-AR-

172 7 11

Melissa Breeze

Imagine um lugar sem nada sob seus pés (Tudo bem, eu posso ter exagerado um pouco, na verdade tinha apenas um pedaço de madeira pequeno que eu estou em pé sobre ele). Olhar para baixo causa uma indescritível e louca sensação de flutuar no vazio. Lá embaixo, é possivel ver um pequeno rio de água prateada serpenteando em um canal de pedras brancas e cinzas com algumas plantas. O coração disparado saltitando freneticamente em meu peito, e também o suor nas mãos e na testa revelam a adrenalina à flor da pele. O sol brilhante, acompanhado do imenso azul com algumas poucas nuvens, desenha formas estonteantes com um jogo perfeito entre sombras e luzes.

Se eu não quisesse morrer ali em cima (tanto por uma queda, como por pássaros gigantes que voam por aqui, ou talvez até por conta da noite que daqui a pouco está a chegar) tinha que descer e ir para o que parecia ser uma floresta lá embaixo, existe apenas uma forma de descer, é por uma estreita e longa escada que está presa ao tronco que sustenta tudo isso. Como não tinha nada que pudesse fazer então fui me aproximando lentamente da borda para descer. O primeiro passo nos pequenos degraus foi o pior de todos, e para melhorar minha confiança, a madeira da escada estava fazendo um barulho estranho, como se estivesse prestes a quebrar. Assim que desci uns três degraus consegui apoiar minha mão na escada, foi uma péssima ideia, porquê um pedaço de madeira entrou em minha mão esquerda e está doendo muito.

Tentei ao máximo esquecer essa dor, ela era o menor dos meus problemas. A cada degrau que descia ficava mais apavorada, eu não estava nem na metade da escada. E foi nesse momento que me veio algo na mente.

-Melissa como você é burra- Gritei -Você pode voar, não precisa ficar descendo por essa escada horrivel- Eu tina esquecido completamente que podia voar. As vezes me surpreende comigo mesma, sou tão esperta para umas coisas e tão desligada para outras, mas como eu posso esquecer de uma coisa que faz parte de mim? Nem eu sei responder. Depois desse monólogo palestrado por mim para mim mesma, pensei nas asas e elas apareceram. Comecei a batê-las e pouco a pouco fui me afastando da escada. Agora sim estava tudo bem, eu estou fazendo o que sei fazer de melhor, voar, é assim que me sinto livre. Bato as asas mais forte e subo até alcançar uma nuvem, minha bolsa de suprimentos infinitos está balançando ao lado do meu corpo, não vou precisar me preocupar com nada, mas e os outros? Será que conseguirão comida e água em qualquer lugar que estejam?

Paro de movimentar as asas e me deixo cair, o ar gélido atingindo meu rosto faz eu me lembrar da primeira vez que voei e acabei presa dentro de uma tempestade, como era pequena, fiquei desesperada, mas uma coisa me ajudou, me salvou. Oh céus, como não me lembrava disso? A imagem da mulher que me salvou na tempestade e me trouxe de volta para casa surgiu em minha mente, era Dríade. Ela cuidava de mim desde que eu era pequena, várias imagens foram vindo em minha mente como um bombardeio, todas as vezes que eu estava em perigo ela estava lá para me ajudar.

Agora eu já está bem perto das árvores, "árvores", aquilo era como se fosse um disfarce para esconder o que realmente era, era uma floresta? Sim. Mas tinha uma espécie de cidade meio primitiva em seu interior. O lugar é horrível, para todo lugar que você olha, só encontra devastação. É ladrão roubando ladrão, até crianças estavam ali no meio, nenhum cidadão desse lugar era bom de verdade, todos eram maus. Fiquei com medo de descer lá. Assim que alcancei o chão uma menininha olhou para mim, ela estava encantada, seus olhos brilhavam, ela foi se aproximando de mim. Seus olhos perderam todo o brilho, era tudo uma farsa, ela tirou uma faca da cintura e mandou eu entregar a bolsa, como não sabia o que fazer, abri as asas e voei para longe dali.

O sol branco se põe no céu rosa e roxo enquanto eu estou voando, o clima caiu loucamente, está muito frio. Encontro um lugar mais vazio para pousar e vou para lá. Estou no chão limpando uma sujeira que estava em minha blusa quando ouvi risos horríveis. Meus pés recuam automaticamente e tento me misturar com as árvores e a vegetação. Cubro a boca com minha blusa para dispersar o branco da minha respiração no ar gelado. Meus olhos espiam através das árvores, para além dos arbustos que estavam em minha frente (não sei como consegui passar por elas, eu conheço essas plantas, elas são extremamente venenosas. Com base nas histórias que li, os rebeldes usaram essas plantas para matar ou paralisar os guardas até chegar no santuário das entidades) no campo onde pousei.

Qualquer contato os arbustos ou com qualquer folha, significaria morte na certa. Não vi movimento ou barulho no campo, e a única forma de voltar para la seria subir em uma árvore que estava atrás de mim e pular. Fui subindo devagar, tentei usar minhas asas e voar mas o lugar é muito pequeno. Assim que alcancei o topo da árvore, me aproximei de sua borda, certifiquei-me de que não seria perigoso e pulei. Mesmo não sendo um pulo tão alto, machuquei meu joelho esquerdo. Minha queda fez muito barulho e agora estou ouvindo passos fortes vindo em minha direção, levantei-me o mais rápido possível. Três ogros enormes surgiram das plantas, e a mesma risada de antes, era um deles que ria. Eles ficaram espantados ao me ver.

O do meio começou a gritar, pegou um pedaço de madeira, chamou os outros e veio correndo em minha direção. Eu não seria capaz de lutar contra os três, era impossível. Eles já estavam bem perto de mim, o do meio levantou a árvore que tinha pego antes na intenção de me atingir. Foi nesse momento que dei um grito e levantei a mão para se defender. Abri meus olhos, o três ogros estavam paralisados, seus olhos não possuíam cor, estavam totalmente brancos. Me arrastei no chão para se afastar deles. Seus olhos voltaram aos poucos para a cor normal me preparei para outro golpe, mas não foi isso que veio. Eles apenas deram as costas como se nada tivesse acontecido e voltaram para a floresta.

Já está ficando tarde preciso parar para descansar e dormir um pouco. Fui caminhando e procurando um lugar seguro para dormir essa noite. Encontrei uma caverna, entrei nela para ver se dava para dormir alí, ela estava abandonada e seria lá o local onde passaria essa noite, não vai ser uma das melhores, mas preciso disso, tudo isso está consumindo muito de mim, preciso de um tempinho para recarregar as forças. Apesar da quantidade absurda de insetos, Fechei meus olhos e durmi.

The KingdomsOnde as histórias ganham vida. Descobre agora