Vinte e um - Evangeline

Começar do início

Jax amarrou Filippa em uma das árvores, deu-lhe alguma coisa do bolso e ela se deitou resfolegando, feliz. Então ele pegou minha mão novamente e me puxou até a cabana, apressado, quase como se não pudesse esperar mais.

Estávamos prestes a entrar quando alguém apareceu.

- Jax? – chamou a voz. Era a voz de um garoto. Uma voz que eu conhecia de algum lugar.

- Sou eu – respondeu Jax. O garoto então acendeu um lampião e eu pude vê-lo. Tinha vibrantes cabelos ruivos, muito grossos e bagunçados. O rosto era repleto de sardas e os olhos eram muito verdes. Era jovem, talvez fosse pouca coisa mais novo que Jax. Eu já o tinha visto pelo reino, era o garoto que cuidava dos estábulos e vivia com os Trent. O pai dele era um vassalo do rei ou algo assim. – Tudo pronto?

O garoto assentiu com um sorrisinho.

- Tudo pronto. Vou ficar aqui fora de vigia. – ele alargou ainda mais o sorrisinho. – Só tente não fazer muito barulho.

Jax ficou imediatamente vermelho e deu um soco no ombro do garoto enquanto sentia meu rosto esquentar também.

- Obrigada, Tobias. – disse Jax, depois de levar um soquinho também. – Fico te devendo uma.

- Uma? Você fica me devendo muitas, isso sim. Eu devia estar nos estábulos agora.

Jax já estava abrindo a porta da cabana quando murmurou um "tanto faz", me puxando para dentro. Estava escuro, muito escuro. Senti Jax soltar minha mão e ouvi seus passos pelo assoalho, até que uma pequena lamparina se acendeu e eu pude ver sua silhueta do outro lado da cabana. Ele levantou a lamparina e, quando finalmente enxerguei o que havia a minha volta, senti meu coração pular uma batida.

Rosas.

Rosas em todos lugares, cobrindo todo o chão, o sofá, a pequena cama que havia bem no centro da cabana.

Fiquei boquiaberta, meio sem saber o que fazer ou falar. Jax se aproximou de mim, os olhos amarelos por causa do fogo da lamparina. Eu sentia minha respiração entrecortada e a dele também, o hálito atingindo meu rosto em soquinhos. Em silêncio, ele pousou a lamparina em uma cadeira de madeira que eu nem havia registrado e colocou suas mãos sobre meu rosto. Estavam quentes e tremiam, deixando um rastro de calor onde pousavam.

- Eu sei que isso é errado em muitos sentidos – começou ele, e eu levantei meus dedos para colocar sobre seus lábios e fazê-lo parar de falar, porque não queria que ele estragasse aquele momento, mas Jax sempre fora do tipo de que falava o que queria quando queria. – Mas eu quero que esse seja o começo da nossa história juntos. Não importa de onde eu venho, ou de onde você vem. Quero você sempre comigo. – ele segurou minha cabeça, subindo e descendo os polegares delicadamente pelas minhas bochechas. – Eu te amo. Mais que tudo.

Eu devia ter dito alguma coisa. Eu sentia que devia ter dito alguma coisa, mas Jax, o quarto, seu olhar, seu corpo, tudo... Seria pouco demais simplesmente tentar dizer o que quer que fosse, então eu simplesmente puxei o rosto de Jax para mim e mergulhei em seus lábios enquanto ele me apertava, cada vez mais voraz, cada vez mais urgente.

Fui eu quem tomei a iniciativa. Ele estava usando uma camisa de linho bastante simples e, assim que minhas mãos conseguiram se aventurar por sua cintura, eu a puxei por sua cabeça, deixando-a cair no chão.

Alguma coisa se acendeu nos olhos de Jax e ele me beijou com mais intensidade. Pude sentir os músculos de suas costas nuas com os dedos. Quentes, muito quentes. Jax fervia por dentro e, quando minhas mãos procuraram pelo seu cinto, ele se afastou.

- Não. – disse ele, ofegante. – Minha vez.

Segurei a respiração quando seus dedos desenlaçaram a parte de trás do meu vestido e, segundos depois, ele já estava no chão junto com a camisa de Jax.

Senti seu corpo todo contra o meu, pele contra pele. Sem me soltar, Jax me encaminhou até a cama e me deitou. Seu corpo se ergueu, iluminado fracamente pela lamparina, e cada curva refletia o amarelo-ouro das chamas, deixando-o com uma áurea quase... quase angelical. Eu podia ficar olhando-o para sempre ali, daquele jeito, me encarando como se eu fosse a única coisa que importasse no mundo.

- Você é tão linda. – disse ele mordendo os lábios e depois coçando os cabelos louros e bagunçados. – E juro que é tudo que eu quero na vida.

Foi aí que eu o puxei para mim. Foi aí que o peso de Jax pousou sobre o meu corpo e tudo mais que existia cessou de existir.

Não saberia dizer por quanto tempo fiquei deitada com a cabeça apoiada no peito de Jax, sentindo seu peito subir e descer, seu coração bater em um ritmo reconfortante e familiar. Ele dormia, respirava fundo, e eu estava observando cada linha de seu rosto, tão tranquilo, tão... doce.

Sorri.

Jax Trent, o cavaleiro mais respeitado de Tão Tão Distante, estava em meus braços, nu, exausto e dormindo profundamente com toda a calma do mundo estampada no rosto.

Talvez por isso, quando passos apressados se aproximaram da cabana, eu tenha me levantado alarmada. Ao longe, bem ao fundo, pude ouvir um barulho que não soube identificar.

Foi só quando Tobias praticamente estourou a porta e entrou, com seus olhos do tamanho de duas laranjas, que eu vi o que estava acontecendo.

Jax se sentou no mesmo instante, assustado, e puxou a espada do lado da cama. Ele abriu a boca, como se fosse perguntar a Tobias o que havia de errado, mas era bastante óbvio. Seu queixo caiu e a espada retiniu quando atingiu o chão depois de escorregar de suas mãos.

O Palácio. O Palácio de Era Uma Vez estava em chamas.



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