Boa o suficiente para você

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    Abri a porta de casa esperando que um monstro me atacasse. Bem, mais ou menos isso. E acho que o monstro seria minha mãe, que uma hora dessas deveria estar arrancando todos os fios de cabelo existentes. Quando o evento acabou, já de noite, o pessoal resolveu jantar em um lugar. Aceitei o convite e acabamos parando em uma churrascaria. Eram mais de dez e meia da noite quando Alan estacionou seu carro em frente a minha casa, no caminho da volta meus pensamentos estavam direcionados em como esse dia havia sido maravilhoso. 

   Uma pena que a hora passou tão rápido que quando vi, já estava na porta da minha casa fazendo contagem regressiva antes de abrir a porta e enfrentar o que estava por vir. Minha mãe não era um bicho de sete cabeças, mas tem horas que ela realmente exagera. Prometi que iria tirar esse sábado todo estudando para as provas finais, o que, obviamente, não aconteceu. O convite inesperado de Rafael para ir ao evento com ele me pegou de surpresa, mas foi ótimo. Isso me fez perceber que eu não tenho tempo para ser uma adolescente. Quanto tempo não saio com Lola e Yuri para nos divertimos?

   Com uma dose de coragem, abri a porta devagar esperando que essa hora mamãe estaria dormindo. Meio difícil, ela geralmente fica acordada até a madrugada, apesar de ser final de semana. Botei minha bolsa no chão e pendurei as chaves. Tentando fazer o minimo de barulho possível, fui em direção as escadas. Claro que meu plano não deu certo.

- Lia, eu sei que você acabou de chegar, não precisa disfarçar! - o susto foi tão grande que acabei tropeçando no tapete e caindo de cara no chão. Havia um abajur ligado perto da mesa de jantar, na mesma estava minha mãe em peças de dormir e um roupão. Seus óculos de leitura e sua cara de descontente tornava tudo pior. Se eu não reconhecesse minha própria mãe diria que ela era um fantasma, culpe os filmes de terror que assisto toda sexta à noite.

- Oi mãe, como a senhora está? - essa foi a melhor coisa que conseguiu sair da minha boca no momento.

- "Oi mãe" ? Você sai de casa antes mesmo que eu acorde, sem avisar, deixa um papel na geladeira que não explica exatamente nada, some o dia inteiro e não atende a merda to telefone e ainda tem a coragem de me dizer isso? - de longe conseguia perceber que ela estava muito puta

- Ei, calma! - sei que estava errada, mas eu gostei de depois de tanto tempo ser uma adolescente normal.

- Calma? Sério que você esta me pedindo isso? - ela estava a ponto de explodir, seu rosto completamente vermelho estava me dando medo. - Você sabe o que isso vai trazer para o seu futuro?

- É só isso para o que você liga? Meu futuro bem sucedido que você planeja? - as vezes, chega uma hora que você simplesmente explode.

   Me sentia mal de falar assim com ela, afinal, a mulher a minha frente ainda era a minha mãe. Só que eu estava de saco cheio disso, daqui a algumas semanas iria me formar e aposto que ela quer que eu faça a faculdade de uma vez. Já tive muito medo de a decepcionar, ainda mais depois de meu pai e seu casamento fracassado, só que não quero nada influenciando nas minhas escolhas. Principalmente no meu futuro.

- Fala direito comigo Lia, você está ficando igual a seu pai. - ela nunca havia falado dele depois da separação, sinal de que as coisas realmente desandaram. - Quer ficar igual a ela? Eu sou sua mãe, decido o que é melhor para você. 

- É, mas parece que o "melhor" para você nunca é bom o suficiente. Por que está botando o papai no meio disso tudo? - antes que percebesse as palavras saíram descontroladas da minha boca. A mulher que eu nem reconhecia mais como minha mãe ficou extremamente nervosa. 

- Agora você defende ele? Tudo bem, você está seguindo exatamente os passos dele Lia, ótimo para seu futuro. - ela bateu palmas sarcasticamente, eu juro, nunca chegamos a essa altura em qualquer discussão. - Saindo cedo e voltando tarde, ficando com garotinhos que não tem nada pra fazer da vida, seus amigos não ajudam. 

- Não fale assim de Rafael e nem dos meus amigos! - a raiva me consumia agora, no fundo sentia meu coração doer, essa era minha mãe falando coisas inacreditáveis na minha cara. 

- Falar o que? A verdade? 

