02 - História

124K 5.2K 458

A minha história começa assim...

Sou uma menina ou devo dizer mulher? A questão é que sou normal, como todas as outras da minha idade, ou seja, vinte e dois anos.

Agora, em relação a minha vida, digamos que isso seja "normal" com pessoas mais velhas e o rótulo é outro.

Posso ser considerada anormal porque no meu apartamento há uma quarto apenas com perucas, roupas de luxo e muita maquiagem.

Você deve estar se perguntando se sou uma menina que veio de uma família rica e sonha em ser uma Lady Gaga da vida, mas não, muito pelo contrário.

Há exatos cinco anos atrás, meu pai Edson Moura faleceu por conta de doenças cardíacas. No ano, acabou sendo um sofrimento tanto para mim, quanto para minha mãe Elisa Moura e minha irmã Sabrina Moura.

Por mais que entre a minha irmã e eu haja apenas cinco anos de diferença, quando papai morreu ela tinha apenas doze anos, o que fez com que ficasse um pouco revoltada com a vida.

Mamãe entrou em depressão meses depois, fazendo com que seu chefe precisasse trocar de secretária. Não que ele fosse maldoso por conta dessa atitude, a questão é que ela não ia mais para o trabalho, deixando ele na mão diversas vezes.

Estava um pouco difícil achar trabalhos, as pessoas não aceitavam meu currículo por não ter nenhum curso "importante" e nenhuma qualificação, até então não havia trabalho em nenhum lugar.

Por sorte, após tantas pesquisas na internet, encontrei um meio fácil, onde eu poderia trabalhar apenas durante à noite, uma vez ou outra teria algo durante o dia. Sem contar no salário, que daria para cobrir todas as dispensas de casa, fazendo-nos viver de maneira mais confortável.

O problema é que após dois meses trabalhando, ainda com dezessete anos, sendo de menor, mamãe descobriu que eu trabalhava como acompanhante, fingindo ser namorada, noiva, mulher...

Ela não ficou nem um pouco feliz com a notícia. A briga acabou sendo maior do que eu esperava, fazendo-me ir embora de uma coisa casa.

No início Sabrina não soube o motivo da minha saída, queria esconder por mais alguns anos, até que ela estivesse mais velha e madura para entender.

Em hipótese alguma gostaria que ela me virasse a cara ou que gostasse e quisesse seguir a "carreira" da irmã mais velha.

Com quinze anos chamei ela para uma conversa franca de irmã para irmã. Lembro-me como se fosse ontem.

— Nós precisamos conversar Sabrina. — Sentei com ela no sofá do meu apartamento.

— Irá falar sobre o seu trabalho? — Perguntou.

— Como você sabe? Mamãe contou para você? — Perguntei preocupada, era uma coisa que eu queria contar.

— Entrei naquele quarto que você avisou que não era para entrar. — Contou. — E ano passado, ouvi você conversar com um homem, o celular estava no viva voz. — Não acreditava que deixei tão amostra tudo que estava acontecendo.

— Você me desculpa? Não se afasta de mim. — Choraminguei.

— Está tudo bem. Entendo você e agradeço tudo que tem feito por nós. — Abraçou-me.

Naquele dia, chorei tudo que estava guardado. As lágrimas que faltaram cair quando fui embora de casa.

Todo o dinheiro recebido, como era muito, metade era entregue para a minha mãe cuidar da casa e poder comprar tudo que era necessário para elas.

A outra parte, utilizava para comprar perucas novas (de todas as cores possíveis e cortes), alguns vestidos (por mais que exigia as roupas que eles queriam que eu usasse na ocasião), sapatos e muita maquiagem.

Contratada para Amar (EM DEGUSTAÇÃO)Onde as histórias ganham vida. Descobre agora