08 - Erro por cima de erro

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Ao contrario do que Thed profetizou, não estava nada bem. Mary ainda sofria com tremedeiras, calores e acelerações no coração. Tudo isso por um toque de uma mão. Que exagero! Sua mão direita tocava na esquerda o tempo inteiro e nada disso acontecia!

No entanto, era assim que ela se sentia agora e ainda podia sentir sua mão formigando nos exatos pontos que ele havia encostado.

Talvez o espanto maior tivesse sido o fato de ser tocada, ou melhor, segurada daquela maneira. Por um homem! Fazia anos que isso não acontecia e é um direito natural do ser humano se sentir ameaçado por coisa que não conhecem, ou por coisas que não vêem, ou sentem, há muito tempo.

Mas também havia uma pequena possibilidade de que o estado de choque de Mary fosse causado pelo toque de Thed especificamente, e pelas lembranças que aquele ato evocou na mente dela.

Coisa que não era nem um pouco justa, ela tinha batalhado tanto para esquecer os detalhes sórdidos de sua juventude para vir ele novamente e com um simples toque de uma pequena duração de quinze segundos e meio deixá-la toda atordoada por toda uma tarde inteira. Por essa razão ela preferia pensar que a primeira opção era a correta, gostava de pensar que qualquer toque de qualquer pessoa a faria sair de seu juízo normal como agora.

Mas bem, também não era o fim do mundo. Talvez ela com seu descontrole emocional bem à mostra, mas pelo menos ninguém a veria assim enquanto estivesse naquela sala, e se permanecesse entocada ali por mais uma semana, quando saísse já poderia gozar de seu estado normal de placidez.

**

Thed bem que podia seguir os princípios de Mary e dizer que as horas que passou em casa com sua família foram felizes, calmas, acolhedoras e tudo mais que se supõe que momentos em família devam ser. Bem, ele podia muito bem dizer isso a quem quer que por ventura perguntasse, claro que podia.

Mas seria uma mentira.

Tinha sido tudo da mais completa tortura, cada vez Christine conseguia fazer uma coisa pior. Thed não estava querendo fazer sensacionalismo nem nada, pensava nisso tentando filtrar cada partícula do seu pessimismo para fora da observação dos fatos, mas o fato era que não havia como negar que as coisas andavam mesmo péssimas no seu meio familiar.

Sendo assim, mais uma vez, saiu de casa a primeira hora da manhã sob o pretexto de ir trabalhar, quando na verdade só queria pensar. Apenas uma singela reflexão sobre o porquê de seu casamento estar dando tão errado. E, acima de tudo, se perguntava, entre uma e outra ponderação, por que raios ainda continuava casado.

Essas eram ótimas perguntas, mas até a hora em que ele chegou aos portões do Colégio Santa Tereza, todas permaneciam sem resposta.

E era muito provável que não seriam respondidas nunca.

Ele procurava pela Noviça Mary desesperadamente para que começassem o trabalho e as conversas estranhas, mas acabou encontrando com a Madre desesperada diante da porta que levava ao jardim.

- Bom dia, senhora Madre, alguma coisa errada? – perguntou Thed um pouco inseguro em relação atrapalhar a agitação da anciã.

- Oh, senhor Hopkins, nada com que eu já não esteja acostumada – disse ela com um sorriso resignado. – Mas o senhor não deveria vir trabalhar só à tarde? Não me diga que a Noviça Mary o persuadiu a trabalhar em horário integral.

- N-não! – disse Thed atrapalhado pelo súbito aborrecimento da mulher. – Na verdade, fui eu quem a persuadi. Não fique brava com ela.

- Não estou brava, senhor, mas sei do que a Noviça Mary é capaz de fazer.

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