20.3 CONFIANÇA

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Virgem.

Era o que eu esperava, já, não tinha como negar.

Parte de mim, esperava que ela não fosse por conta da responsabilidade e, também, de todas as implicações e complicações que uma mulher tem antes de sua primeira vez. Outra parte, porém, urrava de felicidade por ser real, eu poderia vir a ser o primeiro de Drica e aquilo era especial. Faria da maneira que ela merecia e deixaria com que ela se recordasse com carinho da sua primeira vez.

Virgem.

A morena era virgem.

Todas aquelas curvas jamais tocadas e todo o prazer que uma mulher pode ter jamais descoberto.

Desejava ser seu primeiro, se assim me permitisse. Daria-a o melhor de mim e me lambuzaria com o seu prazer e com a sua surpresa.

O sangue, que mal começara a subir, voltou a descer. Senti a pressão rígida da minha ereção querendo voltar a dar o ar de sua graça e engoli a seco, respirando fundo e tentando me acalmar. As imagens na minha mente, eu e Drica envoltos em lençóis tão brancos quando sua pureza, estavam povoando minha corrente sanguínea de luxúria não requisitada e nem um pouco própria para o momento em questão.

Drica me encarava com seus olhos arregalados, como se esperasse uma posição minha sobre o assunto. Como se esperasse qualquer coisa negativa vindo de mim.

Em seus olhos, eu via medo. Pavor.

E aí eu entendi.

Ela tinha abaixado todas as armas que tinha e expressado sua fraqueza, confiando totalmente em mim para dividi-la comigo, mesmo com medo que eu simplesmente a deixasse sozinha por isso.

Boba. Minha namorada era linda e boba.

- Tudo bem? - Perguntou-me, nervosa e ansiosa.

Sorri e balancei a cabeça. Levei a mão ao seu rosto lavado pelas lágrimas e beijei-lhe a boca com carinho e cuidado, deixando-a totalmente surpresa com minhas atitudes.

Drica tremia levemente e parecia apavorada com a revelação feita. Seu comportamento era como de alguém que tivera sofrido um trauma grave e estava quase em estado de choque. Tentei exibir minha melhor expressão tranquila para que passasse o máximo de carinho para que ela conseguisse relaxar em minha companhia e parasse de surtar por nada.

- Por que não estaria? - perguntei, sorrindo. Embora quisesse acalmá-la, não entendia o porquê Drica achava que eu teria qualquer outra reação - uma reação negativa - ao que ela me contava. Não fazia sentido nenhum. Em algum momento eu passara a ideia de que eu não a respeitaria? Ou de que era só aquilo que importava para mim? Porque eu achava que não.

Drica piscou repetidas vezes, como se absorvesse a ideia de que eu aceitara seu desabafo sem ponderar. Parecia extremamente chocada que eu tivesse respondido bem ao seu desabafo, me deixando ainda mais confuso e encucado com o que ela andara pensando ou achando de mim e de nosso relacionamento.

- Você não... - Drica estava nervosa e chegou a se afastar de mim, respirando com uma leve dificuldade, parecendo ter corrido uma maratona inteira. Esse era o seu nível de pânico e nervoso. - Você não está zangado? Ou chateado? Decepcionado?

Eu queria rir do seu desespero, mas seria totalmente indelicado, então só neguei com a cabeça, vendo-a franzir as sobrancelhas e tentar entender o que eu estava pensando enquanto eu fazia o mesmo com ela. Estava um pouco ligeiramente magoado que ela tivesse esperado o pior de mim sobre aquilo e estivesse tendo dificuldades de aceitar que eu não tinha nenhum problema com sua falta de experiência e a sua inocência. Para falar a verdade, aquilo me deixava ainda mais feliz - apesar de ser um pouco babaca, a ideia de ser o primeiro de Drica era estarrecedora. De não ter que lidar com ciúmes e a inveja dos caras que estiveram com ela anteriormente. Eu esperaria pacientemente pelo dia que Drica resolvesse descobrir os prazeres da vida ao meu lado e morreria ao vê-la surpresa e encantada com o que viesse.

- Eu achei que você...

Ela não terminou de falar e eu quis abraçá-la, mas ainda parecia um pouco incomodada pelo segredo que acabara de proferir. Voltou a encarar o mar e soltou o ar com força, como se o alívio fosse tão grande que ela estivera tirando um enorme peso de suas costas.

Perpetuei-me aguardando que ela continuasse a falar alguma coisa, mas visto que não o faria, resolvi tomar o primeiro passo.

- Drica... - comecei. Ela virou o olhar pra mim mais uma vez, mas durou apenas um segundo, voltando a encarar o mar. Percebi que lágrimas voltavam a se acumular em seus olhos e não pude compreender. - Eu nunca faria algo que você não gosta. Nunca te forçaria a nada. E nem brigaria com você porque você... é virgem - fui falando pausadamente para que ela absorvesse toda e qualquer palavra proferida. - Gosto de você, morena. Como você é. Não precisa ficar sofrendo achando que eu vou te julgar ou ser um babaca completo com você por qualquer coisa que não importa. Relaxa, linda.

Ela fez bico e vi mais lágrimas caindo de seus olhos enquanto ela confirmava com a cabeça. Esperei que ela falasse alguma coisa, admirando o pequeno barco que atracava no porto. Franzi a testa, identificando duas figuras conhecidas descerem do mesmo, bastante animadas. Olhei para Drica e ela tinha a boca aberta, tentando falar algo, mas seu olhar seguiu o caminho que o meu estivera apenas segundos antes, franziu a testa, reconhecendo o casal e se calou instantaneamente.

Secou suas lágrimas rapidamente, se encolhendo e limpando-as na camisa. Ficou por um momento assim e eu vi que não teríamos como continuar conversando sobre aquele assunto, Drica tinha achado a desculpa perfeita para evitar o restante e por mim estava tudo bem. Já tinha me feito entender e só queria que ela realmente tivesse compreendido.

E, enquanto Drica continuava a se refazer do nervoso e das lágrimas derramadas, levantei-me, acenando para Talles e Mila até que eles nos vissem e fizessem o caminho até a gente.

NOTA DA AUTORA: Então, gente. Aqui se encerra a segunda fase de Toque de Recolher e queria dizer que a mamata pro coração de vocês acabou. Preparem - se que vem aí a fase 3 e o nome dela é "Boom".
Boa sorte pra gente!
Beijos rosados :*

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