Capitulo Vinte e Dois

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Daniel

Ela me lançou um sorriso fraco, mesmo ele não combinando com toda sua força.

Eu a odiei naquele momento. Odiei a mim mesmo, pois por mais ferrado que Emily Madson estivesse me deixando, eu acho que eu não me importava, pelo menos naquele momento eu me não me importei, não com aquelas íris de cor chocolate me encarando tão profundamente.

–Emily? –Chamei-a.

Ela me olhou, realmente me olhou, sem um abismo de pensamentos entre eu, ela e sua real atenção.

Acreditei cegamente naquele momento que eu amava olhos castanhos, mas não qualquer um, apenas o dela, pois trazia uma profundidade maior que a de qualquer azul.

–Você esta sinceramente parecendo um maníaco me olhando assim, e eu sinto que a qualquer momento você vai arrancar meus olhos. – Disse ela com um sorriso zombeteiro.

–Eu não arrancaria seus olhos, –revirei os meus– seria mais esperto arrancaria sua língua, já te disseram que você fala demais? –Provoquei e ela revirou os olhos.

–Já mencionei que a importância que eu dou para sua opinião é inexistente? –Perguntou arqueando uma sobrancelha.

–Na verdade você faz questão de deixar claro todos os dias. –Sorri irônico.

–Ótimo! –Ela sorriu e se levantou.

Seu olhar prendeu-se ao céu.

–O que te prende tanto a ele? –Perguntei e quando ela me olhou acenei para o céu.

–Ele dizia que eu era como o céu, claro ou escuro, nos dias bons ou ruins, nunca deixava de brilhar, nunca se permitia apagar. E mesmo imerso nas trevas se permitia iluminar. E ás vezes, só ás vezes, nos dias mais escuros, se permitia transbordar, pois sabia que mesmo que o mundo inteiro visse, nunca iam realmente enxergar. –Disse ela.

–Miguel? –Perguntei e ela negou com um sorriso leve, carregado de dor.

–Meu pai. Ele era um cara sábio, mas não fez a melhor escolha em me jogar na vida dele. – Ela deu de ombros pegando o skate.

–O que você quer dizer? –Perguntei segurando seu pulso impedindo-a de sair.

Seus olhos correram por minha mão envolta de seu pulso e depois para meus olhos.

–Que pessoas são como o vento. Existe a brisa que traz a calma, e o furacão que traz a destruição. E eu acredito que se fossemos classificar as pessoas assim eu não seria a brisa. Ela não cabe em mim. – Disse ela dando as costas para mim. –Então eu sou o furacão, que arrasta tudo para a destruição. –Disse subindo no skate.

Então eu a observei partir e desejei por meio segundo ter a coragem que Emily Madson tinha para ver o mundo com seus próprios olhos, e desejei mais ainda poder ver como ela, pois, mesmo com o mundo desabando a sua volta ela podia colorir e viver, sem medo de algo dar errado, porque, o mundo era errado, porque a vida era errada e por ela mesma ser toda errada e um erro a mais ou menos seria motivo o suficiente para uma nova cor ser experimentada. Ela criava cores no quadro branco e triste que era sua vida.

Ela era um texto triste sendo lido de forma feliz por sua própria dor e isso só a fazia querer parecer ainda mais feliz.

Corri o máximo que pude pela calçada movimentada, eu precisava encontra-la, mesmo não tendo nada em mente para fazer depois disso.

–Uou. Você correu muito hein? –Ouvi o divertimento em sua voz.

–A onde você estava? –Perguntei tentando normalizar a minha respiração.

S.O.S Internato: A Marrenta tá na área!!!-EM REVISÃO ||LIVRO ÚNICO||Leia esta história GRATUITAMENTE!