20.1 A PROCURA

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JP

Demorei vários minutos para entender o que tinha acontecido.

Quando entendi, queria não tê-lo feito.

Estava eu, muito feliz, com Drica sentada em meu colo, a boca deliciosa dela na minha e seus gemidos me deixando cada vez mais louco. Achei, por bem, que precisava de um espaço. Não só eu, ela também.

Haviam me informado que eu deveria ir devagar com Drica porque, bem... Ela não parecia ter cruzado aquela barreira ainda. Então tirei-a do contato mais intenso - que ela mesma provocara - e coloquei sentada na mesa. E resolvi ajeitar meu short porque eu tinha uma ereção a pino que já estava começando a latejar por ainda estar apertada contra as minhas roupas - não que eu tivesse qualquer esperança de que ela encontrasse qualquer solução naquele momento.

Então, enquanto eu afrouxava o short para tentar diminuir o desconforto latente que estava me deixando completamente doido, Drica me empurrou contra a parede da cozinha e saiu em disparada da cozinha, batendo os pés com tanta pressa que atravessou toda casa em questões de segundos e bateu a porta.

Acho que demorei demais, tentando me acalmar.

Não entendia porque ela tinha saído assim, tão desesperada, tão apressada. Nós não estávamos fazendo nada demais, ninguém nem tentou tirar a roupa de ninguém...

Sentei de volta na cadeira e me encolhi, respirando fundo e esperando que minha ereção diminuísse apenas um pouco para ir atrás de Drica e entender o que tinha acontecido, porque simplesmente não dava para sair daquele jeito, com a barraca armada.

Porém, a descarga de adrenalina tinha sido tão forte que eu continuava agitado, minha perna esquerda se movimentava com força, batendo o pé no chão em um ritmo desconhecido e frenético, que quase me impedia de relaxar.

Resolvi me levantar e tomar um copo de água gelada. Após engolir todo o líquido em duas grandes goladas, olhei para a frente do meu shorts e constatei que era ok sair.

Um pouco apressado, alcancei a porta da casa e encarei a pequena rua da vila, sem nenhum sinal de Drica em nenhum lugar. Andei através dos carros, observando atentamente caso ela estivesse escondida e encolhida em algum canto, mas cheguei na rua sem encontrá-la.

Por que ela estaria escondida e encolhida? Por que havia fugido?

No portão da vila, levei minhas mãos às costas e franzi a testa, pensando enquanto escolhia para que lado ir. Revivi o momento na minha cabeça, tentando compreender.

1 - Drica estava sentada no meu colo, rebolando e me beijando, soltando gemidos tão maravilhosos que eu não sabia como iria conseguir me conter e parar;

E só de ativar a lembrança, meu pênis já se remexia de vontade de voltar para aquele momento. Dei um tapinha por cima do short, tentando acalmá-lo antes que virasse uma festa, enquanto os pelos do meu corpo ainda se encontravam arrepiados, pedindo, também, por mais.

2 - Coloquei Drica sentada sobre a mesa para que eu pudesse ter um desconto e conseguisse me acalmar, também não queria assustá-la com a minha excitação;

Embora Drica não parecesse nem um pouco incomodada em estar sentada na minha ereção. Senti um calafrio delicioso com a lembrança e respirei fundo, tentando manter o foco em compreender Drica para tentar ter uma ideia de onde ela tinha se metido.

3 - Resolvi ajeitar meu short para não apertar tanto a minha ereção, quando voltei para ver Drica, ela havia desaparecido como um furacão.

O que será que tinha acontecido entre o momento que eu coloquei ela na mesa e me arrumei, na intenção de voltar a beijá-la?

Com um estampido e uma lâmpada acendendo sobre a minha cabeça - como sempre sentia quando tinha uma ideia genial para escrever uma matéria -, percebi o erro.

Drica tinha achado que eu a havia afastado porque eu não queria mais beijá-la. Ela entendeu tudo aquilo como rejeição e tinha fugido para não ter que enfrentar. Era a única explicação.

Contrariando todo o gosto amargo que eu sentia na boca ao notar que tinha sido mal interpretado em um gesto simples e que, com isso, tinha ferido a garota por quem eu era apaixonado. Comecei a pensar avidamente em onde Drica poderia estar?

Encarei a rua movimentada, vendo as pessoas rirem e se divertirem, indo e vindo, curtindo o último resquício de carnaval e o calor desgastante que fazia naquela tarde de fevereiro. Um grupo de estrangeiros sujos de areia de praia me pediu licença para entrar na vila e eu cheguei para o lado, demorando o meu olhar pelo caminho que eles vieram, tendo uma ideia.

Se eu estivesse triste e decepcionado em algum lugar estranho e dividindo a casa com o causa da minha decepção, para onde eu iria?

A resposta brilhou alta e clara na minha mente e eu marchei com pressa pelas ruas, sem me esquecer em verificar nos arredores, caso minha ideia estivesse errada. Já passava das três da tarde e os restaurantes estavam cheios de festa e de vida, gente contente e eu lá, preso no meu próprio drama particular.

Por que mulheres eram tão difíceis de se compreender?

Não percebi quando comecei a correr, meus passos se tornaram cada vez mais urgentes, mais sedentos em encontrá-la e resolver melhor o problema. A cidade estava tão cheia... O que poderia acontecer enquanto Drica estivesse sozinha e desamparada? Ela podia ser roubada, ou sequestrada. Ou morta.

Minhas pernas eram grandes e os passos largos, mas não me davam a velocidade necessária para chegar à praia naquele instante, que era o que eu queria. Então, tentei manter o ritmo acelerado para chegar o mais rápido que pudesse.

Não demorou muito, mas parecei uma eternidade.

Parei na calçada larga próxima ao píer e encarei a extensão da praia, procurando pelas curvas já conhecidas e exploradas da, agora teria que me acostumar a dizer isso, minha namorada. Demorei-me encarando o cais, vendo se ela poderia ter fugido por ali, mas foi na areia que meu olhar se prendeu e meu pânico se aliviou.

Láestava ela.



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