22

23.4K 1.5K 227

Laís narrando

Só de imaginar que Arthur não sentia mais vontade de ter outros filhos, não sabia exatamente qual era a sensação. Pensar que talvez Vanessa havia imaginado uma vida ao seu lado, quem sabe com alguns filhos.

Por mais que ele pretendesse não ter mais filhos, precisava pensar em outra pessoa, no próximo, na sua namorada.

Não que eu desejasse que ele ficasse com outra pessoa, mas querendo ou não, Arthur estava sendo egoísta.

- Você precisa pensar mais em como a Vanessa irá se sentir com as suas decisões. - avisei.

- Como assim? - perguntou.

- Não acha que ela gostaria de ter filhos com você? - perguntei.

- Nós nunca conversamos sobre ter filhos. - negou com a cabeça. - Estou bem com o Bernardo e a Valentina. - comentou.

- Não faça isso. - neguei com a cabeça. - Você pode estar acabando com os objetivos que ela construiu. - falei.

Depois que as crianças já estavam devidamente vestidas, e o assunto já havia acabado em relação a Vanessa e ter filhos, nós descemos para o almoço.

- Que cheiro maravilhoso é esse? - Arthur perguntou.

- A Laís quem fez. - mamãe apontou para o arroz e para a maionese.

- Que menina prendada. - debochou. - Já pode casar. - o seu olhar era intenso sobre mim.

Senti um pequeno desconforto, realmente Arthur estava passando dos limites.

- É quase impossível eu casar. - brinquei. - Os bebês ficarão no bebê conforto. - avisei.

Cada um escolheu um lugar para se sentar. O motorista iria almoçar conosco, havia uma troca de olhares entre ele e a dona Margott. É claro que eu não iria comentar nada e acabar com aquele clima.

Percebi que agora, Arthur havia prestado a atenção na direção que os meus olhos enxergavam. De um sorriso para um rosto fechado. Ele não iria dizer uma só palavra agora, mas tenho certeza que assim que possível ele iria reclamar.

Quando vi que sua boca estava aberta e que iria dizer algo, a minha mão alcançou sua coxa, apertando-a com força.

- O que foi isso? - cochichou no meu ouvido. 

- Não fale nada. - pedi.

- Ela é a minha mãe. - reclamou.

- E está feliz. - retruquei. - Depois vocês conversam com mais calma. - avisei.

Por mais que não tivesse mais nada com ele, o mesmo me entendia e muitas vezes agia da maneira que eu pedia. Como sempre, era o mais certo a se fazer no momento.

Precisei levantar durante o almoço para dar o remédio da Valentina. Ele seria esmagado e colocado dentro da mamadeira para que ela não estranhasse, como a médica havia avisado.

- Oi filha. - ela estava no meu colo. - Você está gostando de ficar com a mamãe e o papai? - perguntei.

Era obvio que Valentina não iria responder a minha pergunta, mas precisava conversar com ela e lhe dar atenção naqueles poucos dias que ficaríamos mais próximas. 

A médica havia deixado claro que não deveríamos levá-la na praia, a areia poderia fazer mal para ela e também o fato de estar quente e o sol forte. Não havia intenção nenhuma de irmos, mesmo porque, viemos apenas para ficar na casa mesmo e curtir a família.

Como Valentina não quis voltar para o bebê conforto, precisei terminar de almoçar com ela no colo, já que todos ainda estavam almoçando e não poderiam segurá-la. Bernardo também quis essa atenção, então Arthur pegou ele e tentou ajeitá-lo da mesma maneira que a nossa filha estava no meu colo.

02 - O que é que tem? - O ReencontroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora