-ÁGUA-

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Evelyn Drop

Tudo aqui é tão monótono, tão calmo, tão vazio, apenas um preto e nada mais. As palavras de Dríade ainda estão em minha mente sempre voltando e me lembrando que não posso falhar e sempre devo dar o meu melhor. Acabamos de chegar de uma viagem cansativa e desgastante, agora entramos em outra, quer dizer, eu entrei, não sei onde estão os outros, dessa vez sou apenas eu comigo mesma. Meus olhos estão ardendo, aquelas luzes que apareceram ao meu redor antes de eu sumir, me pareciam familiar, sim, são elas mesmas, as mesmas luzes que me iniciaram nisso tudo, naquele dia que eu estava no lago brincando quando vi luzes e as persegui, então de uma coisa tenho certeza, vem muito mais desafios pela frente.

A espada esta azulada e arredondada em meia lua está empunhada em minha mão direita (que incrivelmente não está cansada pois a espada é mais leve que uma pena). Começo a sentir um cheiro que remete a minha infância, me lembra uma viagem que fui com meus país, o cheiro era de maresia, água salgada. Mas ao mesmo tempo que senti esse cheiro, outro invadiu meu corpo, era terra molhada por água doce, e também o som majestoso de uma cachoeira ressoou em meus ouvidos.

Abri meus olhos, olhei para baixo e fiquei mais confusa que antes, sob meus pés (sim eu estava flutuando sobre a água, como? Não me pergunte, pois também não sei) estava uma água dividida duas, uma parte água doce e a outra salgada. Na parte doce estava uma grande cachoeira de algodão-doce branco. A água que brotava da terra caía de uma grande cascata se transformando em pequenas nuvens de água, uma neblina cobria todos esse lugar dando um tom magico e assustador ao ambiente, a base da cachoeira era feita de mármore branco que refletia a luz do sol, tornando a água super cristalina. Na parte salgada, grandes ondas se formavam e morriam aos meus pés, era possível ver alguns peixes pulando. As duas águas se encontravam e caiam em uma grande cascata para o infinito.

Logo atrás da cachoeira tinha uma caverna, ela não era comum, não era escura, e era gigantesca, como se algo morasse lá, e infelizmente lá é o único lugar que tenho para onde ir, ao meu redor é só água e mais água, só ali encontro terra firme. Segurei minha espada minha forte e comecei a caminhar lentamente, passo após passo, sob meus pés tinha alguns peixinhos que seguiam meus movimentos, eu já estava chegando perto da cachoeira e da caverna, faltava muito pouco, porém fui interrompida por um grito fino e alto seguido por um riso maléfico, a água começou a ficar agitada, depois bolhas subiam por seu interior e estouravam ao entrar em contato com a superfície, o mesmo grito e risada apareceram novamente, a água ficou mais agitada e de saíram três seres, três sereias, mas não sereias comuns, duas delas não, uma era como as sereias que conhecemos, outra possuía escamas pretas e espinhos em sua calda, e a última, a mais assustadora, tinha características de peixe leão, o peixe veneno, o responsável pela morte de milhares de outros peixes.

-Bom dia garotinha somos Náiades, Hmm olha só o que temos aqui- A com escamas pretas fez movimentos como se estivesse farejando algo -Sinto cheiro de nossa querida priminha Dríade, ora ora, ela mandou você aqui para novamente tentar nos matar?

-Cuidado garotinha- Falou a com forma de peixe leão em um tom ameaçador -Os que tentaram nos matar não saíram daqui vivos.

-É mas não sou qualquer uma, e acho que já está na hora da história ser mudada- Respondi tentando esconder meu medo.

-Somos as protetoras dessas águas- Falou a com forma de sereia convencional calmamente -Acho bom você não mecher conosco.

-É mentira delas, elas não são protetoras nada- Gritou um peixinho que pulou da água -Elas só estão aqui para nos escravizar, mate elas por favor.

-Cale a boca servo insolente- A do meio levantou as mãos e o peixinho foi arremessado para longe -Melhor assim.

-Agora voltando para você- Falou a primeira -Se deseja nos enfrentar, tente a sorte.

-Ah quero sim, como quero- falei ameaçando elas -E avisando desde já, sou uma pessoa muito sortuda.

Pensando em um modo de lutar contra elas (Já que sou apenas uma e elas três) segurei minha espada mais forte, parecia que ela fazia parte de mim, senti água se movimentar nos meus dois lados, assim que virei meu rosto vi réplicas perfeitas de mim feita de água, agora sim vai ser justo. As sereias começaram a "nadar" (Não sei o que era aquilo, elas pareciam "nadar" no ar) em minha direção, as garras em suas mãos eram enormes, não precisavam de arma alguma, elas por si só, já eram um perigo. Dei dois passos para trás, movimentei minha espada, os clones de água fizeram a mesma coisa, ordenei que as duas atacassem a normal e a com espinhos pretos e deixassem a peixe leão para mim. Elas se moviam com destreza e atacavam com beleza, eram movimentos suaves e perigosos. A outra Náiade estava vindo rapidamente em minha direção, esvaziei minha mente, deixei tudo em branco para me concentrar melhor. Senti meus pés saírem da superfície da água, meus olhos ardiam, olhei para baixo e vi os mesmos com um brilho esquisito, em um impulso ergui meus braços em um movimento brusco, a espada nem parecia estar la, fios grossos de água começaram a circular ao meu redor, as duas clones lutavam bravamente. Apontei minha mão direita com a espada para a sereia comum, um jato de água partiu na direção dela, no caminho a água transformou-se em gelo e atingiu seu coração, vi uma lagrima sair de seus olhos direito e um grito baixinho de sua boca enquanto sumia e virava parte da água do lago/oceano.

Repeti a mesma coisa com a outra, que também sumiu e virou água, quando terminei de matar as duas, a peixe leão me olhou com fúria, ela deu um grito e uma garra (Ainda maior que as outras) saiu da parte superior de sua mão, ela veio mais rápido em minha direção e fez uma tentativa vã de me atacar, ela foi impedida pelas clones que se desfizeram e de transformaram em um tipo de escudo em minha frente. Novamente apontei minha espada para ela, a água partiu em sua direção a a acertou.

-Isso não vai ficar assim- Falou ela -Eu vou voltar e te pegar garotinha-

Ela se desfez em água. Fui descendo lentamente até alcançar a superfície da água, andei devagar passando pela cachoeira, que com a luz do sol formava um lindo arco-iris, e enfim cheguei na frente da caverna, parei um pouco e fiquei observando o lugar. Depois de ter certeza que era seguro, adentrei na caverna.

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