Sensação real

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Minha ansiedade era bem perceptível, e bem irritante aos olhos alheios. Estava a alguns dias de minha formatura e ainda recebi a melhor notícia de todas: Rafael estava vindo para São Paulo. Ainda não tinha mais informações que isso, quando ou que dia ele iria chegar, só sei que acordei com uma mensagem do mesmo dando a noticia. Em grande parte, minha ansiedade era por isso. O fato de eu estar quase me formando era outra coisa que me deixava extremamente animada. Aguentar anos e mais anos de puro sofrimento com provas e testes surpresas já era extremamente difícil, professores chatos e com falta de sexo era pior ainda.

Bufei enquanto terminava de guardar meus materiais, em pleno final de ano, quase nas férias, os professores ainda insistem em passar trabalhos. Acabei me atrasando com pequenas coisas e tive que ficar depois da hora, junto com meu lindo e delicioso professor de Física. Na verdade, ele é o contrário de tudo que eu descrevi.

- Senhorita Kuchta. - estava prestes a sair quando alguém me chamou, bem, a única pessoa que me chama pelo sobrenome é o professor de Física, revirei os olhos, o que aquele velho quer agora?

- Sim? - me virei em sua direção tentando fazer ao máximo uma cara de anjinho, afinal, ainda tinha que disfarçar meu ódio básico por ele, sabia que com uma simples mudança de nota ele poderia fazer eu me ferrar bonito.

- Tome cuidado na rua, do jeito que é meio desligada, pode acabar causando algum acidente.

E minha raiva por esse cara acaba de aumentar consideravelmente. Pude jurar, por um momento, que ele ia falar uma coisa bem importante.

- "Do jeito que é meio desligada, pode acabar causando algum acidente". - resmunguei. - Onde esse homem acha que eu sou desligada? Ao contrário, sou a pessoa mais ligada nesse mundo!

Foi só eu acabar a frase que acabei batendo a perna em uma lixeira. Eu não era desligada, mas a lixeira parece ter se movido justamente para o meu caminho! O barulho foi alto o bastante para ecoar por todo o corredor, pude ver a velhinha que limpa as salas me mandar um olhar zangado. Nossa, nem fiz nada pra ela.

Sai da escola atrapalhada, esperava encontrar Lola ou Yuri esperando por mim no portão principal, o que não aconteceu. A única pessoa que eu menos esperaria encontrar hoje estava sentado nos degraus, mexendo no celular e com um fone de ouvido. Revirei os olhos, o garoto vem me buscar e ao menos nota minha presença!

- O que está fazendo aqui? - me sentei do seu lado, minha chegada acabou sendo tão repentina que Lange tomou um susto grande e deu um grito super fino. Gargalhei.

- Querida, eu tenho inscritos pra conhecer ainda tá? Não me mata. - sua pose estava extremamente gay, sua mão direita estava pousada sobre o lado do coração.

- Desculpa, é que eu fiquei surpresa com você sentado no portão da minha escola.

- Respondendo sua pergunta, eu vim buscar a senhora para um passeio, faz tempos que não nos vemos. - falou como se não nos encontrássemos a anos.

- Rafael, nos vemos a um mês atrás!

- E isso é muito!

- Por que não me avisou que estava chegando? - cruzei meus braços a espera de sua resposta, poxa, eu podia ter me preparado mais!

- Mas eu te mandei uma mensagem te avisando que estava vindo pra São Paulo.

- Só que você não especificou quando, pensei que seria só semana que vem ou mais.

- Tudo bem, me desculpa, mas até que foi uma surpresa boa né? -Lange se levantou e ficou de frente pra mim, a preguiça era me afetava pra fazer o mesmo que ele. - Agora, eu quero meu abraço de "senti saudades Rafael, você faz tanta falta na minha vida".

Clouds → Rafael Lange | CellbitOnde as histórias ganham vida. Descobre agora