Vinte e um - Evangeline

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- Estava começando a pensar que você não viria – disse eu, deixando que ele me envolvesse em seus braços fortes

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- Estava começando a pensar que você não viria – disse eu, deixando que ele me envolvesse em seus braços fortes. Jax correu os dedos pelo meu rosto, colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. Ele sorria. Era o sorriso mais encantador do mundo.

- É claro que eu vim. Viria até se o céu estivesse caindo sobre a minha cabeça.

Eu o puxei para mim e o beijei, com toda a minha ânsia, com todo meu desejo. Seu hálito era quente e tinha gosto de hortelã, seu corpo, cheiro de coisas selvagens.

As mãos de Jax percorriam meu corpo com desespero, com ansiedade. Seus beijos eram cada vez mais urgentes e a vontade de tê-lo comigo também.

Ele se descolou de mim por um instante, me encarando com aqueles olhos escuros que eu gostava tanto. As mãos não me deixavam um segundo, ora se movendo pela minha cintura, ora pelas minhas costas, ora pelo meu rosto. Meus dedos percorriam a barba que crescia em suas bochechas, as sobrancelhas grossas, os cabelos bagunçados.

Então Jax pegou minhas mãos e as beijou, sorrindo de modo tão malicioso que algo se acendeu feito um raio dentro de mim.

- Vamos, quero te mostrar um lugar.

Acenei de deixei que ele me guiasse. Eu não devia ter feito aquilo, é claro. Sabia exatamente onde aquela coisa toda ia parar e já podia ouvir as pessoas da vila me julgando, meus pais gritando comigo e me amaldiçoando até a terceira geração.

A questão era que, de fato, eu não me importava. Não me importava nem um pouco. Jax, que deveria ser a pessoa mais preocupada, queria fazer aquilo. Queria estar comigo, mesmo eu sendo só uma camponesa. Era ele quem tinha tudo a perder e, ainda assim, estava ali, comigo.

Ainda me segurando pelas mãos, Jax me ajudou a subir em Filippa e, em seguida, subiu também, ficando logo atrás de mim. Ele passou as mãos pela minha cintura e beijou meu ombro lenta e delicadamente antes de puxar as rédeas da égua e começarmos a seguir em frente.

Eu não sabia onde estávamos indo, o que era ligeiramente assustador. Não que eu não confiasse em Jax, porque eu confiava. Confiaria a minha vida a ele se fosse necessário, mas éramos só nós dois, nos limites de Tão Tão Distante. Era perto demais das Terras Não-Clamadas e, embora Jax fosse muito bom com uma espada nas mãos, eu não sabia quantos monstros terríveis ele seria capaz de segurar sozinho. Muitos, eu esperava.

A força com que Jax me segurava foi aumentando conforme fomos nos embrenhando na floresta, quase como se ele pudesse ler meus pensamentos. Filippa corria, leve como o vento, e eu podia sentir meus cabelos voando enquanto desviávamos dos troncos e das pedras do caminho.

Galopamos assim por alguns minutos, até que Filippa parou. Eu olhei para os lados, no meio da escuridão. Depois de forçar um pouco a visão consegui distinguir o que parecia uma cabana, um pouco mais a nossa frente.

Senti um frio na barriga, o coração batendo em minha garganta. Jax desceu da égua primeiro e depois estendeu os braços para que eu me apoiasse nele para descer. Deixei que me carregasse até o chão e, assim que o fez, mergulhou os lábios nos meus, puxando meu corpo contra o dele. Ofegante, ele se afastou. Estava com as bochechas vermelhas, do vento gelado ou de calor, era difícil saber. Eu esperava que fosse a segunda opção.

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