014 - A diferença entre dormir e cochilar

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A parte boa do confuso episódio que ocorreu com a aluna LaDonne só teve início quando a Madre e Mary tiveram que entregar a menina fujona em casa.

Mary teve a preciosa oportunidade de conversar com toda a família LaDonne, o que foi ótimo. Pois eles foram, sem sombra de dúvida, uma das melhores partes de sua infância e adolescência.

Foi com aquela família que passou quase todas suas férias de verão e feriados comemorativos. Era muito bom rever a Senhora LaDonne, mesmo que fosse para ter uma rápida conversa sobre biscoitinhos de manteiga. E falar de negócios com o Senhor LaDonne. Apesar de ele ser um influente empresário, sempre parecia considerar as opiniões dos demais, até mesmo as de Mary, mesmo com toda sua reclusão social, aquilo não parecia ser uma questão para ele.

E em matéria de negócios, Mary sempre tinha uma opinião para dar, uma recomendação a fazer ou uma pergunta curiosa. O Senhor LaDonne sempre estava a escutar, responder e explicar cada um dos comentários de Mary. Dessa vez não foi diferente, Mary considerou até que foi bastante produtiva. Ela conseguiu fazer diversas recomendações para o Senhor LaDonne, o que a fez se sentir bem cosigo mesma, coisa que devia estar dentro do espectro da vaidade. E que ela prometeu se policiar, mais tarde.

Depois da melhor conversa da noite.

Com Kara LaDonne, sua eterna melhor amiga. Naturalmente, os minutos que reservados para essa atividade não foram nem de longe suficientes para dissipar as imensas saudades que a noviça sentia da sua amiga. Muito menos das travessuras que costumavam fazer juntas.

Kara insistia para que suas visitas tornassem mais frequentes. Sentir-se tão querida por sua amiga era como um bálsamo de felicidade para os nervos tensos da noviça. Pena que durou tão pouco.

Assim que o motivo da visita das religiosas foi revelado uma onda de tensão invadiu a casa. Ao ouvirem que a menina LaDonne, com apenas dezessete anos, foi achada na cama junto com um mau elemento chamado Justin Hockfiel, todos pareceram se petrificar em uma máscara de horror.

Com exceção, obviamente, da própria Gwen que tremia feito vara verde diante da reação da família.

Mas no geral, Mary gostava de pensar que esse fora um dia maravilhoso, conheceu Margot, passou divertidas horas com ela e Thed, a aluna LaDonne foi encontrada sã e salva – ou pelo menos Mary rezava para que assim estivesse – e por fim o grande reencontro com sua amiga. E com tantos eventos louváveis ao longo do dia, ela se recusava a admitir que algo – ou alguém – no mundo conseguiu desencadear algo terrível durante a noite.

Só que a opinião geral ali no cômodo era de que o tal Justin Hockfiel tinha feito algo imperdoável. Exceto por Gwen LaDonne, que se encontrava um pouco sem reação. Mas a Madre achou que aquele assunto tinha potencial para ser discutido melhor em família. Então puxou Mary para ir embora.

***

De início, ela tinha ficado feliz em chegar tão exausta ao convento, assim não haveria a mínima possibilidade de ficar matutando sobre a cena pornográfica antes de dormir. Entretanto, seu inconsciente lhe pregou uma bela peça.

Na verdade, "bela" fugia bastante da definição apropriada para o sonho que teve. Aliás, tudo contido no tal sonho fugia do conceito de apropriado.

Deus tinha que a perdoar, a final de contas não podia controlar o que não podia vigiar dentro da sua cabeça.

Ao acordar com o rosto suado e o corpo ardendo, ainda não conseguia acreditar que Thed a tinha beijado tão apaixonadamente. Que loucura! E quando ela se deu conta que a loucura não foi real, também demorou alguns segundos para assimilar que não passou de um sonho. Tudo tinha sido tão vívido...

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