Capitulo Nove

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Era estranho estar sobre o olhar fixo de alguém, diria que até mesmo ruim. Enquanto eu comia, ele me encarava atentamente, e se aqueles olhos cor de chocolate derretido não fossem tão bonitos eu já teria arrancado-os, ou pelo menos tentado. Perto de outros olhos, os meus castanhos pareciam tão comuns que quase me deixavam tristes. Quase, porque acho que ninguém fica triste por um par de olhos, além de mim é claro.

-Como consegue comer tanto? Daniel perguntou com uma careta esquisita.

Bom, ele era esquisito, então isso não é nada de extraordinário.

-Uma frase, três palavras e dez letras: Comer é vida! Murmurei concentrada na minha nutella.

-Você não me respondeu o porquê de estar toda estranha hoje mais cedo, não que você não seja estranha, você é, mas, estar estranha ao ponto de me pedir desculpas é preocupante! -Disse um pouco rápido não deixando escapar a chance de me provocar.

-Ainda não gosto de você loiro, um motivo a mais para que eu não fale da minha vida com você! -Sorri- Pode me levar a mal, por que isso é pessoal! -Provoquei, enquanto meus lábios deixavam a curva de um sorriso comum para se tornar irônico.

Ele lentamente levantou as mãos em um falso sinal de rendição enquanto seu olhar pousava nas mangas grossas da minha blusa de frio. Devo dizer que os aquecedores do colégio vem me causando problemas.

-Imunidade baixa? -Perguntou ele do nada.

-Como? Perguntei confusa.

-O motivo do moletom, imunidade baixa?

-Já te disseram o quanto você e suas perguntas são chatos? Perguntei levando uma ultima colherada de nutella para minha boca.

-Não. -Disse pensativo.

-Pois então eu digo: Você e suas perguntas são insuportáveis, então para, por que eu não vou responder, e ainda não entendi por que você ainda esta aqui!

-Já te disseram o quanto essa coisa de ser grossa e esquentadinha irrita? Pois se não, eu mesmo digo! - Ele disse, seus olhos chocolate se derramando em provocações infantis.

Eu estava pronta para pular em sua garganta para aperta-la, ou para socar o rosto dele, até que aquele maldito sorriso sumisse de lá, porém, o barulho das portas pesadas da cantina se abrindo me fez parar, as mãos prontas para puxa-lo e o corpo parcialmente debruçado sobre mesa, tudo interrompido, por um trio de amigos idiotas:

-Nem pense Emily! - Matheus me puxou de volta para o banco.

-Droga Matheus, sabe o quanto eu esperei por esse momento? Perguntei ficando emburrada.

-Não gosto quando você me chama de Matheus! - Murmurou irritado.

-E eu não gosto quando você me chama de Emily e muito menos quando você estraga momentos felizes como esse que eu ia ter! - Devolvi cruzando os braços sobre o peito como uma criança birrenta.

-Esse "momento feliz" te levaria a mais uma noite na cadeia jogando pôquer com teus amigos traficantes, e mais um crime na sua ficha! E porque vocês estão juntos? É loucura, ambos sabem! Ele disse irritado.

-Ela caiu de skate, machucou o pé, apenas uma luxação, mas não estava conseguindo caminhar, então eu a trouxe até aqui, mas como agradecimento recebi tapas e respostas grossas, e se vocês não chegam uma possível tentativa de assassinato. -Daniel disse.

-Você caiu? Matheus perguntou e eu apenas dei de ombros.

-É normal! - Disse seca, estava magoada pelo tom que ele havia usado, eu não me importaria se fosse qualquer outra pessoa usando aquele tom, mas era o Math, meu melhor amigo, meu irmão, aquele que entendia meu caos, e só me provocava no silencio por que aguentava meu barulho e não qualquer pessoa.

S.O.S Internato: A Marrenta tá na área!!!-EM REVISÃO ||LIVRO ÚNICO||Leia esta história GRATUITAMENTE!