Capítulo 42

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Nina Novaes.

Um mês depois.

Abril chegou trazendo uma paz que eu nunca imaginei sentir. Embora o caos no hospital permanecesse igual (se não pior), tudo ao meu redor exalava tranquilidade.

Alex e eu nunca estivemos tão bem. Não estávamos eufóricos com o casamento como Sofia e Miguel, porque queríamos algo mais simples (mesmo que não tanto assim). Quando tínhamos um tempinho livre em meio a tantos afazeres envolvendo o trabalho ou a saudade que ainda não havíamos conseguido matar, planejávamos despreocupadamente questões como data, local, decoração, convidados etc. Alex parecia mais nervoso e ansioso do que eu mesma, embora não chegasse nem aos pés da ansiedade de nossas mães. Elas se viam praticamente todos os dias para tratarem de coisas que eu e Alex esquecíamos de propósito, como fotógrafos, serviço de Buffet e até mesmo lua de mel (dela só pensávamos na noite de núpcias, se é que me entendem).

Marcelo, por outro lado, só falava na despedida de solteiro. Ele queria estar presente na minha e na de Alex, de modo que nos obrigou a marcar em datas diferentes. Nós não fazíamos questão dessa parte, principalmente eu, mas Marcelo se recusava a aceitar e repetia quantas vezes fossem preciso que sua condição em ser meu padrinho seria a existência da droga da despedida de solteiro. Juro por Deus que não conseguia imaginar as coisas que ele planejava para essa data.

Em todo o caso, meu casamento aconteceria alguns meses antes do de Sofia e Miguel, provavelmente entre julho e agosto. Quanto a pensar em onde morar, nós não queríamos sair do meu apartamento, o que nos levou apenas a planejar uma boa reforma. Na semana passada trocamos o piso e os papéis de parede, e também estávamos pensando em substituir alguns móveis. Não que Alex não gostasse do meu apartamento do jeito que ele era, mas eu fazia questão de mudar algumas coisas para poder dar a ele uma cara de "apartamento de casal".

Depois de uma semana particularmente agitada, acordo na manhã de sábado e ignoro todo o cansaço e as dores musculares que sinto, pois só consigo pensar no que faria hoje. Sofia e eu iríamos ao shopping em busca de nossos vestidos de noiva, e eu mal conseguia me conter de tanta animação. Por mais que o casamento dela estivesse mais distante, ela estava disposta a antecipar todos os preparativos só para que pudéssemos cuidar das coisas juntas.

Ainda na cama, tateio o colchão ao meu redor em busca de Alex, mas o encontro vazio. Olho para o relógio no criado mudo e vejo que ainda não são nem dez horas. Saio da cama sem muito esforço e vou arrastando os pés para fora do quarto.

Todo o apartamento tem cheirinho de café, o que estranhamente me traz uma sensação de conforto. Como se não bastasse, da sala consigo ver Alex de costas, provavelmente encarando nossa torradeira. Nossa torradeira. Ainda era engraçado dizer essas coisas.

Ao me aproximar o suficiente, coloco os braços ao redor de suas costas e aspiro o cheiro de sua camisa do pijama, me sentindo mais em casa do que nunca. Ele dá uma risadinha pelo nariz e passa as mãos pelos meus braços, esticando uma das minhas até sua boca e depositando um beijo em meus dedos.

– Bom dia, amor – ele diz como em todas as manhãs.

– Bom dia! – respondo e o vejo se virar pouco depois e me abraçar de frente, beijando agora meus cabelos bagunçados (também como em todas as manhãs). – O que tá aprontando? – pergunto e dou uma olhadinha na torradeira.

– Seu café da manhã, ué.

– Tá me deixando mal acostumada.

– Você sempre foi – ele ri e depois sela os lábios nos meus.

É nesse instante que a porta do apartamento se abre e, juntos, soltamos um suspiro derrotado. O de Alex mais parece um resmungo. Ambos permanecemos abraçados e em silêncio, até que um Marcelo aparece na porta da cozinha, parecendo animadíssimo.

Anjo (COMPLETO)Leia esta história GRATUITAMENTE!