O caçador e o anjo

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Capítulo I

O caçador e o anjo

          As longas e turvas ruas da cidade estavam molhadas por causa da repentina chuva que caía. A escuridão preenchia o céu, até mesmo a lua havia perecido e dado lugar a um céu perturbador e nublado. Além do som do encontro das gotas da chuva com o solo, o barulho do caminhar de Sean ao pisar nas poças de água era o único som possível de se ouvir.

          Ele vestia um longo sobretudo negro, em sua mão esquerda, segurava uma arma de fogo e, em sua mão direita, uma longa e fina espada com uma bela curvatura.

          Parecendo surpreso, Sean desacelerou seus passos até ficar totalmente imóvel. Com um só movimento, olhou para cima e fitou o céu atordoante. Seus olhos estavam inexpressíveis.

          —O que estou fazendo? —murmurou Sean, perplexo.

          Como se uma profunda névoa houvesse entrado em sua mente, Sean não conseguia lembrar-se de nada. Ele sentia, simplesmente, um profundo e árduo vazio em seu interior.

          Subitamente, um relâmpago atravessou todo o céu. Os olhos de Sean seguiram o trajeto do relâmpago, ele soltou uma leve e cínica risada e olhou para baixo.

          — Heh, então é isso. Às vezes meus poderes são bem irritantes.

          Sean começou a caminhar novamente, enquanto seus lábios formavam uma profunda e séria expressão.

          — Devo me apressar, ela não ficará por perto para sempre — falou, enquanto aumentava mais ainda sua velocidade. Seu leve caminhar havia se transformado em uma rápida corrida.

          Sean virou algumas ruas e logo deparou-se com um estreito beco sem saída.

          — Apareça, alma.

          Como se ele fosse absoluto, uma estranha e horrenda sombra apareceu frente a Sean. A sombra possuía uma presença maligna e sofredora.

          Imediatamente, ele guardou suas armas e puxou uma faixa que cobria todo o seu antebraço esquerdo. Com um só gesto, ele estendeu a sua mão esquerda frente a face da alma.

          Em questão de segundos, a alma dissolveu-se em névoa, desaparecendo deste mundo.

          — Serviço completo — disse ele, enquanto enfaixava seu antebraço esquerdo novamente — Hora de voltar para casa.

          Ignorando a chuva e os trovões, Sean caminhou até sua casa, qual ficava poucos metros da onde estava. Seu apartamento era simples, tendo somente uma sala, uma pequena cozinha, um quarto e um banheiro.

          Destrancando a porta, ele entra no local. Rapidamente, Sean caminha até o seu quarto, onde despenca em sua cama. Um pouco antes de pregar os olhos, olhou para o relógio.

          — 3:40 da manhã. Em vez de perturbar o meu sono, uma alma deveria dormir a essa hora.

          Sean fechou os seus olhos e adormeceu. E, naquela noite, ele, como normalmente, teve um sonho ruim.

* * *

          Sean estava em uma escola que tinha dois andares repletos de janelas por todos os lados, com portões de grade e um grande e verde pátio cheio de árvores. A folhagem mexia-se bruscamente conforme o vento desejava.

          Estudantes andavam por todo o local, principalmente pelo pátio. O lugar era meramente familiar, porém, por mais que ele tentasse se lembrar, somente sentia uma terrível dor na cabeça.

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