Não há como confiar em alguém que não ganhou a sua confiança, não é?

Acho que não importa muito, as pessoas constroem muros por um bom motivo, motivos esses que só as levam a fazer muros e mais muros se distanciando umas das outras, mesmo que elas morem durante décadas uma ao lado da outra.

Será que um dia poderemos conviver num mundo em que todo mundo consegue se respeitar de verdade ou sempre irá ser essa coisa falsa do "você não se importa comigo, eu não me importo com você"?

Será que você consegue entender o que eu quero dizer ou será que é tudo tão complicado do meu ponto de vista que você não entendeu nada? Pois é, eu não entendo nada também. Só sei de que nada sei... e mesmo assim tento encontrar respostas para algumas perguntas simples. Acho que eu sou pretensioso, não?

Em Janeiro de 2016, pouco depois do meu aniversário, vai fazer um ano que eu tive que deixar o Ceará. Foi preciso e eu nasci em São Paulo, nada mais natural do que voltar para a terra onde eu nasci. No entanto, foi com certo pesar... Meu pequeno Valente, o meu gatinho cuja foto eu decidi usar para ilustrar este texto, ficou lá, eu não tinha e ainda hoje não tenho como cuidar de qualquer animal... Pra completar, o(a) gato(a) da vizinha foi encontrado morto, duro, na garagem da minha casa, nenhum ferimento e não faço ideia se poderia ter sido por velhice, já que o animal não deveria ter idade pra isso ainda - ele não estava nas redondezas quando eu fui morar no Ceará em Julho de 2013 e já estava por aqui quando voltei ano passado em Janeiro. Talvez fosse velho e fosse o tempo dele mesmo, mas isso retrata bem a minha realidade, a mesma que tive que presenciar quando o antigo cachorro daqui de casa, o Rex, envelheceu e teve complicações sérias em seus últimos dias de vida. Não houve veterinário, não tenho dinheiro pra isso. Ele simplesmente foi definhando, deve ter ficado cego de repente, completamente desorientado, ficava cambaleando de um lado pro outro. No seu último dia de vida, ele ofegava muito, larvas de mosquito corroíam ele por dentro e foi aplicado um pouco de violeta genciana para animais que vem em spray. As larvas saíram pelo seu órgão genital e ficaram ao lado dele. Fui eu quem o encontrou morto, boca aberta, sem vida... Ele foi enrolado como se fosse um pacote de lixo e deixado para o lixeiro levar... Foi cruel... mas é assim que a vida me parece a maior parte do tempo se você não tem recurso algum para pelo menos dar um enterro digno a quem só te trouxe alegria, que ficava feliz toda vez que você o chamava e que se contentava com as sobras da sua comida...

O que eu ia conseguir fazer de bom pra um pequeno gatinho que não tinha nascido na cidade, que poderia se perder na primeira noite que ficasse fora de casa - cachorros podem ficar presos na coleira ou soltos no quintal se você tiver um, mas gatos são livres por natureza -, ou ainda, se uma hora me dissessem que não posso mais comprar ração pra ele porque eu não tenho dinheiro... Bem, tenho que explicar essa parte, pra fortalecer a mãe do meu pequeno Valente enquanto ela cuidava dos filhotes recém-nascidos (eu vi ele e os irmãos nascerem), resolvi comprar um pouco de ração pra gatos e passei o resto do tempo que tive, pouco mais de meio ano, dando ração pros filhotes. Mas nem sempre isso é bom, tem que ter um costume pra alimentar cães e gatos com ração e não se pode simplesmente parar ou trocar por outra marca do nada, isso pode dar complicações na barriguinha deles, deixando-os com gases ou até mesmo diarreia dependendo do caso. E foi assim mesmo, tive que parar no meio. Não sei se o meu pequeno Valente está bem, se tem o que comer... Espero que sim, não dá pra ter notícias e talvez uma má notícia não seja o que eu queira agora.

Eram quatro gatinhos da ninhada... Tigresa, a fêmea cinza rajada, Briggs, o maior dos machos, Valente, o pequeno que se apegou a mim e por último o Pãozinho - era difícil saber quem era quem por serem os três pretos, mas eu sabia que o Briggs era maior que os irmãos e que o Valente gostava de mim, o terceiro era o Pãozinho. Praticamente todos os quatros - a mãe, a irmã e os irmãos do Valente - não gostavam de ficar muito tempo no colo, logo eles queriam deixar de lado e ficar no chão. Mas o Valente não, ele era mais dengoso e gostava de ficar no colo sem reclamar tanto. Talvez fosse algo especial, talvez ele fosse mais quieto mesmo. Eu sei que eu gostava dele e ano passado, para o CampNaNo de Abril, eu decidi escrever uma história usando o Valente como personagem principal numa busca pelo pai sequestrado... Não consegui chegar as 50 mil palavras que eu pretendia, tive problemas sérios com o meu notebook e tive que abortar a escrita do livro, apesar de ter passado das 30 mil palavras. Já que eu não tenho muito o que fazer, vou fazer uma revisão e publicar os poucos capítulos que eu escrevi por aqui, em homenagem ao filho que eu perdi...

Paradisum quaerite - procure pelo paraíso, procure o que é melhor para você.

Ubi est paradisum - Onde está o paraíso, o que é melhor pra você.

Parabéns pra mim, tenho uma torta de frango pra fazer agora... Até a próxima! o/

OBS.: Não tive bolo de aniversário. Nos últimos anos não tenho tido mesmo... :o]

Edição: História UBI EST PARADISUM já está disponível no Wattpad. :oD



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