-FOGO-

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Matthew Burn

Novamente tudo se escureceu, a mesma sensação de antes surgiu, a morte, me sentia morto, o mesmo vazio o mesmo silêncio, mas felizmente isso durou por pouco tempo. Abri meus olhos e eu estava flutuando, descendo lentamente, vi onde estava, tinha o formato de uma mão, finalmente cheguei ao chão, eu pisava em um solo duro e rachado. Aqui é um pouco quente. As formas que eu vi antes foram mudando, não era mais uma mão, ela foi se alongando até tomar a forma e o tamanho de uma cidade, tomando a forma do reino do fogo, isso era muito estranho, não era o reino do fogo que eu conhecia, tudo muito diferente.

Mesmo estando em um lugar agradável e com um clima que eu já era acostumado, me senti incomodado por conta do que não conhecia. Talvez por conta das cinzas que caiam do céu escuro, ou talvez pelos fios de magma puro que escorriam pelo chão, ou quem sabe até por conta dessa paisagem assustadora. Eu não via vendedores de rua aqui, nem mães e pais correndo atrás de um filho travesso. Não via as estranhas casas, algumas até com formas abstratas, também não via os veículos modernos por aqui, uns chegando flutuar no ar. Isso era apenas uma cópia do lugar onde vivi, porém todo acabado, como se tivesse acontecido outra guerra que destruiu com tudo. Olhando para trás não via castelo algum, muito menos o vasto campo onde as pessoas se divertiam, apenas destroços.

A minha frente, a Floresta Proibida se exibia longa e mais sombria que nunca, tendo dentro de si uma horripilante voz entre suas árvores (algumas árvores pareciam petrificadas e com chamas em seu topo) convidando-me para entrar. Mas não sou burro, sei das coisas horríveis que acontecem aqui, essa floresta não tem seu nome assim por acaso.

-Venha- Sussurrava a floresta -Encontre-me.

-Quem é você? - Perguntei mas recebi silêncio como resposta, então continuei perguntando por mais algum tempo. Eu estou sozinho, apenas eu e a assustadora floresta. "Mas florestas não deveriam falar, deve ser algum bichinho tentando pregar uma peça em mim" pensei tentando não imaginar coisa pior.

Quem quer que estivesse ali, na floresta de pedra, não deveria ser alguém com boas intenções. Com passos vagarosos e curtos fui me aproximando das primeiras árvores. Muito tenso, eu dava passos errados, meus braços estavam rígidos, tudo aqui me da medo. Num movimento suave, as árvores começaram a balançar (Até as petrificadas). A fuligem que estavam nas folhas e nos galhos das arvores foi jogada lentamente. Vi as raízes das árvores se contorcerem, elas saíram do chão e ergueram as árvores, parecia que elas estavam caminhando, mas foram apenas pouquíssimos centímetros. Nesse pequeno espaço surgiu uma trilha que nunca vira antes, com pedras no chão fazendo um caminho e alguns ramos em toda sua extensão.

Era tudo muito úmido e abafado, e ao mesmo tempo seco e ventilado, o clima aqui dentro é muito inconstante. Olhei para o lado e vi uma parte da floresta coberta de neve. Eu conseguia escutar alguns gritos, uivos de lobos, rugidos de algum outro bicho e também o familiar bater de asas das pequenas e travessas fadas dessa floresta. Olhava ao redor tentando decifrar de onde vinham os sons mas não consegui, não conseguia enxergar nada.

Isso nunca vai acabar? Essa trilha é infinita? Perguntei a mim mesmo, esse caminha parecia não ter fim, tudo ía ficando mais escuro a cada passo. Quase me esqueci da espada do lado de meu corpo, tentei iluminar o caminho com uma chama, mas não consegui, o lugar deve está inibindo meus poderes. A Floresta Proibida é traiçoeira, se você não for esperto, nunca encontrará uma saída e vai ficar preso para sempre. Eu já não enxergava nada, uma leve luz bem distante me deu ânimo para continuar, agora com uma direção certa. Ali era uma parte da floresta que fora conservada no meio da destruição, "conservada" eu conhecia esse lugar, as plantas continuavam verdes mas o que havia ali estava completamente destruído. Era a clareira onde tudo começou, a cabana e os banco que existiam ali estão todos só o pó. Vi algo como se fosse altar, idêntico ao que construí naquele dia, ao lado vi algumas pedras enterradas no chão com uma parte para fora, tipo uma lápide. Me aproximei do lugar e fiquei horrorizado com o que vi, os nossos rostos estavam esculpidos nas pedras, uma lagrima escorreu rapidamente sobre a superfície de meu rosto, ouvi um choro atrás de mim. Virei e vi Dríade sentada em uma pedra chorando, cheguei perto dela e a toquei, quando ela se virou seu rosto se enriqueceu e tomou uma expressão assustada, ela levantou a mão para me tocar, quando encostou no meu rosto, ela começou a desparecer como uma poeira ao vento.

Novamente as árvores se abriram formando um novo caminho, fiquei receoso em entrar lá, mas não queria, não aguento ficar aqui, então fui. Dessa vez a trilha foi curta, quando cheguei no final, vi pequenas criaturas ardendo em chamas e com sorrisos malvados, assim que me viram eles entraram as pressas na floresta. Eu já havia percebido que esse mundo não poderia ser real. Era o ligar onde eu vivia, era meu lar. Mas não era real, apenas uma cópia mal feita, acabada e mais fantasiosa do que já era, transformando tudo que eu amava em um pesadelo sem fim.

Agora o cenário era pior que antes, eu estou na entrada do castelo, tudo acabado, sem nenhuma vida no lugar. Não conseguia ver o lugar onde fiquei toda minha vida desse jeito, meu estômago parecia dançar lambada e minha cabeça tango. Fui entrando devagar tentando não esbarrar em nada, vi alguns ossos no chão e desviei o olhar. Subi as escadas que davam no meu quarto, quando abri a porta tudo ficou claro e depois se apagou, como um flash.

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