- Quer saber de uma coisa? Não vou ficar aqui escutando você falar tanta merda. - subi as escadas furiosa com ela no meu pé.

- ME RESPEITE LILIAN, VOCÊ AINDA MORA SOBRE MEU TETO! - e essa foi a gota d'água. 

- TUDO BEM ENTÃO! 

   Entrei no meu quarto, algumas lágrimas escorriam inconscientemente pelo meu rosto. Peguei uma bolsa e comecei a jogar peças de roupa dentro da mesma, enquanto isso ligava para a única pessoa que sei que poderia contar. Ele atendeu o celular preocupada, realmente, minha voz não era uma das melhores no momento. Pedi para que ele viesse me buscar. Depois de pegar o carregador do celular e mais umas coisinhas, vesti um moletom e sai do quarto. Desci as escadas correndo encontrando minha mãe e meu irmão David com uma cara de sono, deve ter acordado com a discussão. Dei um beijo na testa de David, sua cara de confuso era uma coisa fofa.

- Onde pretende ir? - ela percebeu a bolsa que eu carregava junto a mochila da escola. 

- Pra casa do meu pai. - respondi curta e grossa, me doía fazer isso. Abri a porta e sai de casa, já eram mais de onze horas e São Paulo estava frio demais. Me encolhi dentro do moletom e vi o carro familiar estacionado perto da casa, corri e entrei o mais rápido possível. Assim que me acomodei no banco do carona, me joguei nos braço de uma das pessoas que eu mais admiro no mundo. 

- Senti sua falta! - minha voz estava rouca, talvez pela loucura que foi o dia de hoje. 

- Eu também querida. - sua mão fazia um cafuné gostoso. Infelizmente tivemos que nos separar, enquanto ele ligava o carro eu botava o cinto de segurança, sabe, segurança em primeiro lugar. - O que aconteceu pra você me ligar tão desesperada assim? 

- Posso falar disso mais tarde? Acho que não consigo contar tudo agora. - e realmente não conseguia, esse era uma das brigas mais sérias que eu já tive com a minha mãe. 

- Tudo bem. Ah, tive uma ideia! - olhei para ele e me surpreendi de como senti sua falta, por causa de seu trabalho na marinha não nos víamos tanto. Não pense que eu fico super magoada com isso, ao contrário de minha mãe, entendo que era uma coisa que ele amava. 

- O que foi? 

- Que tal no caminho passarmos na nossa pizzaria preferida e quando estivermos devidamente limpos, cheirosos e de barriga cheia você me contar o motivo disso tudo? - isso era uma proposta convincente.

- Como nos velhos tempos? 

- Como nos velhos tempos!

    Senti meu celular vibrar na minha mão, Rafael estava me ligando. Não conseguiria atender agora, soltei um suspiro e cancelei a chamada. Isso seguiu por mais cinco vezes até eu resolver desligar o aparelho. Me sentia péssima fazendo isso, espero que ele entenda meus motivos depois, mas nesse momento meu único desejo era ir para outro mundo. Talvez um mundo em que eu e minha mãe seríamos tão próximas quanto antes, e papai não tivesse que ficar tão afastado da gente. Um mundo em que eu e Rafael assumiríamos a coisa confusa que temos publicamente. Um mundo que tivesse arco-iris e talvez pôneis, eu gosto de pôneis. 


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CAPÍTULO MEIO ESTRANHO, EU SEI! Mas gente, vocês tem que entender que a vida da Lia não é só flores não. AGORA VEM A PARTE DO SOFRIMENTO, ADORO <3

CARALHO, OBRIGADA PELOS 7 (atualizando aqui rapidinho) 7,56 K DE VIEWS, VCS SÃO LINDOS PONEIS NA MINHA VIDA!!!!!

Gente, não sei como agradecer pelo o que vocês tem feito, sério. Tem horas que eu acho que estou sonhando

EU QUERIA POSTAR ONTEM MAS PARECIA Q FUI ATROPELADA POR UM MILHÃO DE BORBOLETAS (sera q da?)

OBRIGADO, OBRIGADO, OBRIAHDO, OBRIGADO, OBRYADFO, ONRIAHDAPO, IJADNS TO DIGITANDO NO ESCURO, OLHA COMO AMO VCS <3

GENTE QUEM QUISER ENTRAR NO GRUPO DE CLOUDS MANDA O NUMERO COM DDD, SOMOS TODAS PONEIS LA TA? 

All the love



Clouds → Rafael Lange | CellbitOnde as histórias ganham vida. Descobre agora