Treze

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Era quarta, 30 de dezembro. Lívia esperava nervosa sentada na cadeira do restaurante que ela mais amava, pensando no que Rafael teria de tão importante para falar. Tinham combinado de se encontrar há mais de trinta minutos e Rafael parecia não chegar nunca.

— Que coisa mais feia deixar uma menina esperando num encontro. - A garota disse, sem analisar bem a frase que saíra da sua boca.

Quer dizer que isso é um encontro? - Rafael perguntou com uma sobrancelha levantada. Lívia corou na hora. 

— Ah, você entendeu. - Ela disse, fugindo do assunto em seguida - Mas então, você vai embora amanhã, certo? - Ela disse, sentindo uma pontada no coração.

Odiava admitir para si mesma que se sentia mal só de pensar que depois que Rafael fosse embora, ela provavelmente não o veria nunca mais. Por mais que não quisesse, tinha que admitir que esses poucos dias que tinha passado com ele, tinham sido bem legais. E que ela talvez fosse sentir um pouco de saudade dele, quando ele voltasse para Carazinho, e a esquecesse por completo.

— Então, na verdade, eu precisava mesmo te falar sobre isso... - Ele coçou a nuca. Quando ia continuar, a garçonete chegou.

— Posso ajudá-los? - Lívia assentiu.

— Eu quero um suco de laranja, com muito gelo, pelo amor de Deus! E para comer... - Ela analisou novamente a primeira página do cardápio - quero o número 3.

A garçonete loira sorriu, assentiu e anotou o pedido, olhando para Rafael em seguida, como se perguntasse mentalmente o que ele queria.

— Eu quero o número 5, e uma Coca, por favor.

A moça anotou e saiu logo em seguida.

— E então, o que você queria me falar? - A morena voltou sua atenção para Rafael.

— Pois é... Eu deixei para comprar a passagem de volta muito em cima da hora, e não consegui. Vou ter que ficar mais uns dias aqui - ele disse parecendo incomodado, mas Lívia, por sua vez, sentiu uma onda de alegria tomar conta de si. - Só que eu vou ter que dormir debaixo da ponte apartir de amanhã, porque o hotel que eu estou ficando não tem mais vagas.

A menina revirou os olhos, entendendo a indireta.

— Tudo bem, você pode ficar um dia lá em casa, aí a gente procura um hotel pra você para os outros dias... - Ela disse, tentando fingir que não estava anciosa para que ele dissesse sim.

— É sério? Tudo bem eu passar a virada do ano com vocês? - Ele perguntou animado.

A morena riu com a reação de Rafael.

— Tudo bem, eu nunca faço nada mesmo...

Não demorou muito para que a comida deles chegasse, e eles ficassem em silêncio, afinal, aquele não era o restaurante preferido de Lívia atoa.

Ficaram lá até 2 horas da tarde. Depois de almoçar, e tomar um milkshake gigante, foram embora. Quando Lívia chegou em casa, seus pais já tinham chegado de viagem. Mas ela enrrolou até o jantar, para avisar que eles teriam um convidado para a virada do ano.

— Então gente, amanhã... - Lívia começou. - Nós vamos ter um convidado a mais!

— Quem? - Patrícia a olhou com um sorriso desconfiado.

— Ah, um amigo - ela encarou Victor, como quem suplicava para ele não falar nada à respeito. - O Rafael.

Mariana arregalou os olhos, e quase se engasgou com a comida.

— O Cellbit? - Ela perguntou incrédula.

— Mas você não odiava ele Lívia? - a mãe perguntou, não entendendo nada.

— Então mãe, é uma longa história...

Nós temos tempo Lívia, pode começar.

HATER | Cellbit - Rafael LangeOnde as histórias ganham vida. Descobre agora