Capítulo 3 - O Cavaleiro das Trevas

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[NOTA DA AUTORA: Para evitar mais confusões, quero alertar novos leitores a conferirem a data. Este capítulo e os dois próximos se passam antes dos capítulos anteriores. É uma espécie de flashback. No capítulo 6, retornaremos ao "presente". Obrigada.]


13 de Fevereiro de 2015

Existe uma empresa multibilionária de refrigerantes sobre a qual você provavelmente já ouviu falar. Não vou mencionar nomes nem nada assim, mas sinta-se livre para imaginar a marca na sua cabeça. Pense em ursos polares, em polêmicas acerca de ingredientes supostamente viciantes, em jingles comprovadamente viciantes, e na cor vermelha. Não vou dizer mais nada.

O representante dessa empresa no país é chefe do meu pai desde que me entendo por gente. E o que isso quer dizer? (Além do fato de que termos um estoque ilimitado e vitalício do refrigerante em questão, digo.) Quer dizer que ele é praticamente da família. Ele estava no meu batizado, nas minhas festas de aniversário e até mesmo já marcou presença em alguns dos meus jogos de vôlei. Também quer dizer que o meu pai meio que precisa fazer tudo o que ele manda.

O que, no caso de hoje, significa ir para essa viagem de negócios idiota.

Devo deixar claro que o meu uso da palavra idiota é pura... bem, birra.

Tenho certeza de que a viagem não é tão idiota assim. Quer dizer, eles provavelmente estão indo para a capital resolver algo realmente importante, como o próximo sabor que será moda no verão ou qual ator contratar para a propaganda do próximo natal ou talvez ainda algo tão vital quanto medidas de contenção para os problemas que a última crise hídrica causou na produção do nosso refrigerante preferido.

Ainda assim, eu realmente detesto quando meus pais viajam.

Sim, porque não basta que meu pai vá, ele precisa arrastar a minha mãe junto. E, agora que Nando, meu irmão mais velho, já não mora conosco, é claro que eles não confiam em mim para cuidar de Clara, minha irmã mais nova. Ela já tem dez anos, mas aparentemente eu não sou capaz de esquentar seu miojo ou programar a televisão para os desenhos animados apropriados ou o que quer que precise para tomar conta de uma criança.

E isso significa que eu vou ficar sozinha em casa.

Por uma semana inteira.

Acho que também é uma boa hora para mencionar que eu sou a pessoa mais medrosa da face da Terra, e que o filme de terror que eu assisti cinco anos atrás ainda assombra minha mente toda vez que eu pisco os olhos ou passo por uma janela escura.

— Não seja dramática, Bela. Você vai sobreviver — minha mãe diz, me abraçando uma última vez.

Então, ela se vira e entra na sala de embarque atrás do meu pai e do chefe dele. Eu tento segurar as minhas lágrimas, porque mesmo que pudesse ser bonitinho fazer drama quando eu era pequenininha, não tem o mesmo charme agora que eu tenho dezessete.

— Como vai voltar para casa? — Bash pergunta ao meu lado de repente.

São as primeiras palavras dele direcionadas a mim desde que chegamos ao aeroporto para despachar nossos pais.

Bash é filho do chefe do meu pai.

Eu quase não o reconheci quando ele chegou. Não só por ele ter mudado muito desde a última vez que o vi, quando nós tínhamos uns treze ou catorze anos, mas também pelo fato de sua contraparte feminina estar ausente do cenário.

Querido bebê [Completo]Leia esta história GRATUITAMENTE!