A Chave para as Respostas

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Capítulo 7

A Chave para as Respostas

O universo sempre me pareceu distante, fora de alcance.

          Desde criança eu pensava em como nós, os seres humanos, somos insignificantes.
A terra é um planeta pequeno girando em torno de uma estrela pequena localizada em uma galáxia pequena. Enquanto isso, o universo sempre se mostra maior e maior.

          Comparados com estrelas e constelações, quão grandes somos nós? Será que temos algum propósito para existir nessa realidade gigantesca?

          Quando eu fiz onze anos, meu pai me mostrou um vídeo de quando o homem pousou na lua. Eu fiquei maravilhado. Ele me contou que, quinze anos antes do vídeo, ninguém nem imaginava ir ao espaço e, então, num piscar de olhos, a lua já estava sendo marcada pelas pegadas humanas.

          Quinze anos.

          Imagine o que o ser humano pode fazer em trinta. Em cinquenta! São tantas possibilidades! Quão longe poderemos alcançar? Existiria algum limite para nós?

          Mas a fantasia foi destruída.

          Nós somos simples grãos de poeira do universo. Quando percebi isso, eu entrei em pânico.

          Fatou, um simples grão de poeira.

          Diversas vezes eu ouvi meu pai falar sobre teorias malucas que alguns cientistas metafísicos criavam. A teoria que ele mais gostava era conhecida como Teoria do Princípio Antrópico. Basicamente, ela fala que o universo só existe para que possamos existir. Tudo no universo parece ter feito um acordo para que a vida pensante existisse e, dessa forma, provar sua própria existência.

          O universo existe?

          Essa simples pergunta feita por um ser pensante é a única e perfeita evidência da existência de nosso universo.

          "Mas isso não é muita megalomania? Considerar que algo tão grande assim só pudesse existir por causa de seres tão pequenos como os humanos chega a ser ridículo." Sempre respondi assim. Mesmo que diversas situações provassem o contrário, a ideia de ser uma mera formiga em um enorme mundo me dava a sensação de ser esmagado.

          Prefiro viver na caverna.

          Eu simplesmente não queria aceitar algo tão positivo. Aceitar que o universo poderia estar aqui somente para os seres humanos.

          Afinal, por que eu tinha tanto problema em aceitar isso? É mais comum que o contrário aconteça com as pessoas, certo? Muitas pessoas se põem no centro do mundo e por isso, quando descobrem que muitas de suas ações são irrelevantes, entram em profunda depressão. Mas minha situação era o oposto.

          O acidente do meu pai foi o bastante para eu compreender como o ser humano é frágil, como o ser humano é sem relevância para o todo. Quando meu pai morreu, o mundo continuou girando, mesmo quando o meu mundo parecia ter parado. Nesse momento, eu me tornei um covarde.

          Covarde por causa da minha inutilidade.

          Covarde por causa da minha insignificância.

          Covarde... Por causa da minha inexistência.

          O ponto zero. O tédio nasceu nesse momento de reflexão. A reflexão de uma criança de 12 anos que acabara de perder um pai e chorara por tanto tempo que decidiu nunca mais derramar uma lágrima.

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