A ira do Anjo

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Capítulo III

A ira do Anjo

          Amy despertou alguns minutos depois de Sean tê-la feito dormir. Seus olhos demonstravam completa ira e tudo que ela queria era vingança. Assim, o anjo decidiu rastreá-lo. A tarefa não foi difícil, afinal, o poder que Sean emanava era imenso e maligno.

          Após andar algumas quadras, logo deparou-se com um pequeno apartamento. As paredes da parte de fora da casa eram cinzas, haviam três grandes janelas e uma porta preta de madeira. 

          A vizinhança era normal. Havia dezenas de casas parecidas com a de Sean, entretanto, elas tinham cores mais vivas. Outro fato estranho era que todos os postes estavam funcionando perfeitamente, menos o que iluminava a casa dele. 

          O anjo colocou a mão no queixo. Amy pensava se deveria entrar pela porta ou por uma das janelas. Após alguns segundos de reflexão, a resposta se tornou óbvia para ela. 

          Amy olhou para um lado e depois para o outro, verificando se não tinha alguém olhando. Ótimo, a rua está tão vazia quanto a cabeça de Sean, pensou ela. 

          Com um pequeno sorriso no rosto, ela fechou os olhos e lindas asas brancas surgiram em suas costas. Rapidamente ela voou até uma das três janelas da casa e, com cautela, a abriu. 

          Suave como um anjo deveria ser, ela adentrou na casa e fechou a janela novamente. Um sorriso maligno foi formado em seu rosto. 

          Sean não sabe o que o aguarda, ele vai ver, pensou o anjo. Seus lábios formaram uma leve risada silenciosa.

          Amy estava pronta para vingar-se, quando olhou mais atentamente ao local que estava. Ela, coincidentemente, havia entrado no quarto do Sean. 

          Ele estava deitado em sua cama, onde mexia-se bruscamente de um lado para o outro e seu rosto estava pálido e suado 

          — Não... Por favor, não faça isso com eles — ele dizia, enquanto virava de um lado para o outro. Sua coberta já não mais o cobria. 

          O sentimento de vingança desapareceu completamente da mente de Amy. As expressões que o rosto de Sean fazia eram aterrorizantes, até mesmo para ela, um ser que já havia presenciado a própria morte. 

          Ela se aproximou lentamente da cama e, com todo cuidado, acariciou o cabelo de Sean. Um aconchegante sorriso formou-se em seus lábios 

          — Calma, tudo vai ficar bem — ela murmurou, com uma suave voz. 

          Todo o sentimento de vingança havia sido convertido em compaixão e carinho. Parecia até mesmo que Amy entendia pelo que Sean havia passando. 

          Ela estava prestes a dizer mais algumas palavras, quando ele ameaçou acordar. Rapidamente, ela afastou-se da cama e desceu as escadas, indo em direção ao que parecia ser uma sala de estar.

          De fato, o que Amy presenciou hoje, mudou totalmente o jeito como ela olhava para ele. O anjo ligou a tevê e esperou até que Sean acordasse. 

* * * 

          Mais tarde, após toda a frieza demonstrada por Sean, Amy saiu do apartamento totalmente indignada e enfurecida e, por isso, pegou o sobretudo do Sean, somente para irritá-lo.

          Ela não podia aceitar o que Sean havia acabado de fazer. Após deixá-la ficar em sua casa, ele simplesmente negou ajudá-la. O anjo sentiu-se totalmente idiota por ter ficado com pena dele durante a noite.

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