melhor amigo, que me ajudava nas lições, que me defendia na escola, que me alegrava quando eu estava triste e dizia coisas poéticas até eu ficar com dor de cabeça e esquecer meus problemas, meu primeiro beijo mas mesmo assim somente um menino, com medo do pai, que fugia de casa quando estava de castigo para o nosso esconderijo, que tinha problemas com latim e tinha o sonho de se tornar um grande pintor. Agora sua memória está em minha frente, um Sinner!

--- V-você o conhece? Q- quer dizer tipo conhecia na sua infância? -- perguntou o filho de Herfesto timidamente.

Fiquei paralisado com sua mão em meu ombro por um momento e em fim disse tentando não gaguejar.

-- Sim ele foi ... uma grande pessoa -- olhei para o muro que delimitava o fim do cemitério, uma árvore com uma casa quase apodrecida muito familiar se encontra alí, me virei para os semideuses ao meu lado -- só um segundo não me sigam.

Saí correndo e em um impulso escalei com cuidado até chegar a casa, parecia intocada , fui em direção a uma estante e peguei nela uma caixa de jóias de madeira polida cheia de pinturas e letras de música, sorri.

Nossa caixa de memórias, a abri escolhi um desenho e coloquei no bolso depois peguei uma corrente no fundo, a coloquei no pescoço, era esse o presente de aniversário que ele ia me dar.

Com um clic ouvi alguém cair e gritar, pulei da porta para o chão do cemitério e encontrei uma Piper desacordada coberta por pedaços de tecidos rosa, pó e uma facha manchada pelo tempo dizendo: "provare principesse di nuovo" [tentem outra vez princesas]
Me abaixei sobre a catacumba e coloquei em baixo das inscrições a pequena caixa.

-- Eu não disse para não me seguir! -- falei virando para Leo.

-- Sim mas Piper viu um fantasma vindo até nós e resolveu te chamar -- ele falou engolindo em seco e olhou em direção aos túmulos mais novos-- olha ele lá!

Olhei para aquela direção e ví o espírito do assassino de David que me olhava com raiva, estremeci.

-- Temos que sair daqui-- declarei puxando e colocando um dos braços de Piper ao redor do meu ombro e Leo seguiu o exemplo, o garoto parecia nervoso.

Saímos do local e dei ambrósia para a filha de Afrodite que logo estava lúcida novamente.

--O que foi aquilo? --a garota disse me olhando.

--Uma armadilha que eu e alguns amigos do colégio fizemos antigamente-- dei de ombros

-- Armadilhas para quem? O que estava escrito naquela...

-- Não importa temos que terminar a missão, já são 15h Pips -- cortou Leo um tanto sério mas logo suavizou, ergueu Piper com uma reverência exagerada que fez- a rir e voltamos a andar com ele no meio de nós.

Pelo caminho me peguei analisando o Valdez, queria agradecer por me poupar explicações, porém o sonho dele voltava a minha cabeça ele havia me reconhecido, disso eu tinha certeza.

Andamos mais quatro quadras até pararmos em frente a uma enorme mansão, o monumento de vários de meus pesadelos.

Sorriso PassadoOnde as histórias ganham vida. Descobre agora