A Borboleta na Tormenta

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Certavez, sonhei que era uma borboleta, adejando daqui para acolá, com todos os finse propósitos de uma borboleta. Só tinha consciência de minha felicidade comoborboleta sem saber que eu era humano. Depressa acordei e ali estava eu, eumesmo, na verdade. Entre um homem e uma borboleta há, naturalmente, umadistinção. Agora não sei se eu era um homem sonhando ser borboleta, ou se eusou uma borboleta sonhando ser um homem. –Chuang Tzu


Capítulo 12

A Borboleta na Tormenta


Os olhos se abriram num desconforto perceptível. Talvez a garota não desejasse ter acordado? Seus sonhos eram mais interessantes do que qualquer coisa que o mundo real poderia lhe propiciar.

          Tédio.

          Tédio era o que ela vivia até então. Embora seu sorriso alegre fosse sua marca registrada, ele era um simples produto de sua irritação. O sorriso existia porque ela nunca havia se decepcionado na vida — não porque ela tinha suas expectativas cumpridas, mas porque ela nunca ao menos montou expectativas sobre qualquer coisa. Ela não conhecia a decepção pelo simples fato de nunca esperar nada. Não é de se assustar: A decepção é só uma consequência da esperança. Sendo uma pessoa que não conhecia nenhuma das duas coisas, a garota sorria com aparência alegre.

          Ela só percebeu que já era de manhã depois que o sol forte veio de encontro a sua face. Dormira na rua, na tentativa de fugir da maldita agência de intercâmbio que a procurava tentando forçá-la a seguir os planos de seus pais. Maldição. Por que eles têm de empurrar suas expectativas nos outros? Para uma garota que nunca espera por nada, planos familiares e orgulho parental é tão ilógico quanto acreditar em Papai Noel.

          — Posso te perguntar uma coisa?

          Um indivíduo suspeito entrou em seu campo de visão. Ele, sem dúvidas, era um morador de rua. Sua face estava suja e era difícil ver seu rosto no meio de tanto cabelo e pelos faciais.

          — Hã? Quero dizer... P-pode! — A garota continua a estranhar o ser a sua frente por ainda estar bastante sonolenta, mas o sorriso continuava em sua face.

          — Será que pode sair da minha área de dormir?

          A garota rapidamente ruborizou. Ela tinha roubado a cama ou... Melhor dizendo, o "lugar de dormir" de um morador de rua.

          — M-me desculpe! Eu não sabia. — Ela se levantou. Tirar o sono de um mendigo fez um pesado sentimento de culpa nascer nela.

          — Você não é desses lados, né? Tá longe de precisar dormir em porta de loja.

          O homem não parecia muito velho. Talvez ele fosse um típico desempregado que deu errado. Embora estivesse em um país que ela não conhecia muito, ela percebeu que todos os lugares tinham os mesmos problemas.

          — Não. Digo, me desculpe. Eu só estava... Bem... Eu não tinha onde dormir hoje. Não vai se repetir. Me desculpe.

          — Ah, não se preocupe com isso, garota. Com um bom papelão eu consigo dormir em qualquer lugar. Mas é difícil achar um chão tão bom e quente quanto este.

          Embora a garota não estivesse acostumada a dormir no chão e tenha, na realidade, achado a experiência bem desconfortável, ela não podia negar que nem ao menos chegou a passar tanto frio quanto esperava. Isso era de assustar. Os invernos em Berlim não devem ser subestimados.

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