Altair e Vega

108 4 1

Capítulo 9

Altair de Vega

Era como se eu estivesse em um tempo diferente. Ainda era março, mas com toda certeza era em um momento diferente do que aquele que eu vivia, diferente de todo aquele pesadelo. Um sentimento nostálgico cresceu dentro de mim.

          Por algum motivo, eu me via em algum lugar que não era a escola. Aquilo não parecia acontecer em tempo real, era como se eu não tivesse controle de meu corpo. Seria isso outra previsão? Considerando que na primeira previsão eu morreria, a única explicação é que isso era uma visão do passado. O lugar onde me encontrava parecia o telhado de minha casa. Nunca teria certeza disso já que, pelo que me lembre, nunca tive a vontade de me aventurar teto acima.

          Eu me deitei no telhado, estava ao lado de uma garota que parecia não estar muito confortável. Por algum motivo, eu não conseguia reconhecê-la, era como se o rosto dela estivesse vazio, como se fosse um simples borrado.

          — E essa outra estrela é Vega. Uma pena que não é tão fácil de ver o triângulo inteiro na primavera. Só daria pra você ver ele no verão — falei apontando para o céu.

          — Por que você sabe de tanta coisa estranha? — A garota perguntou.

          — Ah... É que... Meu pai. Ele sempre me levava para olhar o céu. Lá no Japão existe todo um festival envolvendo essas estrelas. Uma história inteira.

          — Uma história? Que tipo de história?

          — Ah, não. Não é uma história lá muito boa, é aquelas baboseiras mitológicas, sabe?

          Falei um pouco envergonhado e constrangido. A história em si não era tão ruim, mas a situação não era a melhor para contar uma história tão romântica.

          — Qual é o problema? Deve ser boa e você só não quer contar. Olhar para as estrelas está me entediando. Conta! Conta!

          A garota falou se mexendo um pouco, animada. Diria que acabei um pouco magoado por ela falar que olhar para as estrelas era uma tarefa tediosa. Por outro lado, nunca fui tão chegado em observar estrelas, quem gostava disso de verdade era meu pai e provavelmente é por isso que eu estava olhando as estrelas com ela, para ter uma sensação serena, assim como tinha quando estava no Japão.

          — Ah... Tudo bem...

          Pigarreei como se fosse discursar algo e comecei a contar.

          "Muito tempo atrás, uma linda garota, Orihime, era a grande tecelã que tecia incríveis tecidos divinos. Orihime era filha do grande Senhor dos Céus e tinha uma tarefa importante, mas ainda assim sua vida lhe parecia triste demais para ser vivida. Ela desejava uma vida que mostrasse as maravilhas de se viver. Ela desejava amar.

          O pai de Orihime, um certo dia, decidiu que deveria achar um noivo para ela e por isso procurou algum parceiro para sua filha. Certo dia, ele decidiu levar aquele que cuidava das vacas celestiais para conhecê-la.

          Foi amor à primeira vista.

          Os dois se apaixonaram e finalmente Orihime escapou de sua melancolia. Ela voltou a achar sentido na vida.

          Mas eles não podiam viver felizes para sempre. A paixão dos dois fez com que acabassem esquecendo de seus deveres e logo Orihime parou de tecer seus tecidos enquanto seu amante parou de cuidar das vacas celestiais. O Senhor dos Céus ficou irado com a falta de trabalho e completo descaso dos dois e, assim, decidiu puni-los, separando-os para todo sempre, fazendo com que cada um ficasse de lados opostos a Via Láctea. Porém, depois de ver a tristeza de sua filha, ele decidiu então que os dois poderiam se encontrar somente uma vez por ano.

A Borboleta na TormentaLeia esta história GRATUITAMENTE!