- Oi? - Arthur estava me olhando com os olhos arregalados.

- Estava falando com o Bernardo. - por algum motivo, comecei a rir descontroladamente, ele havia ficado sem graça.

- Pare de rir! - pediu. - Pensei que estivesse falando comigo.

- Com certeza iria estar falando com você. - ironizei.

- E por que não pode me chamar de meu amor? - talvez ele tenha percebido que a pergunta que ele fez foi muito sem noção.

- Devo responder sua pergunta? - revirei os olhos.

Após Bernardo estar devidamente vestido, fomos em direção da sala. Claro, Arthur estava com o pequeno no colo, ao mesmo tempo que gostava do que estava vendo, sentia um pouco de ciúmes. Não estava preparada a compartilhar a atenção dele.

- Está com fome? - perguntei.

- Para ser sincero sim. - respondeu. - Poderíamos ir fazer um lanche, nós três. - sugeriu.

- Parece bom. - concordei. - Irei me arrumar.

Em alguns minutos estava pronta, não precisei de muito. Não gostava se usar maquiagem, apenas coloquei um vestido que ia até os meus joelhos.

Arthur havia arrumado a camisa social, passado uma água em seu cabelo, deixando-o desarrumado.

- Você está linda. - elogiou-me.

- Digo o mesmo. Adorei o cabelo desarrumado. - comentei.

Ele sabia o quanto gostava da forma que deixava o seu cabelo bagunçado.

A mesma rotina foi feita, pegar o bebê conforto e as bolsas que seriam necessárias.

Certifiquei-me de que a fralda do Bernardo estivesse limpa antes de sairmos.

Parecíamos uma família de verdade. As pessoas nos olhavam de acordo que andávamos até uma das mesas da lanchonete.

Optamos por um lugar mais simples, onde poderíamos ter uma ótima alimentação, um pouco mais gordurosa, estávamos merecendo.

- O que está com vontade de comer? - perguntou.

- Batata frita. - respondi.

- Deixa eu adivinhar. - colocou uma das mãos no queixo. - Com pedaços de calabresa e bacon?

- Sim. - adorava quando ele lembrava de algo relacionado ao nosso passado, isso me fazia amá-lo ainda mais.

- E para beber?

- Um suco natural de limão. - pedi.

- Importa-se de eu tomar uma cerveja? Só para descontrair? - ele estava pedindo a minha permissão para beber?

- Por mim tudo bem, desde que seja apenas uma. - pisquei.

Nós fizemos os nossos pedidos, enquanto isso, brincávamos com o Bernardo que estava sentado no carrinho de bebê.

- Você tem dado muito trabalho para a mamãe? - Arthur perguntou, apertando a bochecha do nosso filho.

- Fala assim para o papai: eu sou um anjinho de menino, fico assistindo desenho e nem choro com a mamãe. - fiz uma voz tentando parecer um bebê, Arthur parecia impressionado com a cena, estava sorrindo sem parar.

- Nunca te imaginei falando com uma voz dessa. - brincou.

- É o que acontece quando você vira mãe. - fiz um bico.

Uma senhora, talvez fosse a mulher do dono da lanchonete, trazia as nossas bebidas em uma bandeja. Seus olhos estavam grudados na nossa mesa desde que chegamos.

O lugar estava cheio, ou seja, era estranho toda essa atenção.

- Vocês formam uma linda família. - a senhora elogiou. - Estava olhando vocês de lá. - apontou para o balcão. - Vocês contagiam qualquer pessoa que está ao redor de vocês. - elogiou. - Agora preciso voltar para o balcão.

Ela falou tudo rapidamente e afastou-se da mesma forma. Não houve tempo para falar que não éramos um casal com um bebê. Isso pouco importava também.

Só de imaginar que as pessoas que estavam a nossa volta, pensavam que fazíamos uma bela família, já era motivo de felicidade.

- Pobre senhora iludida. - Arthur comentou. - Antes fossemos essa família feliz que ela tanto admira. - talvez ele tenha deixado escapar a ultima parte.

Há alguns dias Arthur vem comentando coisas desnecessárias, que não precisavam ser ditas. Isso me deixava ainda mais confusa sobre o que ele sentia.

Não olhamos para o relógio em nenhum momento, ou seja, não havíamos visto a hora passar. Por algum motivo, Arthur resolveu que iria dormir no meu apartamento.

Pois é, ele não havia sido convidado. Talvez fosse pelo fato de ser papai agora e querer estar próximo do seu filho.

- Pode me arrumar alguma coberta e um travesseiro? - pediu, jogando sua camisa no chão da sala.

- Educação mandou lembranças. - ironizei.

- Não tem nada que você ainda não tenha visto aqui. - debochou.

Procurei no meu guarda-roupa por alguma coberta e travesseiro. Felizmente mamãe havia comprados muitos no caso de chegar visitas e precisar.

Voltei na sala e ele estava jogado no meu sofá. Na sua mão havia o controle onde ele mudava de canais rapidamente.

- É tão feio mexer na televisão das pessoas sem permissão. - ironizei novamente, adorava implicar com ele.

- Você está com a língua afiada hoje. - reclamou. - Quer assistir um filme comigo?

- Nossa que convite maravilhoso. - brinquei. - Adoraria.

Sentei-me ao seu lado, aos poucos já estávamos deitados lado a lado no sofá. Como era aquele sofá que ficavam maior, cada um tinha o seu espaço. Ou seja, ninguém interdiria o lugar de ninguém no sofá.

********************************

Acessem o canal no youtube: Márcia Carolina e escrevam-se! (Provavelmente vai ser o terceiro a aparecer obs: foto com blusa branca)

https://www.youtube.com/c/MárciamclD

JÁ SAIU DOIS VÍDEOS!

Instagram: marciamcl


02 - O que é que tem? - O ReencontroOnde as histórias ganham vida. Descobre agora