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A noite estava tão quente quanto as tardes de verão e embora o escuro fosse mais agradável que o amarelo forte do sol em nossa cara, eu não conseguia aproveitar. Corri pelas ruas de penumbra de todos os postes estourados pelo pessoal do tráfico - quando mais escuridão nas ruelas da favela, mais difícil seria para a polícia pegá-los desprevenidos. Com conhecimento de causa e território, eles tinham uma vantagem absurda em cima dos fardados.

Meus pés me guiaram para a boca próxima a casa de JP, onde eu sabia que ele se encontraria naquela noite. Não percebi até parar em frente ao portão aberto da casa e correr para secar as lágrimas que escorriam de meus olhos antes que os homens responsáveis pela segurança do estoque do ponto pusessem os olhos em mim.

- Noite - cumprimentaram-me, sem cerimônias, acostumados a me ver ir e vir atrás de Pepê e agora, mais frequentemente, atrás de JP.

- Boa noite - balancei a cabeça de volta, abaixando o rosto para que não notassem minha fraqueza.

Entrei na casa, passeando os olhos até achar JP guardando uma maleta em um buraco da parede da casa. Esse espaço era infinitamente mais arrumado que a outra boca onde ele fazia ponto, era a casa de alguém que conseguira se mudar dali para algo melhor e eles pegaram para o tráfico. A nitidez do status de vida melhor era clara, havia até uma piscina de cerâmica no terreno grande e apesar de anos, a casa continuava em bom estado.

Corri até JP, que me recebeu com um sorriso, para então desmanchá-lo ao perceber a aflição estampada em cada célula do meu ser.

- O que houve?

Não quis preocupá-lo com mais de meus problemas, ele sabia o pé de guerra em que minha casa se encontrava e o inferno que rodeava a minha vida para perceber sozinho que aquelas lágrimas eram o resultado de mais uma briga com a minha mãe.

Eu sabia o que eu precisava e não eram suas palavras doces e seus conselhos inteligentes.

Então pulei em seu pescoço, envolvendo-o com meus braços e minha boca avançou contra a sua com uma urgência que eu não conhecia ter. Senti suas mãos incertas e confusas procurarem minha cintura enquanto eu o empurrava contra a parede da casa e risos dos comparsas deles alcançavam meus ouvidos.

- Ei... - JP se afastou quando eu lhe dei uma chance. Encarou-me com seus olhos amendoados cerrados, tentando me entender e, então, escorregou uma de suas mãos da minha cintura até envolvê-la com a minha. - Vem.

Puxou-me para o fundo do terreno, entre uma árvore e o muro com o vizinho. Empurrou-me levemente contra a minha parede e encaixou-se o corpo no meu, me fazendo sorrir e sentir todos os arrepios que eu precisava para nublar meus pensamentos da discussão que estava para acontecer, mas eu sabia que JP era curioso e carinhoso demais para permitir me distrair sem saber exatamente com o que estava lidando.

- Vai me contar sobre esse seu surto psicótico? - Perguntou-me.

Ri por conta do surto psicótico e ele me acompanhou e olhei para o chão, um pouco envergonhada por ter explodido com a minha mãe depois de tanto escutar para manter a calma e deixar ela falar sozinha.

- Eu briguei com a minha mãe. Ela tentou pedir meu dinheiro de novo e disse que eu estava deixando a gente passar necessidade pra guardar grana e disse que ia diminuir meu salário - senti as lágrimas voltarem a acumular debaixo dos meus olhos, sem conseguir evitar. JP acariciou minha bochecha, atento. - Gritei um monte de palavrão na cara dela, me demiti e sai correndo pra ver você. Não sabia o que fazer.

Ainda sentia a agitação e o pavor da briga me envolverem e gritarem por sossego. JP deu um leve sorriso de lado, triste pelo que havia acontecido, mas não deixei suas palavras de consolo chegarem até mim, grudando meus lábios de volta aos dele. Senti sua hesitação e já havia aprendido a como cortá-la com facilidade.

Pouco a pouco, nós avançávamos no nosso relacionamento, quebrando minhas barreiras e imposições. Eu já decidira que queria que minha primeira vez fosse com ele, antes de me mudar e, por mais doloroso que fosse a ideia de deixá-lo para trás, sabia que dificilmente encontraria alguém que me importasse tanto e que fizesse tanto significado na minha vida quanto JP. Então, pouco a pouco, eu cedia, empurrando o momento chave para frente por medo da mudança e da própria situação, permitindo-me mais tempo para acostumar com a ideia e a confiar em mim mesma e em João.

Já era eu que tomava os primeiros passos, contra o respeito sempre vigoroso de JP. Normalmente, era ele que parava os nossos avanços, preocupado que algo muito intenso acontecesse sem que eu tomasse conta do que estava fazendo. Ele freava e voltava para o começo e, por isso, o adorava e confiava mais nele a cada segundo.

Porém, conhecia a maneira certa de fazê-lo perder a cabeça. E foi com essa intenção que escorreguei minhas mãos arteiras até onde sua ereção começava a querer crescer sob o tecido da calça. Ele suspirou e segurou o ar, soltando-o em gemido próximo da minha boca.

- Você tá ficando tão arteira, Drica - murmurou, enquanto eu abria o zíper da sua calça e procurava juntar minha pele com a dele. - Tão ansiosa, tão...

As palavras se perderam quando meus dedos se fecharam contra o seu membro rígido, acariciando-o levemente. O gemido que escapou me fez revirar os olhos. Sua boca veio a minha, já mais focada em mordidas que em beijos e suas mãos procuravam meus seios pequenos para se fartar.

Eu podia ficar assim por horas e os minutos se passaram sem dificuldades, com arfadas, beijos, carícias e gemidos. Eu mantinha JP rígido em minhas mãos, enquanto seus lábios se lambuzavam com a curva do meu pescoço.

- Vou fazer uma coisa - sussurrou. - Você precisa... Apertar as pernas.

Suas mãos retiraram as minhas da sua rigidez e eu deixei-o se desvencilhar do meio das minhas pernas, confusa, apertando as coxas como me fora instruído. Senti suas mãos nas minhas coxas, na parte exterior, levantando a barra da minha saia jeans, centímetro por centímetro, como se ele esperasse que eu fosse pará-lo a qualquer segundo. Não o fiz, curiosa e excitada. Ele me encarou com seus olhos brilhando na escuridão dos fundos do terreno e senti sua quentura se encaixar no pequeno vão restante entre minha calcinha e as duas coxas. Arregalei os olhos, sentindo-o se enfiar e todas as sensações gostosas que vieram a seguir.

Estava impressionada como aquilo era bom e, convencida, gemi.

- Consigo sentir você molhada pela calcinha - ele gemeu em meu ouvido.

Estava contente que a casa cortasse a visão da entrada, não permitindo que ninguém nos pegasse naquela situação, então relaxei, sentindo o comichão no meio das minhas pernas se intensificar com o vai-e-vém de JP. Enfiei minhas unhas em suas costas e recebi seu beijo pouco concentrado de ambas as partes. Gemidos escapavam sem demora.

Uma vibração irritantemente insistente vinha do bolso da minha saia e eu queria insistir, mas incomodou a nós dois. Pedi desculpas com o olhar.

- Eu acho... Acho que é minha mãe.

- É, ela deve estar preocupada - ele se afastou e guardou-se de volta na calça, abaixando minha saia também, ele mesmo.

Tirei o celular do bolso, encarando sete ligações não atendidas e 30 mensagens vindas de Cela. Franzi a testa para o aparelho, lendo levemente o desespero da minha melhor amiga relatado em palavras escritas todas com letras maiúsculas. Alguma coisa séria havia acontecido e ela pedia urgentemente minha ajuda.

- O que houve? - Perguntou ao ler minha expressão preocupada.

- Não sei, é a Cela - guardei o celular de volta ao bolso e amassei os meus cachos, esperando que não estivessem muito bagunçados. - Preciso ir, algo aconteceu.

Fiquei na ponta dos pés para lhe dar um selinho e ele sorriu no beijo, olhando-me enquanto eu me afastava.

Nota da autora: Nossa, tá calor aqui ou sou só eu? Puffffff Socorro! hahahahah

Então, gente, gostaram da explosão da Drica? Dos amassos? Eu tô tão ansiosa em dividir tudo com vocês!

Ó, a próxima att é dia 30, tá?

E ah! Não esqueçam de comentar! O melhor comentário do capítulo até terça-feira (dia 19/01/16) que vem ganha capítulo antes da galera e uns brindezinhos maneiros, ok?

Beijos rosados :*

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