Capítulo 1 - O show

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Todos os anos, antes do relógio marcar meia noite, eu começo a pensar na minha vida e no que vai acontecer dali para frente. Eu sempre penso que algo vai mudar e que eu vou mudar. Mas, com o passar dos anos eu percebi que nada muda. Ninguém muda de uma hora para outra. E naquele meu aniversário de 17 anos eu já estava mais do que convencida disso.

Eu nunca tive grandes comemorações no meu aniversário, mas sempre foi uma data especial. Afinal, meu aniversário era no Natal. Eu comia até não conseguir mais os pratos que minha mãe e minha avó preparavam. Minhas tias e tios sempre vinham visitar a minha família, e sempre começavam a contar histórias de quando eu era um bebê. E naquele ano não foi diferente.

Acordo assustada com o barulho do despertador. Derrubo o meu celular ao desliga-lo, e me sento na cama, ainda com sono. Era manhã de Natal, o que significava que todos os meus parentes estariam no andar de baixo da minha casa, na sala, conversando e dando altas risadas. Caminho até o banheiro, e tomo um banho gelado. A água fria me desperta totalmente. Tento me preparar psicologicamente para lidar com todos os meus parentes na sala. Meus primos, tios e tias estariam todos lá. Eu não gostava muito de nenhuma daquelas pessoas, que apareciam uma vez por ano na minha casa e gostavam de me julgar. Eu odiava isso. Com o passar dos anos, aquela data se tornou um pouco chata e até desagradável para mim. O meu próprio aniversário. Mas eu estava especialmente determinada a tornar aquele aniversário um pouco melhor para mim.

Scott, meu melhor amigo desde sempre, havia me convidado para ir ao show de uma banda que iria tocar no centro da cidade. Eu aceitei na mesma hora, já que aquela seria uma desculpa perfeita para não ter que ficar em casa tentando suportar os julgamentos e piadas irritantes dos meus parentes. Scott sabia sempre como me animar, não importava o quão mal eu estivesse. Ele me entendia sem eu nem precisar dizer algo, e eu o entendia da mesma forma.

Saí do banho, enrolada na minha toalha cor-de-rosa, e vesti o meu vestido preto. Ele era lindo, o meu vestido preferido na verdade. A saia ia até o joelho e era bem rodada, e a parte de cima do vestido marcava bem a minha cintura. Calcei o meu tênis All Star de cano alto, e fiz uma maquiagem "básica". Eu adorava usar sombra bem preta e escura nos olhos, esfumando e deixando-me com um visual meio rockeira. Aquela maquiagem não era nem um pouco básica, mas me fazia sentir mais confiante e bonita, e por isso eu a usava quase todos os dias. De todas as maquiagens que eu usava aquela era a mais básica.

Peguei o meu celular e mandei uma mensagem para Scott, dizendo para ele se encontrar comigo em frente a minha casa em dez minutos. Ele respondeu na mesma hora, dizendo que já estava saindo de casa. Guardei o meu celular na bolsa e desci as escadas. Cumprimentei os meus parentes e avisei a minha mãe que iria a um show com Scott.

- Tudo bem, querida, não se preocupe. Hoje é seu dia! - ela disse para mim, enquanto preparava o café para os meus tios. Despedi-me dela e sai de casa. Scott já estava lá, me esperando.

- Você está muito bonita! - ele disse. Ele usava uma camiseta branca e uma calça jeans escura. Suas mãos estavam no bolso da calça. - Ah, e feliz aniversário e Natal, Amy!

Ele se aproximou e me abraçou.

-Obrigado! E ai, animado para o show?

- Sim. - ele também estava muito bonito. Ele era muito bonito. Seu cabelo era castanho escuro, e ele era muito alto. Ele era muito parecido com o ator Grant Gustin. Nunca houve nada de romântico entre nós. Éramos apenas amigos - É a primeira vez que a banda vem para a cidade, e eu li no jornal uma entrevista com um integrante e, ao que parece, o show vai ser incrível!

- E desde quando você lê jornal, Scott? - dei risada.

- Eu apenas leio quando tem alguma matéria de interessante.

- E você vai ler as matérias que eu vou escrever quando eu for uma grande jornalista?

- Hum, não sei - ele colocou o braço ao redor do meu pescoço e me puxou levemente para perto dele. - É claro que eu vou ler!

Poucos tempo depois já estávamos no local do show, próximos ao palco esperando o show começar. O local estava lotado, com várias fãs loucas gritando. De repente, luzes coloridas no palco acendem e o nome na banda aparece no telão no fundo do palco. Um som de guitarra e todos começaram a gritar, e acabo dando risada de tudo aquilo. Os integrantes da banda entram no palco pulando.

Um rapaz loiro e alto, o vocalista da banda, começa a cantar o começo da música mais famosa deles. Eu não era muito fã da banda, não a ponto de conhecer todas as músicas deles e saber em que data cada álbum havia sido lançado, mais eu conhecia perfeitamente aquela música. Todos começaram a pular, cantando e dançando. Fiz a mesma coisa. Mas percebi algo estranho: o vocalista não parava de me olhar. Tentei convencer a mim mesma que ele não estava olhando para mim, que era apenas impressão minha, e continuei curtindo o show. Eu não parava de dançar e pular e até arriscava cantar junto algumas músicas. E eu ainda tinha a impressão de que o vocalista não parava de me olhar.

O show durou mais ou menos uma hora e meia, e havia sido muito divertido. Eu havia dançado e pulado tanto que estava suada, e minha voz já estava ficando rouca de tanto cantar. Todas as pessoas começavam a ir embora, inclusive eu e Scott, quando senti alguém segurar o meu braço e me puxar para trás com força. Virei-me e vi que a pessoa que estava me puxando era um segurança.

- Ei, me solta! - gritei, mas não adiantou. Ele era mais forte que eu, e nada que eu fizesse adiantava. Comecei a gritar igual uma louca, e todos ao redor olharam para mim. Onde estaria Scott? Eu precisava da ajuda dele! Eu precisava me soltar, mas o segurança continuava me puxando. Eu já estava desesperada, com lágrimas nos olhos. Até que me dei conta de onde ele estava me levando: para o camarim.

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