Prólogo

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Apresentado por MRN

A Borboleta na Tormenta  

Prólogo


Escuro...

          Uma forte sensação me invade no momento que mergulho na escuridão profunda. Uma sensação tão comum para mim que já não me surpreende mais.

          Tédio.

          A simples sensação de tédio me toma novamente. Uma sensação de afundar no simples e puro desespero.

          — O que te aflige?

          Uma voz quase familiar me vem à cabeça.

          — O que fez você acabar dessa forma?

          Acabar... Não é como se eu tivesse "acabado" dessa forma. Esse é o meu dia-a-dia. Eu acordarei amanhã e toda minha rotina será repetida do mesmo jeito de forma que meu tédio nunca desapareça, nunca seja vencido.

          — O que você vai fazer sobre isso?

          Realmente posso fazer algo? Não é como se eu tivesse alguma forma de mudar minha vida simplesmente do nada ou algo do tipo. Isso é para a ficção. A realidade é muito mais dura, onde não existem situações que possam mudar vidas. Sim... Minha vida foi monótona até então. Por que eu iria mudá-la?

          — Nada.

          Falo para, de certa forma, tentar fazer aquela voz parar de ecoar em minha cabeça. Para calar sua boca.

          — Então você quer que outros te ajudem?

          Eu... Não sou tão egoísta. Sei muito bem que minha situação é por culpa minha e somente minha... Mas... Não seria então o mesmo para todos os outros? Existe ao menos alguém que não se sente entediado?

          — Tédio.

          Respondo a primeira pergunta. Logo depois, ouço uma risada breve, como se eu fosse um peixe que mordeu uma isca.

          — O que é tédio?

          Existe, afinal, uma resposta para essa maldita pergunta? É uma sensação que sempre conheci e por isso nunca pensei em tentar descrevê-la. Afinal, o que é tédio? O que faz alguém saber que está entediado?

          — É a sensação de inexistência.

          Respondo em um único tom, quase como se estivesse em transe.

          Novamente ouço uma risada, uma risada de completo escárnio como se eu fosse o coelho pego em uma armadilha. Meus pés pararam de flutuar e encontraram um chão. Eu já não sinto mais que afundo. Eu realmente cheguei: No fundo da minha consciência.

          Uma pequena luz acende ao fundo; outra, bem próxima de mim, logo todo lugar se ilumina por lâmpadas como aquelas que são usadas em teatros com altas hastes suportando-as e direcionadas para um ponto em comum, iluminando a sala em que me encontrava. Parece ter uma cadeira no meio da sala e nela alguém está sentado com a cabeça baixa. Este alguém volta, então, a falar.

          — Dói?

          Sim. O tédio dói como nenhuma dor no mundo. Sinto como se a qualquer momento eu pudesse dissolver e então sumir, num passe de mágica. Ao olhar para cima vi que a sala parecia não ter teto, revelando um céu estrelado.

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