Capítulo 30

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Nina Novaes.

Passamos o resto da manhã terminando de preparar o almoço. Apesar de simples, a quantidade de comida era grande, o que acabou por nos atrasar um pouquinho. Dona Nádia estava toda sorridente e havia me dado apenas alguns temperos para cortar, o que me levou a perguntar se não teria dedo do Alex nisso. Meu estômago se revirava só de imaginá-lo contando à mãe que eu só sabia fazer strogonoff e ovo cozido... Em todo o caso, agradeci imensamente pela tarefa que me foi dada, e fiz tudo direitinho e com um sorriso no rosto, respondendo de boa vontade às perguntas e aos comentários dela e da tia Dani.

As duas não paravam de tagarelar e haviam me feito todo tipo de pergunta, desde onde eu nasci, até onde eu morava. Quando perguntaram sobre meus pais, preferi não entrar em detalhes sobre meu pai, apenas contei que ele havia se separado de minha mãe e desde então não mantemos muito contato. Mas ao falar de minha mãe, elas ficaram empolgadíssimas para conhecê-la. Tinha certeza que dona Suzana iria adorá-las também, já que eram bem parecidas.

Quando por fim nos reunimos à mesa do almoço, estou ao lado de Alex e Antônio, porque não resisti à fofura do caçula. Estava brincando com ele enquanto comia e até havia me esquecido de Alex ao lado.

─ Vai me trocar pelo meu primo de dois anos? ─ ele sussurra pra mim enquanto come. Todos estavam demasiadamente ocupados conversando uns com os outros, então não nos deram atenção.

─ Acho que sim... Olha pra ele! É um mini você! ─ digo empolgada.

─ Menininho sortudo ─ diz, indiferente. Reviro os olhos, incapaz de segurar a risada. ─ Nossos filhos serão ainda mais ─ acrescenta, ao que eu apenas paraliso. É chocante demais ouvir esse tipo de coisa da boca do Alex, não? Filhos? Ele estava insinuando que teríamos filhos... Deus!

─ Eu ouvi "filhos"? ─ tio Fernando pergunta, atraindo a atenção de todos de volta para nós.

─ Oi? ─ pergunto em dúvida.

─ Vocês falaram em filhos...

─ Você está grávida, Nina? ─ tia Dani pergunta com uma voz empolgada, até largando os talheres no prato.

─ O quê? Não! ─ eu quase berro, depois me recomponho, ouvindo Alex rir ao meu lado. ─ Não, gente, eu não estou...

Eles estavam esquecendo que eu namorava um médico há, sei lá, pouquíssimo tempo? Não era como se achássemos normal sair reproduzindo pequenos Alex e Ninas por aí. Quando vejo que Alex está se divertindo mais do que o necessário, dou um leve cutucão nele com o pé, mas aparentemente não adianta, porque ele continua a topo o vapor.

─ Ah... Que pena! ─ dona Nádia diz no outro canto da mesa. ─ Mas planejam ter filhos, não é? É o sonho do Alex!

Dou uma olhada de esguelha nele, apenas para confirmar de que ela estava falando a verdade. Aparentemente sim, porque Alex não discorda.

─ Ahn... Acho que sim, né?

Ele assente, parecendo feliz da vida.

─ Mas vocês precisam se casar primeiro, Alex. Como eu te ensinei, rapaz ─ seu Humberto diz.

─ Filhos são benção de Deus, mas é preciso pensar com cuidado ─ tia Dani diz e sorri, passando a mão solenemente pelos cabelos loirinhos do filho mais velho.

─ Mas caso acontecesse, tomara que venham parecidos com a Nina.

─ Por quê, tio? ─ Alex pergunta com a voz divertida.

─ Você já olhou direito pra ela, rapaz? Ela é linda!

─ Tá, tá ─ tia Dani o corta dando um tapa em seu braço. ─ Vocês já decidiram os nomes?

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