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Laís narrando

As horas estavam passando lentamente. Cada enfermeiro que saía da sala, pensava que iria me dar alguma notícia. A questão era, eles só estavam correndo atrás de instrumentos, remédios e sangue.

Bernardo estava agitado no meu colo. Por mais que eu não gostasse de deixá-lo por tanto tempo no hospital, ele não estava dando sossego para ninguém.

Oito horas depois...

Bernardo estava dormindo no bebê conforto que estava na minha frente. Vanessa foi para casa e ficou de voltar quando eu ligasse.

Todos em algum momento vieram ver se a cirurgia já havia acabado e se estava tudo bem. O problema é que não poderia ficar tantas pessoas na sala de espera para apenas um paciente, no nosso caso era um, sendo que o outro estava apenas fazendo a doação.

- Laís? - era a voz da doutora me chamando.

- Doutora. - levantei ansiosa caminhando na sua direção.

- O transplante foi um sucesso. - seus olhos estavam brilhando, garanto que eu estava chorando.

- Quando poderei ver eles? - perguntei.

- Vai demorar um pouco. - respondeu. - Eles irão medicar os dois e deixar no soro para se hidratarem. - explicou. - Garanto que daqui quatro horas. - avisou.

Um alívio tomou conta de mim. Mesmo que eu não estivesse vendo Valentina e Arthur pessoalmente, sabiam que estavam sendo bem cuidados e que agora estavam bem.

Todo o meu conforto foi atribuído ao Bernardo que estava morrendo de fome e choramingando no bebê conforto.

- Filho, a maninha e o papai estão bem agora. - acariciei o pouco cabelo em sua cabeça.

- Irei avisar ao seu pai, dona Margott, Heitor, Manu, Maria Eduarda, Pedro... - citou alguns nomes, aqueles que estavam presente em nossas vidas e sabiam o que estava acontecendo.

- Obrigada. - agradeci.

Como já estava tarde e não queria mais Bernardo naquele hospital, resolvi mandá-lo para casa com a minha mãe, quando meu pai veio buscá-la.

Certifiquei-me de que ele teria roupas, fraldas e leite. Caso contrário, poderiam passar no meu apartamento para pegar o que precisassem.

- Laís? - uma enfermeira me chamou com uma prancheta em mãos.

- Sou eu. - levantei.

- Você sabe que deveria ter que aguardar mais uma hora e meia, para dar três horas de hidratação e descanso, certo? - perguntou e eu assenti. - Mas o seu marido acordou e está chamando por você. - avisou.

- Ele não é o meu marido. - neguei com a cabeça, como se devesse explicações para ela.

- Não faça barulhos, e se tocar nele seja delicada. - pediu, mas de um jeito alto e mandona.

Entrei na sala que era toda branca, isso fazia com que os meus olhos abrissem com uma maior dificuldade.

Arthur estava em uma cama no meio do quarto. Seus olhos estavam direcionados para a porta, que no caso, era onde eu estava.

- Oi Arthur. - aproximei-me dele, sentando em uma pequena poltrona ao lado da sua cama.

- Laís. - um sorriso fraco apareceu.

- Como você está? - perguntei, segurando a sua mão.

- Um pouco fraco. - confessou. - Mas estou bem por ter feito isso pela minha filha. - dessa vez seu sorriso foi mais animado, bonito.

02 - O que é que tem? - O ReencontroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora