Vinte - Alice

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- Foi há muito tempo – começou Jax, franzindo as sobrancelhas

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- Foi há muito tempo – começou Jax, franzindo as sobrancelhas. Era como se cada palavra fosse algo que ele estava sendo obrigado a dizer, como se doesse. Doesse de verdade. – Muito antes de você nascer. Aquele uniforme real era... é meu. Eu era... Eu fazia parte da realeza. Era da Família Real de Tão Tão Distante.

- Mas... Jax, se você fosse da Família Real... – o interrompi. – Bom, posso nunca ter sido uma aluna exemplar em História Genealógica, mas acho que teria me lembrado de alguém como... – me detive a tempo de dizer você. Graças a Deus. Seria a coisa mais estúpida a se dizer. Ele provavelmente acharia que eu era algum tipo de maluca e sairia correndo – Acho que teria me lembrado de um príncipe amaldiçoado ou algo assim.

Jax sorriu, só um pouquinho. A covinha se formou em sua bochecha. Acho que ele estava esperando que eu dissesse aquilo.

- Bom, é exatamente por isso que estou seguro aqui, no meu próprio... ex-reino. Ninguém se lembra de mim. Ninguém faz ideia de quem é Jax Trent. Eu, Sebastian e minha mãe somos apenas mais três renegados que provavelmente desafiaram a família Augustini de alguma forma. Ninguém se importa. Somos invisíveis. É claro – ele coçou a cabeça –, sabem que tem alguma coisa errada comigo, mas nem desconfiam quem eu seja de verdade. Suponho que seja parte da maldição. Muito inteligente se você quer saber a minha opinião. Tirar uma lembrança das pessoas é fazer como se algo nunca houvesse acontecido.

Me encolhi um pouco, me lembrando de Rumpesltiltskin. Tobias havia me alertado, e ele parecia especialmente desesperado para não me deixar fazer nenhum tipo de acordo com aquele duende doentio. Mas... Bem, eu estava livre. Tinha começado uma vida nova, estava me adaptando aos Trent. Estava me adaptando a Jax, talvez até meio rápido demais.

- De qualquer forma – ele continuou – Sebastian, como filho mais velho, era o herdeiro ao trono. Eu era da Guarda Real e... Bem... Cavaleiros da Guarda Real não podem se casar nem nada assim.

Algo cruzou seus olhos escuros, uma sombra... Culpa, talvez? Era difícil dizer. Jax tinha aprendido – ou sido obrigado – a esconder o que sentia, e tentar decifrá-lo era o mesmo que tentar ler um pergaminho em uma língua que você pouco domina: extremamente frustrante.

- Evangeline... – arrisquei. Ele me cortou logo em seguida, fechando os olhos e levando as mãos à cabeça, como sempre fazia quando estava nervoso.

- Eu não devia ter me envolvido com ela, eu sabia que era errado. Foi burrice e a culpa foi toda minha. Eu não devia...

Engoli em seco, sem saber direito o que fazer. Eu devia chegar perto? Devia concordar, ficar quieta? Meu coração estava apertado, saltitando em minha garganta, me enchendo de desespero. Nem eu sabia por que estava me sentindo daquele jeito, era como se... Não sei, como se estivesse ligada a Jax de alguma forma.

- Jax... – chamei. – Não é bem assim...

- É claro que é assim – seus olhos rosnavam. – Minha história não é bonita, princesa. Você queria ouvir, eu avisei que ia se arrepender.

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